Empresário proativo tem mais chance de superar crise

Empresário proativo tem mais chance de superar crise

Com a flexibilização da quarentena em alguns estados e a reabertura de atividades econômicas, os empresários e comerciantes devem adotar medidas sanitárias rígidas para proteger clientes e funcionários. Uso de máscaras, aplicação de testes e reestruturação de espaços para evitar aglomerações são alguns exemplos.

Mas ter uma postura proativa nesse momento é tão importante quanto todos esses cuidados para que a recuperação dos negócios seja realmente efetiva. De acordo com Alessandro Azzoni, advogado, economista e professor de Direito na Universidade Nove de Julho (Uninove), a reabertura é necessária pela dificuldade de uma empresa se manter ativa por mais de 60 dias com as portas fechadas, mas deve ser feita com cuidado e planejamento.

“Seguir as regras determinadas pelos governos, como uso de máscaras, atendimento limitado de pessoas, distanciamento pessoal e escalas de equipes para evitar aglomerações, mesmo com o custo que isso acarreta, é importantíssimo para que a empresa não tenha um problema mais grave ainda, que é o afastamento dos funcionários e contaminação de clientes”, destaca  Azzoni.

Para ele, o tempo de recuperação de cada empresa dependerá da situação dela antes e durante a pandemia. “As empresas já vinham sofrendo com os processos recessivos. Em 2015 houve uma queda de 3,8% do PIB; em 2016 a baixa foi de 3,3%, com retomadas em 2017, 2018 e 2019 (avanços de 1%, 1,1% e 1,1% respectivamente) e agora, que o cenário ensaiava sair de um quadro recessivo, veio essa crise pandêmica, mas muitas delas já estavam em endividamento com financiamentos e empréstimos”, explica.

A abertura da economia será gradual, segundo ele, porque as pessoas não sairão gastando impulsivamente, já que têm preferido guardar dinheiro por ora. “Em março houve um superávit de R$ 30 bilhões, mostrando que a população está querendo formar um colchão de liquidez para uma crise ou para emergências, mas todo faturamento registrado nessa retomada ajuda na economia”, pondera.

Já as empresas que tiveram seu faturamento alterado durante a pandemia, mas se mantiveram atentas às necessidades de seu público, têm mais chance de se recuperar da crise econômica. “Elas terão baixa no fluxo alterado, mas podem sobreviver. O tempo de recuperação vai depender do comportamento do consumidor e da própria empresa. Primeiro porque o consumidor agora está mais consciente pelo fato de não ter saído tanto às compras. Com e-commerce, as pessoas tendem a pensar um pouco mais, é bem diferente daquela compra por impulso em uma loja de rua ou no shopping”, destaca Azzoni.

Nesse modelo de relação, analisa o economista, uma parcela baixa de comerciantes se preocupava com a fidelização do seu cliente, porque havia esse movimento natural de pessoas no mercado. Durante a pandemia, mesmo com dificuldades, as empresas que se conectaram com o cliente saíram na frente porque conseguiram atender as necessidades dessas pessoas. “Se um empresário nunca fidelizou, não abriu um canal conversação e agora espera o cliente voltar, pode ser que isso não aconteça porque a mentalidade mudou e outros fizeram essa aproximação. Agora é muito importante lembrar-se do cliente, começar a fazer contato e recuperar sua base”, ensina.

Ainda no quesito recuperação, outro aspecto que demanda atitude é a renegociação de pagamentos para manter o caixa ativo. Isso deve ser feito com transparência e planejamento, aconselha Alessandro Azzoni. “Não há dados exatos sobre como a crise pandêmica impactará a economia, mas medidas protetivas foram adotadas, como impedimento de negativação de empresas e de pessoas por 90 dias e proibição de despejos, por exemplo”. Com a volta do controle de crédito, será possível ter uma noção melhor do cenário, mas muitos comércios entrarão com pedido de recuperação judicial, chegando ao fechamento ou decretação de falência. “As empresas que sempre conseguiram honrar seus pagamentos, que não recorreram a empréstimos bancários e sempre usaram recursos próprios terão uma margem bancária melhor”, avalia o economista.

Mas isso não significa que as demais não possam conseguir. “O que elas devem fazer é ser transparentes. Os credores sabem de toda a dificuldade do momento. Omitir-se ou se tornar indisponível pode parecer má-fé. Portanto, é hora de ligar para o credor, seja ele banco, fornecedor ou locador de espaço, e explicar que perdeu faturamento, pedir prazo, dar estimativas e informar sua situação”, ensina Azzoni.

“Ao fazer um planejamento mostrando ao credor a sua forma de sair da situação, como se fosse uma recuperação extrajudicial, o empresário deixa o credor mais tranquilo com sua honestidade e ganha tempo”. O mecanismo da renegociação, segundo ele, movimenta bilhões no país e é atrativo: no final de 2019, o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) realizaram uma ação de negociações em massa que resultou 60% a mais em acordos de renegociação e movimentou R$ 4,5 bilhões, mesmo com descontos de 65% em dívidas a serem pagas em até 58 parcelas.

As previsões são de que somente em 2022 o país tenha um cenário um pouco mais positivo, para o comércio e para outras áreas. “Este é um ano de sobrevivência econômica. As empresas que conseguirem se adaptar mantendo-se produtivas saem de 2020 com grande aprendizado, com nova fatia de mercado e nova estruturação”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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