Pesquisa aponta que 86% das empresas brasileiras não agem para impedir casos de Síndrome de Burnout

Pesquisa aponta que 86% das empresas brasileiras não agem para impedir casos de Síndrome de Burnout

Nove em cada 10 trabalhadores brasileiros apontam que a Síndrome de Burnout está diretamente relacionada a modelos de liderança que não se preocupam com a sobrecarga de tarefas de seus colaboradores, e 87% afirmam que já tiveram um líder que gerou desgaste mental ao exigir muitas demandas ao mesmo tempo. Estes e outros dados compõem a pesquisa realizada pela Mindsight (empresa de tecnologia especializada em gestão de pessoas) divulgada no mês de maio de 2022.

O levantamento, que contou com respondentes de todo o país, indicou também que, em 43% dos casos, o responsável pelo surgimento de desgaste mental no ambiente de trabalho partiu de um homem, 32% causado por mulheres e 24% afirmam que não sofreram essa situação.

A nova pesquisa foi conduzida no mês de março e contou com a participação de 2.369 pessoas (53% identificadas com o gênero feminino e 47% com o masculino) e com representantes de todos os estados e do Distrito Federal. A maior parte dos respondentes se identificou como branco (49%), seguido por pardos (35%), pretos (13,5%) e amarelos (2,5%) e pertencente à faixa etária de 30 a 39 anos (31%).

A pesquisa promovida pela Mindsight contou com a participação de especialistas de Recursos Humanos e tem como objetivo apontar as principais causas da síndrome em ambientes de trabalho de diversos setores da economia, e mostrar possíveis caminhos para que as empresas possam atuar para oferecer apoio, preservar a saúde mental de seus colaboradores e reverter o atual cenário, que já coloca o Brasil no segundo posto do ranking mundial de casos diagnosticados de Burnout.

Burnout ainda é tabu

Embora a Síndrome de Burnout conte com fatores de risco conhecidos, como estresse recorrente, sobrecarga de responsabilidades profissionais e falta de reconhecimento por parte dos gestores, ainda tem um diagnóstico complexo.

O estudo mostra que apenas 9% dos participantes já foram diagnosticados com a condição, o que esbarra na falta de ações concretas sobre o tema dentro das empresas. Exemplo disso é que oito em cada 10 respondentes apontaram que a empresa nunca realizou nenhuma ação de conscientização sobre o tema ou tem área específica para acolher colaboradores com exaustão mental.

Por se tratar de uma condição que pode emergir com sintomas diversos que vão desde exaustão, até cinismo e redução da eficácia profissional, muitos afirmam que não conhecem colegas que estejam demonstrando os primeiros sinais da síndrome. Sessenta por cento dos entrevistados afirmam não conhecer nenhum colega de trabalho que tenha sido diagnosticado com Burnout, ao passo que 87% indicam já ter sofrido sobrecarga emocional no ambiente de trabalho.

Índices de destaque apontados pela pesquisa

● 87% apontam que já sofreram/sofrem com sobrecarga de tarefas repassadas por líderes de equipe (O modelo de gestão é sustentável? Como é possível entregar resultados concretos se adoece os colaboradores?);
● 43% indicam que o desgaste mental no ambiente de trabalho partiu de um homem; 32%, de mulheres (O quanto o recorte por gênero influencia na ocorrência da síndrome no ambiente profissional?);
● 86% dos entrevistados disseram que suas empresas nunca realizaram ação voltada a cuidados e à conscientização sobre a Síndrome de Burnout (Como é possível reconhecer algo que não é comunicado ou divulgado amplamente?);
● 90% dos brasileiros acham que o afastamento médico deve ser uma medida adotada para tratamento do problema;
● Cansaço físico e mental constantes (67%), ansiedade (65%), dificuldade de concentração (51%), baixa autoestima (51%), mudança brusca de humor (45%) e irritabilidade em excesso (45%) são os sintomas mais frequentes percebidos por trabalhadores do país;
● 67% conhecem colegas que já foram afastado devido ao esgotamento profissional ou outros sintomas relacionados à Síndrome de Burnout; 71% não
sabem que o Brasil ocupa a segunda colocação no ranking mundial da doença;
● 87% acredita que a empresa deva disponibilizar acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico para os funcionários

Com um cenário bastante adverso de estresse crônico em escritórios pelo Brasil afora, como o setor de Recursos Humanos pode agir para mitigar e até mesmo reverter culturas de trabalho tóxicas adotadas em nosso país? Para Thaylan Toth, CEO da Mindsight, uma parte da resposta está na adoção de um
modelo de gestão de pessoas, no qual as tomadas de decisão de RH são feitas com base em dados.

“Nos últimos 10 anos, percebemos uma crescente de casos de Burnout no Brasil. O RH das empresas deve agir de forma inteligente e integrada aos demais setores para conseguir perceber o nível de saúde mental e de bem-estar de seus colaboradores para evitar sobrecargas. O perfil dos trabalhadores mudou muito em relação há poucos anos e as empresas precisam se adaptar a isso por meio de novas práticas que promovam ambientes
de trabalho acolhedores e saudáveis para todos”, afirma Toth.

5 dicas para reduzir o Burnout nas empresas, por Thaylan Toth

1ª – Fale sobre o tema: trazer à tona o problema é o primeiro passo. Mesmo sendo um distúrbio que pode também ser agravado por questões pessoais, a Síndrome de Burnout encontra caminho fértil para se desenvolver quando são ultrapassados os limites aceitáveis da pressão e do estresse no trabalho.

2ª – Promova diálogos com profissionais da área de psicologia: permita que os funcionários conheçam mais sobre o tema e sobre si mesmos. Por meio de formulários com possíveis causas e sinais de estafa mental, os funcionários conseguirão realizar uma autoanálise e perceber se há algum sintoma, mesmo que inicial. Esse tipo de iniciativa pode ajudar a desenvolver ações futuras que irão impactar toda a empresa.

3ª – Forme profissionais da área de RH para atuar como pontos focais: eles terão o papel de acolher pessoas com sinais de esgotamento mental, com portas abertas para o diálogo e assim poderão direcionar os funcionários para o melhor caminho de apoio, podendo incluir recomendação de afastamento remunerado do trabalho, encaminhamento a um atendimento psicológico ou psiquiátrico, e assim por diante.

4ª – Crie espaços de acolhimento: a maior parte dos trabalhadores ouvidos na pesquisa afirmou que as empresas não possuem espaços para dialogar com aqueles que se sentem pressionados. Líderes devem promover uma cultura de diálogo, que incentive o trabalhador a buscar ajuda em caso de sintomas de Burnout.

5ª – Torne o RH mais inteligente: Se você, gestor, chegou até aqui deve estar se perguntando: como vou fazer tudo isso? Ou como vou perceber quem precisa de apoio?

Infelizmente, não há resposta exata. A Mindsight trabalha para que as empresas façam uma gestão baseada em dados, índices de desempenho e outros indicadores fundamentais para tomar decisões e entender como está a saúde mental dos funcionários. Essa é a estratégia mais efetiva para lidar com o problema. Atuar com menos achismos faz toda a diferença na hora de cuidar do bem-estar e da saúde dos colaboradores, mantendo o desempenho das
equipes.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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