Contratos de educação: o que levar em conta na redução de mensalidades

Contratos de educação: o que levar em conta na redução de mensalidades

Com a pandemia da Covid-19, muito se tem questionado no âmbito do ensino privado, quanto à possibilidade de revisão e redução das mensalidades em decorrência da impossibilidade da prestação dos serviços de maneira presencial. Diante desse quadro, que fatores devem ser levados em consideração para a revisão dos contratos de educação?

A redução das mensalidades nos contratos de prestação de serviços educacionais, enquadrados como contratos de consumo, depende de que os fatos ocorridos após a contratação alterem de maneira objetiva as bases nas quais as partes contrataram, de modo a tornarem as prestações excessivamente onerosas ao consumidor.

Por conta da pandemia, a prestação do serviço de maneira presencial se Ana-Claudia-Pereira-Silva-Lechakoski.jpgtornou impossível, o que levou as instituições de ensino a darem sequência ao ano letivo de maneira diversa do que foi contratado. Mas isso, por si só, não implica o desequilíbrio do contrato. Não se pode falar em descumprimento voluntário das obrigações pela instituição de ensino e, depois, porque para que se constate a existência de extrema vantagem para uma das partes e a consequente necessidade de modificação das cláusulas do contrato, alguns pontos devem ser observados.

O primeiro ponto é que se a instituição está dando sequência ao programa escolar e ao ano letivo por meio do ensino à distância, ou se ela se propõe a repor as aulas em outro momento, não há por que pleitear a revisão ou rescisão do contrato.

Em segundo lugar, deve ser feita uma análise quanto ao que foi contratado pelas partes. Se há a previsão de atividades extra classe que não podem ser realizadas à distância ou que não podem ser repostas, é razoável que haja um reequilíbrio do contrato, já que o aluno não poderá usufruir plenamente das atividades contratadas.

Por fim, é preciso levar em conta as alterações nos custos inerentes aoKaren-Chuchene.jpg serviço prestado. Sabe-se que, por parte das instituições de ensino, houve a redução de certas despesas variáveis, tais como alimentação e consumo de energia, e aumento de outras, como investimento em tecnologia e aparato a professores, reformulação do método de ensino, preparação de material didático, gravação de aulas etc. Some-se a isso, o fato de que as instituições precisam promover diversas adaptações para o retorno das aulas, em especial quanto ao espaço físico. Portanto, não se pode concluir, sem a devida demonstração financeira, pela redução do valor das mensalidades. É preciso fazer uma análise detalhada dos custos envolvidos em cada caso.

Alguns pleitos pela redução do valor das mensalidades chegaram ao Judiciário, que tem decidido pela manutenção da prestação contratada, em especial quando (i) a instituição de ensino se propõe a repor as aulas no momento em que isso seja possível; (ii) a instituição implementa regime de aulas virtuais; ou (iii) não se demonstra, por parte dos responsáveis financeiros, redução na capacidade de pagamento.

Ainda, há projetos de lei em andamento que pretendem uma redução compulsória das mensalidades das instituições de ensino da rede privada em um percentual pré-fixado. Não se acredita, contudo, que esta seja a melhor solução. Não se pode ignorar o fato de que cada caso possui as suas próprias peculiaridades e a tentativa do Estado de oferecer um remédio único pode levar a inadequações e injustiças.

Acredita-se que a negociação justa e objetiva entre as partes seja o melhor caminho para a solução dos impasses que se apresentam. Tal medida pode permitir uma relação duradoura entre partes, evitando-se os desgastes que as disputas judiciais ou em órgãos de proteção podem trazer.

Artigo escrito por Ana Cláudia Pereira Silva Lechakoski e Karen Mansur Chuchene, advogadas no departamento Corporativo do Marins Bertoldi Advogados.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *