Fórum de produtos típicos paranaenses articula ações e se destaca no mercado

Fórum de produtos típicos paranaenses articula ações e se destaca no mercado

O envolvimento de chefs de cozinha, universidades, órgãos públicos e privados, a presença de novos produtores rurais, realização de eventos, reconhecimento e até mesmo exportação de produtos para a Europa. Esses e outros resultados positivos foram levantados na quarta reunião do Fórum Origens Paraná, que busca articular, planejar e coordenar junto com parceiros o desenvolvimento de Indicações Geográficas (IGs) e de Marcas Coletivas, realizado no Sebrae/PR, nesta quinta-feira, dia 15.

“Queremos que os nossos produtores estejam cada vez mais preparados para vender, possam ter uma mercadoria de qualidade, um preço justo e resultados. É isso que fará com que os nossos produtos se tornem diferenciados e o Paraná ser reconhecido com um mercado de excelência também nesta área”, afirmou o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta.

O trabalho de reconhecimento de produtos típicos do Paraná trouxe a presença de novos produtores rurais, como os de farinha de mandioca de Guaraqueçaba, a farinha de trigo de Irati, os vinhos de Bituruna, o ginseng de Querência do Norte e os morangos de Pinhalão. O produtor de ginseng, Misael Jefferson Belo, começou a participar do fórum e explica que buscou o grupo para poder reforçar a qualidade do seu produto.

“Temos um produto diferenciado, que é composto apenas pelas raízes do ginseng, onde ficam os princípios ativos. Com a busca pela IG queremos colocar o nosso produto em destaque no mercado nacional. Além disso, hoje já exportamos para a França, a China e o Japão e esse registro começa a ser exigido pelo mercado externo”, analisou Belo.

Além disso, entidades e instituições como a Universidade Positivo, a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar de Curitiba, o Senar, a Paraná Turismo, a Emater e o Ministério da Agricultura também apresentaram suas contribuições e demonstraram de que maneira é possível contribuir para impulsionar o tema das IGs. As instituições devem se engajar para promover diferentes ações relacionadas ao tema e já anunciaram novidades.

Entre elas, está a negociação para a abertura de uma loja física no Mercado Municipal de Curitiba com o título “Origens Paraná”, voltada para a venda de produtos que possuem o registro

Já a Universidade Positivo promoverá nos dias 2 e 3 de outubro, em Curitiba, o Festival Saberes e Sabores, com o tema Cozinha Regional Brasileira e o Legado Indígena, que deve oferecer aulas shows com o preparo de pratos com produtos típicos do Paraná por parte dos chefs paranaenses.

O tema de Indicações Geográficas ganhou grande destaque com a assinatura do Acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que deve oferecer benefícios diretos aos produtores, uma vez que os produtos com o registro possuem um reconhecimento formal por parte dos países europeus.

Antes mesmo da assinatura do acordo, alguns produtores já sentem os efeitos benéficos desses registros. É o caso da goiaba, de Carlópolis, que possui a IG há dois anos, obteve no início do ano o selo Global G.A.P. e iniciou recentemente as primeiras exportações do produto para Portugal.

“Se não tivesse a IG, a gente não teria valorizado tanto o nosso produto e o nosso trabalho. Construímos elos que fizeram com que chegássemos a esse patamar. Buscamos adequações, formamos a cooperativa, fizemos contatos e visitas a feiras no exterior e conseguimos as certificações necessárias. Hoje também já temos interesse dos Estados Unidos, da Holanda e do Canadá no nosso produto”, afirma Rodrigo da Silva Viana, diretor da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis.

Além de sete produtos com Indicações Geográficas e 26 com marcas coletivas, o Paraná se destaca a nível nacional com 12 pedidos de registros já protocolados no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), órgão responsável por conceder os registros, além de outros produtos e serviços que estão iniciando esse processo.

Experiência gastronômica

Após a reunião do fórum, os convidados puderam participar de uma experiência gastronômica e tiveram a oportunidade de degustar e comprar produtos que possuem IGs ou estão pleiteando o registro. Entre eles estavam a cachaça de Morretes, as balas de banana de Antonina, a farinha de mandioca do Litoral, queijo de Witmarsum, goiabas de Carlópolis, mel do Oeste do PR e a erva mate de São Mateus do Sul. A estrela da noite foi a carne do porco moura, uma raça típica da Região Sul do País, que possui sabor diferenciado. Os produtores de porco moura estão participando do Fórum Origens Paraná e ainda nesse mês devem iniciar a formação de uma associação de criadores para iniciar o processo para obtenção de uma IG.

Indicações Geográficas

O Brasil possui hoje 71 registros. Em todo o mundo, são mais de 10 mil produtos com indicação geográfica e que movimentam mais de 50 bilhões de euros. Hoje, o Paraná possui sete territórios com registro de IG: São Mateus do Sul com a erva mate e derivados, Norte Pioneiro com os cafés especiais, Carlópolis com a goiaba de mesa, Oeste do Paraná como mel, Witmarsun com o queijo colonial, Marialva com as uvas finas de mesa e Ortigueira com o mel. Outros cinco territórios estão pedidos prestes a serem protocolados e ou sendo analisados pelo INPI: Capanema com melado e derivados, Morretes com a cachaça, Antonina com a bala de banana (apesar de recentemente indeferido, já está com novo processo em andamento) e o Litoral com barreado e farinha de mandioca.

Uma IG é considerada um bem coletivo conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, com valor intrínseco e identidade própria. O registro distingue os produtos dos similares disponíveis no mercado por sua qualidade, especialidade e tipicidade. O INPI é a instituição que concede o registro e emite o certificado. As Indicações Geográficas podem ser na modalidade Indicação de Procedência (IP) ou Denominação de Origem (DO).

Crédito da foto – Regis Santos/Sebrae/PR

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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