Sem método adequado, uso de inteligência artificial em processos de seleção resulta em perda de qualidade

Sem método adequado, uso de inteligência artificial em processos de seleção resulta em perda de qualidade

Foi-se o tempo a tecnologia mais avançada para selecionar novos funcionários era o LinkedIn. Hoje em dia, muitas empresas têm adotado aprendizado por máquina e inteligência artificial em seus processos de recrutamento. A ideia, em tese, é ótima: diminui etapas, economiza recursos e torna todo o trâmite mais ágil. Mas, na prática, esses recursos trazem melhores resultados?

Segundo a Foursales, especialista no recrutamento de talentos para a área comercial, raramente. Apesar do grande potencial dessas ferramentas, tanto do ponto de vista das empresas, como do ponto de vista dos candidatos – quem gosta, afinal, de gastar horas em deslocamentos e entrevistas? -, o resultado por ora não é positivo.

“Boa parte das empresas ainda não está conseguindo usar a tecnologia de forma produtiva. Em certos casos, isso acaba atrapalhando inclusive as consultorias de talentos, que precisam direcionar os candidatos que avaliam para as automações criadas por essas companhias”, afirma Rodrigo Sahd, diretor geral da Foursales no Brasil.

O administrador César Marques, que procura emprego há oito meses e já participou de vários processos seletivos – parte deles, totalmente automatizados – é um exemplo. “A sensação que fica quando se faz determinados testes é que você está jogando na loteria”, disse. “Algumas perguntas que tive de responder chegavam a ser cômicas”.

Um dos casos mais emblemáticos pertence a umas das maiores startups do Brasil. Recentemente, ela passou a aplicar cinco testes de alta subjetividade – e dificuldade -, eliminando de antemão 96% dos candidatos. Mesmo assim, o percentual de efetividade das entrevistas, isso é, que se converteram em contratações, caiu de 27% para 8%. Em outras palavras, com a implantação da tecnologia, a empresa passou a entrevistar três vezes mais profissionais para garantir o mesmo indicador que tinha antes.

De acordo com a Foursales, que atende essa startup, a qualidade das contratações também diminuiu, implicando em um aumento do acionamento de garantia de 7,5% para 12,8%. “Isso significa que a chance de insucesso da contratação, medida pela rápida substituição de um profissional recém-contratado, aumentou em 70%”, aponta Sahd.

Procura do equilíbrio entre automação e assertividade

Mais importante do que implementar a automação, é saber utilizá-la com inteligência. Caso contrário, o resultado final pode ser o inverso do pretendido, com perda de qualidade e eficiência nas contratações.

“A ciência, através de livros e artigos, tem gerado uma série de informações contundentes, mas sem obter a devida atenção”, diz Sahd. “Testes comuns em automações de recrutamento, como de inteligência emocional e aderência cultural, não têm validação científica ou um coeficiente estatístico relevante. Sua popularidade, por isso, causa espanto”.

O segredo está não só no próprio teste, como também na maneira como ele é interpretado ou para o tipo de cargo que é aplicado. Por exemplo, o teste de raciocínio lógico, o famigerado ‘teste de QI’, é útil somente para cargos de diretoria e vice-presidência e desde que uma nota média mínima, e não uma média máxima Idea, seja considerada.

“A coisa mais responsável, respeitosa e por que não, humana, que um profissional de RH pode fazer na sua função é oferecer aos profissionais que ele avalia uma comparação coerente e baseada em fatos”, diz Sahd. “Para tanto, o respaldo científico é fundamental”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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