Muito além do Pokémon Go
A febre do jogo Pokémon Go no Brasil dividiu opiniões de educadores, pais e usuários. Há quem acredite ser apenas mais um jogo disponível nas lojas de aplicativos e aqueles que julgam ser uma forma revolucionária de interação. A discussão chegou também ao mundo corporativo: se um jogo e a tecnologia de realidade aumentada são capazes de movimentar e prender a atenção de toda uma geração, certamente podem ser utilizadas como plataforma de comunicação com os novos profissionais que chegam ao mercado.
“Acompanhamos nos últimos anos uma evolução clara do treinamento em sala de aula no uso de plataformas para ensino a distância, e o próximo passo será levar isso para um ambiente mobile”, enfatiza Gustavo Tavares, country manager da Top Employers Brasil, que acredita ainda que a interação com realidade aumentada por meio de um jogo é o empurrão que faltava para que o RH compreenda a necessidade de repensar suas formas de comunicação.
Os processos tradicionais de comunicação e desenvolvimento de talentos, como leitura e sala de aula, têm um nível de retenção limitado. Pesquisas comprovam que, se incluído algum recurso interativo, a absorção da informação é bem mais alta. “O grande desafio das empresas vai ser garantir que o conteúdo seja transmitido de forma estimulante paras as novas gerações. Com isso, é muito mais eficiente mudar a plataforma do que alterar a linguagem usando os canais de comunicação antigos, já considerados obsoletos pelas gerações Y e Z”, reforça Tavares.
Além disso, a aplicação da realidade aumentada usada em plataformas mobile deve resultar em uma comunicação com menos ruídos a uma geração de novos profissionais que tendem, cada dia mais, a deixar o e-mail em segundo plano, resolvendo questões profissionais via mensagens instantâneas. “Há empresas cujos programas de trainees, por exemplo, têm a comunicação 100% desenvolvida por whatsapp”, exemplifica Tavares.
O futuro está próximo
Há o entendimento de que as plataformas precisam mudar, mas o que falta são iniciativas e casos concretos de aplicação, que levem a soluções de realidade aumentada para iniciativas de treinamento e desenvolvimento em RH.
Contudo, essa demanda deve estimular o próprio RH a criar ferramentas para atingir as expectativas com relação à sofisticação, funcionalidade e custo-benefício, aplicáveis à comunicação empresarial muito em breve. Enquanto o escritor e mentor de desenvolvimento de jovens, Sidnei Oliveira aponta que em cerca de 10 anos a tecnologia do Pokémon Go será algo comum em nosso cotidiano, Tavares acredita que muito antes ela chegará ao ambiente corporativo. “O que falta hoje é apenas um equilíbrio entre custo e eficiência para desenvolvimento de talentos, uma vez que essa é ainda uma tecnologia muito cara”, reforça o especialista.
As empresas certificadas Top Employers já têm um nível de consciência da necessidade de manter plataformas de comunicação de ponta. Uma prova disso é o uso do ‘gamefication’, método de jogos para treinamento e engajamento dos colaboradores, como ferramenta. “Essa preocupação acontece justamente por que conseguimos ter ganhos bastante claros de desempenho e efetividade quando integramos plataformas para comunicação”, explica Tavares.
“Uma empresa de sucesso e com credibilidade no mercado deve seguir as tendências e se destacar das concorrentes, ou seja, receber a informação e executá-la antes, ou pelo menos, ao mesmo tempo que as demais organizações do mercado. E para que todas essas exigências sejam seguidas, nada melhor do que os jovens dessa nova era; daí a importância de se comunicar de forma atrativa e efetiva”, finaliza Tavares.








