Cuidado com os ataques cibernéticos envolvendo a declaração do Imposto de Renda

Cuidado com os ataques cibernéticos envolvendo a declaração do Imposto de Renda

Especialista destrincha como funcionam os quatro golpes mais recorrentes nesse período

Desde o dia 15 de março, milhões de brasileiros reúnem suas documentações para realizar a declaração anual do Imposto de Renda, que se encerra no dia 31 de maio. É um processo complexo, que dificilmente pode ser feito sem o auxílio de profissionais financeiros adequados.

Infelizmente esse é um período do ano no qual cibercriminosos também estão atentos, buscando exatamente se aproveitar de pessoas que encontram dificuldades na declaração para realizar ataques cibernéticos. “Os golpes se utilizam de ‘gatilhos’, que buscam atrair a atenção de vítimas desatentas ou com pouco conhecimento”, explica Paulo Trindade, Gerente de Inteligência de Ameaças Cibernéticas da ISH Tecnologia, referência nacional em cibersegurança. “Neste caso, a possível entrada e saída de dinheiro e o receio de um erro na declaração são as ‘iscas’, uma vez que induzem a um senso de urgência, tirando do usuário a capacidade de analisar a situação com um olhar mais crítico”.

O especialista explica que existem quatro principais formas pelas quais golpes utilizando a declaração do Imposto de Renda são aplicados, trazendo também dicas para identificar que se trata de tentativas de fraude:

Aqui, a vítima não chega a ser chamada nominalmente, mas o uso de elementos como o logo oficial da Receita Federal, e o uso de palavras como “urgente” e “risco de multa” pode induzir ao engano, ao apelar para os mencionados gatilhos mentais.
Porém, Trindade explica que mesmo uma análise mais superficial já revela alguns pontos que colocam em dúvida a veracidade do e-mail, além do erro ortográfico (“Feredal”): ainda que o nome do remetente seja “Receita Federal”, seu endereço de e-mail é uma sequência aleatória de números em um domínio comumente utilizado.
O destinatário também levanta suspeitas. O especialista explica que, nesse caso, o e-mail da vítima foi colocado em cópia oculta, junto a tantas outras, que supostamente fazem parte do grupo “contribuintes32575”. O suposto hyperlink ao fim do e-mail é na verdade o link para download de um vírus na máquina sendo utilizada.

E-mails personalizados a uma vítima específica

Um caso muito semelhante, porém, nesse caso, o e-mail foi enviado de maneira individual ao endereço da vítima, o que chama ainda mais atenção. Porém, novamente, sinais como o endereço de e-mail aleatório do remetente e os erros de português (“prezados contribuinte”) servem para ligar o alerta.
“Vale também perceber como, nestes dois casos, nenhum tipo de identificação do usuário é oferecida, como número de algum documento ou data da declaração. Visto que o endereço de e-mail do potencial vítima pode ser descoberto facilmente na web, não há nada que indique que a cobrança de fato se aplica a pessoa em questão”, explica Trindade.

 

Mensagens de texto, que podem ou não citar o nome da vítima

Agentes maliciosos utilizam linhas pré-pagas ou outros serviços para que possam disparar seus ataques por meio de mensagens, seja SMS ou aplicativos como o WhatsApp. No exemplo acima, outro fator que revela que se trata de um golpe é o domínio do link: em vez de ser “….gov.br”, é o domínio de um site malicioso, “….dominio3434.com.”

Vale mencionar também como novamente os gatilhos mentais, que buscam induzir a um senso de urgência, são utilizados.

Buscar “declaração de imposto de renda” pode resultar em sites falsos

A própria utilização de sites de busca (como o Google) à procura de auxílio para a declaração pode levar a sites maliciosos, criados por cibercriminosos para se passarem por portais oficiais. Na imagem abaixo, a ISH lista quatro dicas para identificar se o site que está sendo acessado é legítimo:

Como se proteger?

Trindade explica que, ainda que sejam golpes que envolvam nomes técnicos, como phishing, trojan e keylogger, essas técnicas maliciosas são apoiadas na capacidade de distração e gatilhos mentais trazidos pelo senso de urgência das mensagens, além da falta de informações de confiança em linguagens acessíveis disponíveis sobre o tema. “Na dúvida, mesmo que seja um processo mais demorado, a consulta deve sempre ser feita aos portais oficiais da Receita Federal.”

Explica também que o próprio aparelho por onde é feita a declaração merece cuidado. “Por diversas questões, muitas famílias compartilham computadores e até mesmo celulares com seus filhos. É comum que os mais jovens não tenham o devido cuidado ao baixar conteúdo ou acessar determinados sites. São locais que podem conter diversas ameaças que roubam senhas e informações pessoais de maneira silenciosa. É recomendado sempre utilizar um dispositivo de uso pessoal e privado para tarefas como acessar sites de banco, e especialmente a declaração do Imposto de Renda”, conclui.

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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