Cresce participação das mulheres no mercado de TI

Cresce participação das mulheres no mercado de TI

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, representa a luta feminina pela igualdade entre os gêneros. Apesar de muitas desigualdades ainda perdurarem entre homens e mulheres em diversas esferas, principalmente, no mercado de trabalho, algumas áreas caminham para uma maior equidade entre os gêneros, como acontece na área de Tecnologia da Informação (TI). Pesquisas apontam que as mulheres começam a conquistar um espaço cada vez maior em um setor amplamente dominado pelos homens.

E esse crescimento começa com o aumento do interesse delas por capacitação dentro das carreiras digitais. Um levantamento da Digital House, escola de habilidades digitais com presença em todo o País por meio de seus cursos online, mostra que em 2018 as mulheres representavam 18% dos alunos da escola. Em 2020, o número chegou a 26%, mostrando um aumento de 34% no interesse delas pelos cursos oferecidos nas áreas de Programação, UX, Marketing Digital, Dados e Negócios. Em 2021, as mulheres já representam 36% das matrículas realizadas, de acordo com um estudo preliminar realizado pela escola nos dois primeiros meses de 2021. “As mulheres têm descoberto que as carreiras tecnológicas são acessíveis a todos e têm se mobilizado no sentido de garantir seu espaço em uma área em que a oferta de vagas ainda é muito maior do que o número de profissionais qualificados para ocupá-las”, comenta Hugo Rosso, diretor de operações acadêmicas da Digital House.

A consequência desse aumento de interesse delas pelas carreiras de TI, claro, também mostra reflexo no mercado de trabalho. Um levantamento feito pela Revelo, empresa de tecnologia para a área de recursos humanos, mostra aumento na contração de mulheres em carreiras de TI. Em 2017, as mulheres ocupavam 10,9% das vagas na área. Já em 2020, o número subiu para 12%. Outro estudo, “Women in the Workplace 2019”, realizado pela McKinsey, confirma a tendência de crescimento. De acordo com o levantamento, a representação de mulheres no setor cresceu 24%, nos últimos 5 anos. 

A desenvolvedora Paula Guedes, que começou a trabalhar na área há cerca de seis meses, acredita que esse aumento da presença feminina nas carreiras digitais também se deve a um movimento que tem partido das empresas no sentido de promover maior equilíbrio entre homens e mulheres na área. “Muitas empresas estão buscando mulheres nessa área. Eu, por exemplo, fiquei sabendo da vaga em que estou hoje quando o CEO fez um post no LinkedIn chamando as mulheres desenvolvedoras para se inscreverem para as vagas. Eu havia terminado meu curso de programação em julho e, em setembro, fui aprovada no processo seletivo da empresa”, comemora. 

Paula tem toda a razão quanto ao aumento de interesse em contratar mulheres por parte das empresas. Outro dado apontado no levantamento da Revelo mostrou que o percentual de convites para entrevistas destinadas a candidatas mulheres apresentou crescimento: entre 2017 e 2019, o volume passou de 12% para 17%. “Apesar do pouco tempo que tenho de atuação, já consigo perceber que a nossa participação na área de tecnologia está aumentando, principalmente, por conta do incentivo e esforços de algumas organizações que têm esse objetivo”. 

A área da tecnologia, há algum tempo, está entre as que mais têm crescido. Novas vagas surgem a todo o momento e as pesquisas mostram que, nos próximos anos, haverá uma defasagem em relação à oferta de vagas e a mão de obra disponível. Um estudo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação revela que, até 2024, a busca por profissionais com habilidades digitais chegará a 70 mil pessoas por ano no Brasil, mas o número de formados será de 46 mil no mesmo período. Mesmo com a pandemia, a área continuou aquecida e teve um crescimento de 25% na contratação, também de acordo com a Revelo. 

Para a desenvolvedora e professora do curso de Desenvolvimento Web Full Stack da Digital House Natália Lira, todos esses dados incentivam mais mulheres a seguir carreira em TI. “O mercado de TI está em expansão e uma grande dificuldade é preencher as vagas ofertadas. As empresas precisam de profissionais capacitados. Acredito que a participação feminina acaba incentivando outras mulheres a tentarem também, a perceber que há espaço para elas e que elas podem construir uma carreira incrível”, diz.

Natália, que descobriu a sua habilidade para programação meio que por acaso, acredita que o interesse pelas carreiras digitais, especialmente por parte das mulheres, aumentaria muito se as pessoas tivessem mais acesso à informação sobre as possibilidades da área. “A área de TI como um todo é um mistério para muitas pessoas. Apesar de toda inovação e descobertas, muitas pessoas não possuem o conhecimento de quais carreiras podem seguir. Muitos não sabem, por exemplo, o que um desenvolvedor faz no seu dia a dia. Como que esse alguém vai um dia acordar e pensar ‘Acho que quero fazer um curso de programação’? Acredito que tudo começa com o acesso à informação”, conclui a professora da Digital House. 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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