Reforma tributária trará aumento de custos contábeis e de gestão tributária

Reforma tributária trará aumento de custos contábeis e de gestão tributária

A Proposta de Reforma Tributária do Governo que unifica os impostos federais PIS e Cofins na nova CBS (Contribuição sobre operações com Bens e Serviços) aumentará ainda mais a burocracia no momento de gerir os tributos, onerando as empresas que tenderão a embutir estes custos em seus produtos ou serviços ou a perderem margens e lucratividade, já afetada pela própria pandemia.

A avaliação foi feita pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) em Live intermediada pelo consultor tributarista e CEO da ROIT Consultoria e Contabilidade, Lucas Ribeiro.

Segundo o parlamentar, o projeto de lei tem grandes chances de ser aprovado rapidamente devido a força política que o envolve, mas está longe de ser a melhor proposta para o Brasil.

A PEC estabelece a CBS de forma não cumulativa para todas as empresas, exceto as do Simples Nacional, com alíquota de 12% de crédito nas aquisições e 12% de débitos nas saídas, sobre a receita bruta, em substituição ao PIS e a COFINS.

Produtos e serviços ficarão mais caros

Para o Deputado Federal, o fato da CBS estabelecer uma dinâmica peculiar de créditos tributários nas entradas (aquisições) e de débitos nas saídas (vendas) encarecerá os preços de produtos e serviços para o consumidor final. Isso porque, na prática, o empresário terá que arcar com estes custos durante toda a cadeia produtiva e esperar que a Receita Federal devolva os créditos gerados neste processo.

Isso sem contar que a alíquota da CBS será de 12%, um aumento significativo da carga tributária para muitas empresas que antes tinham alíquotas totais de PIS e Cofins de 3,65%, em regime cumulativo, sem créditos.

Além disso, o empresário também gastará mais com honorários contábeis para gerir todos estes tributos e este custo adicional certamente será repassado para o consumidor ou consumirá a lucratividade de muitas empresas.

Gastos com contabilidade e gestão tributária

De acordo com um levantamento realizado pela ROIT, calcula-se que os empresários poderão gastar cerca de R$ 400 bilhões a mais, por ano, do que gastam atualmente com serviços de contabilidade e gestão tributária para se adequarem ao que pretende ser a nova realidade tributária brasileira, para poderem, obviamente, terem economias e viabilidade tributária no Lucro Real. E a conta é simples, são cerca de 3,4 milhões de empresas em Lucro Presumido, que passarão a gastar R$ 9 a R$ 10 mil reais a mais por mês, 13 parcelas ao ano, e assim temos cerca de R$ 400 bilhões de custos ao ano.

“Essas empresas em Lucro Presumido atualmente terão que controlar todas as entradas e saídas, coisa que não fazem atualmente, com todo o rigor necessário. Por isso, serão forçadas a contratar mais pessoas ou contabilidades especializadas para esta gestão. Além da carga tributária se inviabilizar no Lucro Presumido, reduzindo margens e lucratividade que justificarão um investimento maior em honorários, para reduzirem a carga tributária ou, ao menos, garantirem a mesma carga tributária atual, antes da reforma”, explicou Lucas Ribeiro.

Mas o cenário, ainda assim, não é dos melhores. Os profissionais e contabilidades não estão preparados para realizar este controle, podendo errar e causar prejuízos às empresas. “Para acompanhar a mudança, eles terão que investir em qualificação e automatização, outro gasto não previsto”, concluiu Ribeiro.

Simples Nacional fica menos vantajoso

O evento online também debateu a situação do regime do Simples Nacional, que se tornará menos viável ao longo do tempo caso a CBS seja aprovada. Isso porque as empresas enquadradas neste regime, ao comercializarem seus produtos e serviços, só gerarão créditos de CBS sobre o valor efetivamente pago, bem inferior aos 12%.

Por exemplo: Se uma empresa for comprar de outra empresa, em um cenário de preços iguais, ela certamente optará por empresas de outros regimes fora o Simples, que gerarão créditos na entrada para ela a 12%. Isso porque será preciso diminuir o efeito do crédito na saída. Sendo assim, a tendência é que o Simples seja naturalmente desincentivado.

Proposta de emenda constitucional 07/2020

O parlamentar defendeu a desoneração completa da cadeia produtiva do Brasil, nos moldes do sistema tributário norte-americano. Para ele, isso tornaria o país mais eficiente, não só sob a ótica tributária, mas principalmente sobre o aspecto burocrático.

Seriam estabelecidas apenas três classes de impostos (sobre renda, consumo e propriedade), que poderiam ser cobrados, ao mesmo tempo, por União, Estados, Distrito Federal e Municípios, mas apenas dos consumidores finais, levando a zero a tributação existente entre empresas. “O objetivo principal é fortalecer a classe média brasileira, estimulando o consumo e atraindo assim investidores externos”, completou Bragança.

O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança é autor da PEC 07/20, que está sob avaliação da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Uma PEC transformadora e revolucionária para o Brasil, segundo Lucas Ribeiro.

A Live “Transformação do PIS/COFINS em CBS”  está disponível em: https://youtu.be/TgE-skcH5QA

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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