Bolsa volta a subir e dólar termina semana em baixa

Bolsa volta a subir e dólar termina semana em baixa

A bolsa brasileira começou a semana em alta. Contudo, na última quinta-feira (23) por volta das 11 horas entrou em queda acentuada. No primeiro pregão após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir manter a taxa de juros em 13,75% ao ano, o Ibovespa fechou o pregão aos 97.926 pontos, seu menor patamar desde 18 de julho do ano passado, quando registrou 96.916 pontos. Na mínima do dia, o índice chegou a bater em 96.996 pontos. Nesta sexta-feira (24), o Ibovespa se recuperou e fechou com alta de 0,91% em 98.829 pontos

A expectativa do mercado financeiro era de que o BC sinalizasse a possibilidade de diminuir a Selic em breve, mostrando uma melhora na economia e um horizonte mais otimista. Contudo, o comunicado mostrou que essa não é uma realidade para o Brasil, o Copom adotou uma postura dura e indicou que considera inclusive um novo aumento no percentual, contrariando as expectativas.

Como se não fosse o suficiente, as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à postura do órgão fez com que o clima piorasse, acelerando o derretimento do índice. Esse cenário somado à incerteza acerca do novo arcabouço fiscal e a crise bancária internacional, gera um clima de tensão para investidores, que devem buscar apostar em mercados mais consolidados.

Na avaliação do CEO do transferbank, uma das 15 maiores corretoras de câmbio do Brasil, Luiz Felipe Bazzo, “esse não é um movimento normal que a gente costuma ver no documento, significa que o mercado já precifica uma piora, com uma maior deterioração da inflação no longo prazo. Mesmo com o Banco Central não citando esses períodos, é importante fazer a observação de que tanto o Focus quanto o comunicado do Copom levam esse cenário em consideração”.

De acordo com Bazzo, o comunicado do Copom trouxe alguns recados importantes que precisam ser considerados daqui para a frente. O primeiro ponto é que não há o que comemorar, as incertezas fiscais ainda ameaçam o país, os investidores brasileiros precisam ficar alertas quanto às próximas decisões do Banco Central e principalmente as intervenções do governo federal na economia. É necessário destacar também que houve aumento das expectativas de inflação para 2023 e 2024, ou seja, não há perspectiva de melhora ou de corte de juros para os próximos meses.

“Muitos acreditavam que os recentes acontecimentos envolvendo os bancos nos Estados Unidos e na Europa, não afetariam a economia brasileira. Erraram. Está claro que já estão afetando. A conjuntura internacional e os recentes episódios, são monitorados com atenção, corroborando para elevar as incertezas e a volatilidade dos mercados. Outra ressalva que o BC deixou clara é em relação ao cenário internacional, a persistência inflacionária e os níveis de atividade e emprego seguem elevados, pressionando a trajetória da inflação global”, observa o CEO do transferbank.

Estados Unidos

O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) decidiu elevar a taxa básica de juros do país em 0,25 p.p., para o intervalo entre 4,75% e 5%. O aumento veio de acordo com o que era esperado pelo mercado, e indica uma mudança na avaliação do Fed sobre a economia.

Foi a primeira vez, desde março de 2022, quando começou o ciclo de alta, que o Fed não mencionou que “novos aumentos serão apropriados”, refletindo a quebra do Silicon Valley Bank (SVB), do Signature Bank e do Silvergate, além dos temores com uma possível quebra do First Republic Bank. O banco central americano mencionou que “algumas políticas adicionais” podem ser necessárias, não descartando um novo aumento, mas já sinalizando um aperto monetário mais brando.

Até poucas semanas atrás, o consenso do mercado era que a alta seria de 0,5 ponto percentual, para conter a inflação americana que segue elevada. Mas após problemas no setor bancário, com a crise do Silicon Valley Bank (SVB) aumentando as discussões sobre o aperto monetário agressivo nos Estados Unidos, o mercado reduziu as expectativas de alta. Inclusive, a possibilidade de uma manutenção dos juros também chegou a ser discutida pelos investidores, mas a hipótese foi descartada, pois indicaria que o Fed estaria abalado com a turbulência bancária.

Quando perguntado sobre a influência direta que a crise dos bancos teria sobre a avaliação do comitê, Powell respondeu que o efeito de restrição de crédito vivido na economia americana poderá fazer parte do trabalho de restrição monetária e combate à inflação que estava no curso da autoridade. Para além da reunião de 3 de maio, Powell buscou reafirmar o compromisso com o controle da inflação.

Na opinião de Luiz Felipe Bazzo, o ambiente é altamente incerto e não  se deve desprezar a possibilidade que o ciclo de cortes seja iniciado ainda no quarto trimestre deste ano. Na avaliação do CEO, podemos ter uma nova alta de 0,25 ponto percentual na reunião de maio e um início do afrouxamento monetário apenas a partir de 2024.

Câmbio

O clima no mercado de câmbio não está nada bom, com investidores reagindo não apenas à decisão sobre a Selic (a taxa básica de juros), que foi mantida em 13,75%, mas também aos receios de que a relação entre o governo Lula e o Banco Central piore. O comunicado duro do Banco Central em relação ao cenário para a inflação contrariou expectativas do governo e de grande parte do mercado. Para piorar, o Banco Central do Brasil não passou indicações de quando começará o corte de juros.

As razões para o BC não esperar realizar corte no curto prazo é a inflação elevada e as expectativas de inflação aumentando, além da incerteza em relação ao novo arcabouço fiscal. Vale destacar também que a Selic em patamares altos por mais tempo, torna o Brasil mais atrativo para os investidores estrangeiros, e é natural esperar uma queda do dólar ante o real. O receio de que a relação entre governo e Banco Central deteriore ainda mais, também ajudou a posicionar a moeda norte-americana em alta ante o real.

Com o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, a tendência é que a moeda se desvalorize nos próximos dias. Uma recessão, mesmo que leve, enfraquece o dólar frente às outras moedas, afirma o CEO do transferbank.

O enfraquecimento da moeda americana nesta semana ocorreu por causa de um dos trechos do comunicado do FOMC (Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos), em que diz que “acontecimentos recentes devem resultar em condições de crédito mais restritivas para famílias e empresas e pesar na atividade econômica”. Essa fala dá a entender que a atividade nos Estados Unidos deve sofrer sim alguma recessão, algo que alguns players do mercado estavam começando a descartar

No Brasil, o cenário deve ter predominância na evolução do câmbio ao longo dos próximos dias, principalmente especulações sobre o novo arcabouço fiscal em análise e a indicação pelo governo de um novo membro para a diretoria do Banco Central.

O dólar comercial encerrou a semana cotado a R$ 5,25, com queda de 0,76%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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