Argentina está estrangulada e perspectivas são ruins para o Brasil

As eleições presidenciais da Argentina acontecerão no próximo domingo (27), porém, a incerteza política, econômica e social assola o país vizinho. O pleito está sendo disputado pelo presidente liberal Mauricio Macri contra Alberto Fernández, apoiado por peronistas de centro e de esquerda e que conta na chapa com a vice, Cristina Kirchner.
Para o especialista em macroeconomia, Arthur Igreja, professor da FGV, no curto prazo, nenhuma das duas opções é boa. Para ele, se Macri ganhar, vai ter que levar para frente o plano de austeridade, já que tem uma linha mais conservadora. “Com isso, o cenário desenhado é de uma piora considerável para, em seguida, se obter uma possível melhora”, explica.
Conforme Igreja, já se o lado Kirchner sair vitorioso, a situação é ainda mais grave, pois Alberto Fernández e Cristina Kirchner devem ir para uma alternativa mais populista e extremista, com uma ânsia de aliviar as situações rapidamente e, com isso, os problemas não serão solucionados, entre eles, a hiperinflação e a falta de reserva de dólares.

Dados do Ministério da Economia do Brasil apontam que a situação argentina tem prejudicado a balança comercial entre os dois países, principalmente, em razão da Argentina ser um dos principais parceiros comerciais do Brasil, com destaque para 70% das exportações de automóveis que vão para o país vizinho.
“A Argentina está estrangulada em quase todas as variáveis. As ferramentas para uma recuperação econômica foram esgotadas e o cenário é muito mais complicado do que se imagina. Porém, com Kirchner a situação se agrava ainda mais. E se a chapa apoiada pelos peronistas vencer, o país amargará uma sofrível paralisação dos investimentos externos, caminhando para ser uma economia venezuelana”, afirma.
No médio e no longo prazo, Macri é a melhor opção para o Brasil, reflexo do apoio do governo Bolsonaro, segundo o especialista, mas no imediatismo ambos os cenários são ruins como parceiros de negócios. “Enfrentaremos dificuldades e instabilidade nos recebimentos e teremos insegurança jurídica. A Argentina passará por um longo inverno até encontrar o caminho certo”, finaliza.








