Recuperação judicial de empresas: leilão pode render dinheiro

Helcio Kronberg.

A Recuperação judicial, instrumento jurídico previsto na Lei de Falências e Recuperação de Empresas (LFRE), completou 12 anos em 2017. De acordo com o último levantamento divulgado pela Serasa Experian, o número de empresas que pediu recuperação judicial foi recorde em 2016: 1.863, aumento de 44,8% ante 2015. É o maior resultado desde a entrada em vigor da Nova Lei de Falências, em junho de 2005. Em 2015, foram 1.287 ocorrências e, em 2014, 828. Os números consolidados de 2017 devem ser divulgados no início de janeiro deste ano.

Cada vez mais usada para evitar a falência de uma empresa que não tem mais capacidade de pagar suas dívidas, a recuperação tem a vantagem de garantir a continuidade do negócio. A recuperação, que veio substituir a concordata, evita que os credores peçam a falência da empresa devedora e impõe a apresentação de um plano de pagamento que passa pela aprovação da Justiça e dos próprios credores. Se a empresa não cumprir o que está no plano, só então é decretada a falência.

De acordo com os últimos dados da Boa Vista SCPC, o número de empresas que enfrentam dificuldades e que pediram ou tiveram de sair do mercado caiu em 2017. Pesquisa feita pela entidade mostra que os pedidos de falência caíram 33,9% frente a dezembro do ano passado. Na comparação com janeiro de 2016, houve queda de 12,2%. As falências decretadas também recuaram. Entre dezembro e janeiro, caíram 24,2%.

Com as projeções da retomada da atividade econômica, o número de pedidos de recuperação judicial caiu 25,8% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016. De acordo com economistas da Serasa Experian, a redução da inflação e dos juros, a estabilização do dólar e o crescimento da economia, mesmo lenta, contribuiu para a queda. Mas o cenário ainda não é satisfatório. Apesar do recuo nos números oficiais e da intenção do governo de facilitar o processo, o fantasma da recuperação judicial ainda ronda e assusta muitas empresas.

Primeiramente, a recuperação não pode virar uma ferramenta para adiar uma falência iminente. Segundo levantamento do escritório de advocacia Moreira Salles e da consultoria Corporate Consulting, a taxa de sucesso das recuperações judiciais está na casa de 1%. Uma das principais dificuldades é a obtenção de crédito. Conseguir dinheiro pode ser mais complicado do que no período anterior ao pedido.

Por isso, umas das saídas viáveis para a obtenção de capital para a empresa são os leilões.

A diferença entre os leilões de massa falida e os de recuperação judicial é que aquele se presta a converter em dinheiro os bens arrecadados pelo administrador judicial (antigamente chamado de síndico) para pagamento de credores. Já os leilões de recuperação judicial servem para vender parte de ativos para auxiliar a recuperação da empresa. Por exemplo, os gestores identificam que parte do parque fabril encontra-se ocioso (máquinas, equipamentos, bens imóveis desnecessários à operação) ou que o estoque de matéria prima está elevado e os colocam em leilão para fazer dinheiro. Uma das vantagens dos leilões é que o bem pode ser vendido por um valor acima do estipulado. E pela sua característica pública atinge um universo maior de interessados.

A venda em leilão deve fazer parte do plano de recuperação judicial, aprovado pelo juiz e pelos credores. Nem sempre vender ativos pode ser a solução ideal. E muitas vezes não se pode vender nada. Deve-se vender o que é ocioso ou inservível e evitar vender o que pode fazer falta. O importante é que as empresas, diante da impossibilidade de pagamento dos credores, passem a procurar a recuperação judicial e os leilões como um recurso para captação de dinheiro o mais cedo possível, evitando, quando possível e viável, a falência.

O artigo foi escrito por Helcio Kronberg, que é leiloeiro público oficial, Mestre, especialista e bacharel em Direito e Administração, com formação também em Economia e Ciências Contábeis. Tem cinco livros publicados.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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