Encontro traça perspectivas para engajamento e retenção de talentos nas empresas em 2022

Representantes de gestão de pessoas e recursos humanos, além de executivos c-level das principais empresas do Sul do Brasil, se reuniram nesta terça-feira (22), durante o primeiro evento do ano do Programa WTC de Competitividade, iniciativa do World Trade Center (WTC) Curitiba, Joinville e Porto Alegre. No evento conduzido pelo Grupo de Pessoas e Culturas (PCG – do inglês People and Culture Grup), debateu-se a Employee Experience (EX), ou experiência do colaborador, como estratégia para engajar e reter talentos nas empresas. Na abertura, também houve a apresentação de relatório inédito sobre o Panorama da Experiência do Colaborador.
Realizado em formato híbrido no Distrito Spark, em Curitiba, o PCG reuniu os especialistas Ana Julia Novaes, gerente de employee experience da Natura na América Latina; o engenheiro mexicano Leopoldo Hernandez Paniagua, autor do livro “Experiência do Colaborador”, que já atuou em empresas como a Coca Cola Femsa; e Fred Lacerda, representante da Pin People, empresa especializada em gerenciamento de experiências.
De acordo com Fred Lacerda, que apresentou dados inéditos do Relatório Anual 2021-22 da Pin People, sobre o Panorama da Experiência do Colaborador, existem duas perspectivas diferentes em relação ao que é a experiência ideal do colaborador: a dos próprios colaboradores e a da organização. “Quanto maior a intersecção entre essas perspectivas, melhor o design de EX.”
Entre os ‘spoilers’ divulgados por ele, o chamado eNPS médio (Employee Net Promoter Score, métrica para medir o grau de satisfação dos funcionários) caiu 22 pontos percentuais em 2021; as colaboradoras femininas (78,8%) apresentam mais desafios com saúde mental que os colaboradores masculinos (69,1%); e os problemas com liderança deixaram de ser os piores aspectos da experiência, em detrimento da remuneração, em especial no 2º semestre de 2021. A pesquisa, conforme o especialista, ouviu 195 mil colaboradores, com mais 3,8 milhões de questões respondidas.
Funcionários participativos e felizes, empresas rentáveis
Para a gerente de employee experience da Natura na América Latina, Ana Julia Novaes, o desempenho de uma empresa e a qualidade do produto ou serviço oferecido são diretamente afetados pela felicidade dos colaboradores. “Na Natura, costumamos dizer que antes de salvar o mundo, é preciso ouvir as pessoas que nos rodeiam, que trabalham conosco e que podem nos oferecer soluções incríveis que vão além dos recursos humanos e da gestão de pessoas. Por isso priorizamos essa cocriação em parceria com nossos colaboradores.” Segundo Julia, a employee experience gera mais engajamento e, consequentemente, mais valor para o negócio.
Algumas das ações aplicadas de EX pela Natura que a especialista apresentou foram: People first: evidenciar a cultura da empresa, priorizando o cuidado e o respeito, para lembrar quem vem primeiro; People Analytics: quantificar as escutas e informações, para tomada de decisões de impacto na vida das pessoas; MVP (mínimo produto viável) – 24 horas valem muito, é preciso coragem para começar já; e CoConnections – reforçar o valor da rede, aproximando e coordenando conexões multidisciplinares.
Ser humano em primeiro lugar
Autor do livro “Experiência do Colaborador”, o mexicano Leopoldo Hernandez Paniagua tem mais de 15 anos de expertise como executivo de RH. “Um dos maiores aprendizados que tive ao chegar no Brasil foi perceber a cultura de valorizar o ser humano em primeiro lugar, e não o CNPJ. Pessoas felizes, com bem-estar, se tornam mais engajadas e produtivas. Infelizmente isso ainda não está bem difundido. Ao abraçarmos as diferenças culturais, podemos alavancar o desenvolvimento dentro de uma empresa.”
A presidente do Grupo de Pessoas e Culturas (PCG), Silvana Pampu – sênior manager da Renault do Brasil, acredita que ainda há um caminho a ser percorrido, mas essa jornada de experiência do employee experience já está sendo assimiladas pelas empresas brasileiras. “Temos uma tendência de se apegar, mas é preciso renovar a escuta e as soluções, com os desafios que vão surgindo. No PCG, costumamos dizer que ninguém precisa ‘inventar a roda’, e sim conhecer as melhores práticas da gestão de pessoas.”








