Fatores ligados à mente podem influenciar nas tomadas de decisão da carreira

No próximo dia 1º de maio, é comemorado, no mundo, o Dia Mundial do Trabalho. A data foi escolhida em homenagem ao esforço dos trabalhadores dos Estados Unidos, que, em 1º de maio de 1886, foram às ruas das maiores cidades do país para pedir a redução da carga horária de suas jornadas. Além da lembrança da luta e memória dos trabalhadores, perguntas relacionadas a carreiras são feitas todos os anos pelos profissionais de várias áreas, tais como “Devo ou não continuar na profissão em que estou?” “É possível fazer uma transição?” Respostas a essas perguntas são seguidas de assertivas como: “quero mudar de emprego”, “não gosto do meu chefe, por isso quero sair o quanto antes”, “estou cansado de trabalhar no lugar onde me encontro”, “minha profissão é chata”, “não tenho crescimento na empresa em que trabalho”, “estou estagnado” e por aí vai.
Nesse sentido, o tema carreiras entra na pauta de todo e qualquer trabalhador que busca realização profissional e, ao mesmo tempo, pessoal. As decisões nunca são fáceis, pois envolvem fatores como família, planejamento, sonhos e, até mesmo, localidade.
Essas decisões profissionais, no entanto, começam antes mesmo da escolha da profissão, ainda na escola. A cultura da nossa sociedade de “impor” o caminho certo a alguém faz com que muitas outras qualificações sejam deixadas de lado. O resultado é que temos jovens talentosos em determinadas áreas, mas que, com a falta de estímulo e orientação, acabam trilhando o caminho contrário ao que planejaram e sonharam, muitas vezes, tornando-se profissionais não realizados e frustrados.
Dessa forma, apesar de ser um sonho para muita gente, fazer um curso de graduação deixou de ser atrativo para uma parcela da população. Muitos universitários acabam desistindo dos cursos pelos mais variados motivos. O último Censo da Educação Superior, realizado em 2019, revelou que, entre 2010 e 2019, 59% dos estudantes do nível superior não terminaram o curso. Outros 40% conseguiram concluir a graduação. Já o 1% restante, que iniciou a graduação em 2010, ainda permanece no curso desde a época.
Orientador vocacional
Para a psicóloga Andrea Chaves, essas mudanças são naturais de jovens que estão adentrando a passagem de um nível para o outro. Mas, antes de dar qualquer passo, é importante que os estudantes procurem um orientador vocacional para que ele entenda um pouco sobre as necessidades dos alunos e as do mercado de trabalho para auxiliá-los na escolha das melhores opções.
Outro ponto abordado pela especialista é, justamente, acerca das questões relativas às decisões. Para Chaves, não existem melhores escolhas, mas sim algumas que são funcionais e outras, disfuncionais. “O que é importante, neste processo de humanização das escolhas, é entender que os indivíduos possuem processos diferentes e tempos diferentes”, pondera a profissional.
Andrea também destaca que as adaptações não ocorrem de uma hora para outra, e que fatores como mudança de local e, até mesmo, o planejamento familiar devem ser avaliados no momento da decisão. “Todo tipo de escolha que passa por este ponto deve levar em consideração os aspectos da vida de um indivíduo, a estação da vida que eles têm e, em todos eles, é importante entender as condições físicas, emocionais e sociais para se trilhar um novo caminho”, diz a psicóloga.
E como preparar a mente para o que chamamos de processos decisórios? Para a profissional, o autoconhecimento é a chave do sucesso. “Buscar entender mais a nossa estrutura psíquica, emocional, compreender que as escolhas importantes não podem ser feitas pela influência de emoções passageiras”, finaliza, pontuando também que os conselhos são bem-vindos sempre que forem necessários, e que os jovens devem entender que nada é para sempre, devendo sempre tomar decisões que podem ser revistas no decorrer da vida.








