Trabalho home office: como agir legalmente diante de uma crise

Trabalho home office: como agir legalmente diante de uma crise

Com o intuito de prevenir a disseminação do Coronavírus, diversas empresas em todo o mundo estão adotando o modelo de trabalho home office. Porém, o trabalho remoto necessita de atenção especial por parte das empresas, pois pode trazer uma série de riscos para os negócios que não seguirem as leis trabalhistas e também para os colaboradores que não possuem condutas  adequadas de segurança.

O advogado trabalhista, Rafael Amaral Borba, do escritório BPH Advogados, de Blumenau (SC), explica que, embora o artigo 75-C da CLT estabeleça que o trabalho remoto deve ser acordado em consentimento entre o empregado e a empresa por meio de contrato, em uma situação de emergência, como no caso da pandemia de Coronavírus, a realização de trabalho home office pode ser imposta de maneira unilateral pelo empregador. Ou seja,  a empresa possui o dever de zelar pelo ambiente de trabalho seguro e pela saúde e segurança dos seus empregados, respeitando sempre, é claro, os limites impostos pela regras e normas legais e contratuais.

Regras claras

Borba ainda destaca que a empresa deve criar regras claras para os colaboradores, definindo, inclusive, os horários que o empregado deverá estar efetivamente trabalhando e a forma de controle desses horários.

“Embora a lei estabeleça que os trabalhadores na modalidade home office não estão inclusos pelas regras que tratam da duração da jornada de trabalho, não estando sujeito, portanto, a controle de jornada, na adoção do regime de home office temporário para situações de emergência, a regra geral deve ser a manutenção do controle de jornada também nessa modalidade. Apenas  em casos concretos e específicos em que se verifique a impossibilidade de manutenção do controle de jornada, é que o empregador poderá, em comum acordo com o empregado, estabelecer que serão aplicáveis as regras da ausência de controle de jornada, obedecidas as formalidades estabelecidas no artigo 75-C da CLT, em especial no que se refere a formalização do competente aditivo contratual”, ressalta.

Além de questões trabalhistas que demandam atenção redobrada no modelo de trabalho remoto, há diversos riscos de violação de dados sigilosos por parte dos colaboradores. Os principais riscos de vazamento de dados ao trabalhar em casa são o uso de uma rede de dados não segura que, pode capturar os dados ou senhas de acesso e o uso de dispositivos não corporativos.

“É recomendado que o empregado evite utilizar redes públicas ou compartilhadas quando estiver longe da sede da empresa. Redes Wi-Fi abertas, que não exigem senhas, são normalmente utilizadas por criminosos digitais para capturar dados e senhas de acesso”, explica Rafael Borba.

O advogado destaca que é importante  a consciência de que a responsabilidade pela segurança dos dados da empresa e o fornecimento dos mecanismos de proteção é da empresa e não do empregado. “Nesse sentido, a empresa que adotar o sistema de trabalho home office deve, do mesmo modo, adotar medidas preventivas de proteção, fornecendo, inclusive, treinamentos técnicos e de conscientização aos funcionários, a fim de evitar possíveis vazamentos”, orienta.

Para finalizar, o especialista observa que cada empresa possui uma realidade diferente e que, antes de adotar o regime home office, o empregador deve conhecer, discutir e ter ciência de eventuais riscos para, a partir de então,  decidir a melhor forma de implementar medidas de proteção, mitigando os riscos de um processo trabalhista.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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