Especialista explica como evitar crises de imagem

Especialista explica como evitar crises de imagem

A internet potencializou as crises de imagem e reputação de empresas, marcas e figuras públicas. De uma hora para outra, pessoas e carreiras são canceladas, e um mocinho pode facilmente virar vilão. Na opinião da coordenadora do curso de Relações Públicas da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Paula Barros (foto), as crises de reputação sempre existiram, mas hoje repercutem mais e podem causar mais estragos. Hoje, temos uma sociedade mais atenta e preocupada com questões que possam ruir a imagem de uma empresa.

“A internet e a exposição que ela proporciona trouxe duas novas realidades: a primeira é que pessoas e marcas que antes se blindavam no off-line, ou não entendiam a importância da imagem, perceberam que é preciso estar atento a isso. Outra questão é que a internet impulsiona de forma descontrolada informações e, nesse sentido, isso também pode acontecer com uma notícia negativa sobre uma marca ou pessoa”.

Cultura do cancelamento

A especialista diz que a imagem e a reputação são construídas ao longo do tempo e em cima de atributos muito fortes. No geral, organizações e pessoas públicas que fazem a gestão desses conceitos de forma planejada dificilmente serão “canceladas”, pois a história, a confiança e a credibilidade sustentam no momento de crise.

“Imagens que são perdidas ‘num piscar de olhos’ são normalmente de produtos, pessoas ou organizações que não têm cultura de investimento em comunicação corporativa e relações públicas. Já são, dessa forma, efêmeras e, por esse motivo, mais propensas a sentirem os efeitos da exposição negativa.

Tipos de crise

A professora diz que dois tipos de crise, de posicionamento (envolvendo temas como preconceito, racismo, homofobia, etc.) e de imagem (crimes ambientais, corrupção, escândalos éticos) devem ser evitadas.

“Toda organização que passa por uma crise precisa analisar quais perdas (atributos tangíveis e intangíveis) teve. Para evitar crises de posicionamento é preciso que as empresas se abram para os assuntos que a opinião pública tem pautado e discutido. É preciso que esses assuntos entrem no cotidiano da organização, esclarecendo sobre qual é o posicionamento da empresa. O segundo tipo de crise, de imagem, é possível evitar com estratégias de prevenção, inserindo a gestão e a comunicação de risco, para evitar exposição a situações e notícias potencialmente negativas”.

Gestão de crise

Em muitos casos, “o cancelamento” pode perder força, a depender do contra-argumento usado na operação para reverter os danos.

“As organizações precisam lidar com esses riscos de forma séria, investir em gestão de risco é bem melhor do que em gestão de crise”.

Posicionamento político

A “divisão” política que o Brasil vive também influencia como as empresas e pessoas públicas se posicionam. Contudo, em muitos casos, Paula não recomenda o posicionamento político.

“É preciso, antes de qualquer posicionamento, conhecer seus públicos e verificar se esse posicionamento não traz risco à imagem. No entanto, sou a favor das empresas se posicionarem sobre causas e temas sociais. A comunicação de propósito é uma tendência muito forte: os públicos querem se conectar com pessoas e organizações que façam sentido para eles; ser isento em questões como essa enfraquece os laços”.

Investir em prevenção

Paula finaliza dizendo que o Brasil vive uma cultura do improviso muito forte. É preciso investir em prevenção e gestão de risco: é um investimento alto, mas bem menor se comparado ao que pode ser gasto no auge da gestão de uma crise.

“Recomendo que as empresas e figuras públicas procurem um serviço profissional e sério de comunicação corporativa e relações públicas. Esses profissionais são preparados para ajudar a gerenciar a comunicação nesses momentos e evitar que as perdas sejam ainda maiores. Nunca mintam, sejam transparentes e rápidos na resposta, não menosprezem um público ou uma notícia negativa. A gestão de crise, infelizmente, não tem uma receita de bolo. Cada caso tem que ser avaliado e planejado para que a comunicação consiga levar a informação oficial e reconstruir a imagem abalada”, diz.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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