Custo da exclusão LGBTI+ no trabalho daria para financiar políticas públicas estruturais no Brasil

Custo da exclusão LGBTI+ no trabalho daria para financiar políticas públicas estruturais no Brasil
Ricardo Sales.

R$ 94,4 bilhões desperdiçados por ano poderiam garantir transporte público gratuito, multiplicar refeições escolares e ampliar programas sociais

A exclusão de pessoas LGBTI+ do mercado de trabalho gera um impacto econômico tão significativo que poderia financiar, anualmente, programas públicos essenciais em escala nacional. É o que mostra um dos maiores estudos sobre relação entre desenvolvimento econômico e cidadania LGBTI+: “O Custo Econômico da Exclusão Baseada em Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Gênero e Características Sexuais no Mercado de Trabalho Brasileiro”, coordenado pelo Banco Mundial, com execução do Instituto Matizes em parceria com o Instituto +Diversidade, e apoio de um Consórcio de Organizações e redes LGBTI.

O estudo aponta que o Brasil perde, anualmente, cerca de R$94,4 bilhões devido à exclusão de pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho. Além da perda na produtividade e no PIB, o Estado brasileiro deixa de arrecadar aproximadamente R$14,6 bilhões em impostos todos os anos, recursos que poderiam ser reinvestidos em áreas como saúde e educação. Para dimensionar o impacto desse valor, ele equivale a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e supera amplamente diversas políticas públicas estratégicas.

Se esse montante de R$ 94,4, bilhões fosse direcionado à inclusão produtiva e ao desenvolvimento social, seria possível:

  • Multiplicar o alcance da alimentação escolar brasileira: o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que hoje investe aproximadamente R$ 6,7 bilhões por ano para garantir cerca de 50 milhões de refeições diárias, poderia ser expandido de forma exponencial. Com R$ 94,4 bilhões, seria possível viabilizar o equivalente a 704 milhões de refeições por dia, ampliando o impacto nutricional e educacional para crianças e jovens em todo o país.
  • Garantir transporte público gratuito em larga escala à população brasileira: o investimento estimado para viabilizar a gratuidade do transporte coletivo em cidades com mais de 50 mil habitantes gira em torno de R$ 76 bilhões. O valor perdido com a exclusão LGBTI+ seria suficiente para cobrir integralmente essa política em todo o país.
  • Ampliar programas sociais do Brasil: os R$ 94,4 bilhões correspondem a 59,5% do orçamento do Bolsa Família em 2026, estimado em cerca de R$ 158 bilhões, o principal programa de transferência de renda do país.
  • Superar amplamente investimentos institucionais: o valor é quase quatro vezes o orçamento do Ministério da Justiça. Também é significativamente superior ao orçamento do programa Gás para Todos, que contará com cerca de R$ 4,7 bilhões em 2026. E contrasta com o orçamento do Ministério da Igualdade Racial, da ordem de R$ 203,4 milhões.

Uma questão econômica e não apenas social

Além das comparações orçamentárias, o estudo evidencia que a exclusão no mercado de trabalho não é resultado de escolhas individuais, mas de barreiras estruturais que limitam o acesso da população LGBTI+ a empregos de qualidade.

A pesquisa também mostra impactos diretos na produtividade e na arrecadação pública, incluindo a perda anual de bilhões em impostos que poderiam ser reinvestidos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

“O Brasil já dispõe de evidências suficientes para compreender que a inclusão não é apenas uma agenda de direitos, mas uma estratégia econômica inteligente. Ao manter barreiras que limitam a participação produtiva da população LGBTI+, o país reduz seu potencial de crescimento e desperdiça recursos que poderiam ser revertidos em políticas públicas estruturantes”, afirma o fundador da Mais Diversidade e presidente do Instituto Mais Diversidade, Ricardo Sales.

Estudo

O levantamento é o primeiro no Brasil a mensurar os impactos econômicos e fiscais da LGBTfobia, com base em dados coletados com mais de 11 mil pessoas em todo o território nacional.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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