Inflação impacta indústria têxtil e preços no comércio disparam

Inflação impacta indústria têxtil e preços no comércio disparam

Investimentos no setor têxtil seguem congelados

O índice de inflação medido pelo IPCA aumentou 11,89%, nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas prateleiras dos supermercados, alimentos e bebidas estão mais caros, mas é nas lojas de roupas que o consumidor sente um impacto ainda maior nos preços. No topo da lista dos produtos que mais puxaram a inflação neste ano, os itens de vestuário respondem por uma das maiores altas, 10,69%.

Se por um lado o consumidor convive com um poder de compra ainda mais reduzido, por outro, a indústria têxtil, pressionada pelos custos de produção, enfrenta turbulências na gestão de caixa capazes de comprometer gravemente a saúde e a sustentabilidade dos negócios.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) projeta em seu relatório mais recente uma intensa desaceleração para o setor até o final de 2022. Segundo a entidade, o crescimento de produção deve ficar em 1,2%, frente aos 11,7% registrados no ano passado.

“Tanto nos itens de confecções mais populares quanto nas peças vendidas nas redes de fast fashion, o consumidor se depara com um aumento considerável dos preços nas etiquetas. Hoje a maior parte das roupas adultas e infantis passam dos três dígitos. Isso vem sendo sentido principalmente em lojas de confecções que antes eram mais acessíveis à grande população. Porém, a inflação vem impactando o setor como um todo, inclusive no caso das grifes”, explica Nicholas Coppi, tributarista da Coppi Advogados Associados.

Causas e consequências econômicas

De acordo com a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), há pelo menos três pontos de pressão que explicam os valores praticados atualmente nas lojas. O primeiro é o custo da cadeia produtiva, sentido principalmente a partir do segundo semestre de 2020, quando houve o fechamento do comércio na pandemia e a paralisação das indústrias têxteis.

O segundo ponto de pressão ocorre a partir do primeiro trimestre de 2021, sem a recuperação econômica esperada pelo comércio e indústria. O terceiro aspecto destaca os novos casos de Covid-19 na China e a imposição de lockdown no país, de onde vem a maior parte dos acessórios e tecidos para o mercado brasileiro.

As consequências econômicas são sentidas não apenas no varejo, mas também nos polos da indústria têxtil e de confecção no Brasil. Um desses conglomerados está localizado em Americana (SP). Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o polo concentra mais de 600 empresas.

Segundo informações do Sinditec, que representa as empresas do polo Têxtil de Americana, Santa Bárbara d’ Oeste, Nova Odessa e Sumaré, o aumento nas despesas com lenha, gás, energia e também os custos do algodão, ajudaram na disparada dos preços.

“De grande importância para o País, este centro se ressente fortemente dos impactos da inflação”, afirma. O setor têxtil é o segundo maior em número de empregos na indústria de transformação no Brasil. De acordo com dados da Abit, as empresas formais neste segmento chegam a 25,2 mil e as vagas diretas somam 1,5 milhão no país. “Por isso, quando em alta, a inflação desestimula o investimento e a ampliação da capacidade produtiva. E isso afeta, especialmente a contratação de mão de obra no setor têxtil, que é um dos que mais emprega hoje no país”, explica.

Momento de turbulência requer planejamento tributário 

Com atuação em empresas do polo têxtil de Americana (SP), Coppi destaca a importância do planejamento tributário para manter a saúde e a sustentabilidade dos negócios no atual momento. O planejamento pode ser uma alternativa para ajudar empresas e indústrias em momentos críticos como esse.

“Com o trabalho do especialista tributário é possível realizar uma análise profunda e criteriosa da documentação da empresa. Nesta tarefa se inclui a revisão tributária, que permite identificar o que pode ter sido pago a mais, com possibilidade de restituição de valores ao contribuinte. Dinheiro em caixa representa investimentos e geração de empregos”, destaca.

O advogado ressalta ainda a necessidade de uma atualização constante sobre a legislação tributária. “Muitas das mudanças legais são favoráveis ao contribuinte e não devem, de forma alguma, ser negligenciadas pela empresa”, diz. “A partir de um trabalho especializado, é possível, inclusive, rever a carga de impostos e os benefícios a que o empresário tem direito”, completa Nicholas Coppi.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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