You are here
Home > Artigos > Reflexos da falta de correção da tabela do Imposto de Renda

Reflexos da falta de correção da tabela do Imposto de Renda

Dolores Locatelli.

Para o governo é um ótimo negócio. Para os contribuintes, prejuízo e achatamento da renda. Está evidente que a falta de correção na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física gera uma carga tributária que pesa mais para quem ganha menos, pois a cada reajuste de salário sobe mais a “escada” do alcance da tabela de tributação, que não sofre revisão de valores há três anos.

Sem a correção da tabela do IRPF, uma parte significativa dos trabalhadores brasileiros, que era isenta do pagamento do imposto e obteve reposição salarial, passará a pagar a alíquota da primeira faixa de descontos, ou seja, 7,5%. E, assim, subsequentemente, como prevê a tabela da Receita Federal.

Portanto, a falta do reajuste provoca um desequilíbrio na “balança da medida” e, a cada ano, o imposto pesa mais para quem está na base da pirâmide. Por exemplo, um trabalhador que em janeiro de 2017 ganhava R$ 2.826,65, se enquadrava na alíquota de 7.5%. Se no ano passado o salário dele subiu em linha com a inflação (2,95%), o ganho mensal chegou a R$ 2.910,04. Como a tabela do IR não mudou, ele passou a pagar imposto na terceira faixa que é de 15%, (sem considerar deduções com a contribuição previdenciária), embora seu poder de compra não tenha aumentado.

Atualmente, estão isentos de desconto do Imposto de Renda, os trabalhadores que ganham até R$ 1.903,98. De R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65, a alíquota é de 7,5% (R$ 142,80). O desconto fica em R$ 354,80 (15%) para os contribuintes com proventos entre R$ 2.866,66 até R$ 3.751,05. E, por fim, a dedução de R$ 636,13 (22,5%) para salários entre R$ 3.751,06 até R$ 4.664.68.

Especialistas analisam que existem duas formas para restaurar a justiça tributária no país. A primeira delas é anular a defasagem acumulada nos últimos anos. A segunda, é promover uma autêntica reforma tributária, mantendo a tabela atual do Imposto de Renda, mas realizando desoneração da produção e do consumo e redução ou retirada da tributação sobre itens como alimentos, medicamentos e outros bens de consumo. São propostas ousadas para um governo, cabe lembrar, que não consegue controlar os próprios gastos.

No final das contas, o trabalhador será penalizado pela ausência de reajustes na tabela de alíquotas do Imposto de Renda. Irá pagar mais imposto e sua renda estará mais reduzida ano a ano. E, ao mesmo tempo, continuará sem ter compensação do governo em serviços básicos.

O artigo foi escrito por Dolores Locatelli, que é diretora da EACO Consultoria e Contabilidade.

Avatar
Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

Deixe uma resposta

Top