Sustentabilidade: micro e pequenas empresas estão fazendo à sua parte

Sustentabilidade: micro e pequenas empresas estão fazendo à sua parte

Crédito da foto: Freepik

Consumidores são exigentes e cobram atitudes sustentáveis dos negócios

A sustentabilidade é um dos temas do século e as micro e pequenas empresas (MPEs) estão fazendo a sua parte. Respondendo por 95% dos empreendimentos formais no País, representando 30% do Produto Interno |Bruto (PIB) e impactando direta ou indiretamente 47% da população, os micro e pequenos negócios têm grande importância social e econômica para o desenvolvimento do Brasil. Portanto, não é possível construir uma sociedade sustentável sem a atuação direta dos micro e pequenos negócios com práticas de sustentabilidade em seus ambientes de trabalho.

Muitas empresas se definem sustentáveis, mas para que uma organização seja realmente sustentável, é preciso ser socialmente justa e ambientalmente responsável, além de ter viabilidade financeira.

De acordo com o Sebrae, para agregar valor ao negócio, as empresas podem estimular atividades ligadas à educação, cultura, lazer, preservação de recursos naturais, bem-estar e justiça social. Assim, ser sustentável é saber definir as ações e iniciativas da empresa pela ética e pelo respeito ambiental, promovendo o desenvolvimento e o fortalecimento da própria organização e de todos que se relacionam com ela.

Sustentabilidade não é só cuidar da natureza. É muito mais

Stefania Bonetti, CEO da Onda Eco, sempre conviveu com práticas sustentáveis. Foto/Divulgação.

Para a CEO da empresa curitibana Onda Eco, Stefania Bonetti, sustentabilidade não é só cuidar da natureza. Na sua opinião, já está mais do que na hora de todas as empresas saírem da inércia e darem os primeiros passos para salvar o planeta, nem que o primeiro passo comece com a simples separação do lixo.

“O consumidor está cada vez mais exigente e cobrando ações sustentáveis das empresas no momento de comprar um produto. Por isso, as companhias sustentáveis conseguem construir uma base de clientes leais, pois os consumidores preferem apoiar negócios alinhados com suas preocupações éticas e sociais”, ressalta a empresária e economista Stefania Bonetti.

A Onda Eco foi criada há quatro anos e mais do que uma marca de produtos de limpeza ecológicos, a CEO da companhia define a empresa como um movimento, que gera impacto positivo ao evitar que as pessoas poluam o planeta enquanto limpam suas casas.

Stefania Bonetti cresceu tendo o mar como sua casa. “Meus pais eram navegadores. Então, convivi sempre com práticas sustentáveis. Também ajudou muito na minha formação o fato de ter estudado fora do País, onde tive acesso a soluções que eram desconhecidas no Brasil. Meu pai era empresário e o estilo de vida sustentável da família acabou gerando um impacto positivo nos negócios”, conta a CEO da Onda Eco.

Depois de concluir o curso de Economia, na Itália, e fazer Mestrado em Madrid, Stefania retornou ao Brasil, em 2015, com o objetivo de empreender. Em outubro de 2020, criou a Onda Eco, onde investiu R$ 300 mil.

A pequena empresa com sede em Curitiba começou produzindo três produtos de limpeza. Hoje são mais de 20, dentre eles, limpa vidro, lava louças, lava roupas e tira manchas.  Há ainda uma linha exclusiva voltada à saúde e bem-estar dos bebês, composta pelo poder relaxante da camomila. Todos os itens são feitos com ingredientes à base de plantas, veganos, biodegradáveis e hipoalergênicos. “Pretendemos criar novos produtos, porque uma empresa sustentável nunca pode parar com o processo de inovação”, explica.

Segundo Stefania, os produtos Onda Eco são até 40% mais econômicos que outras marcas ecológicas. A empresária destaca que ainda há um grande preconceito de que os produtos sustentáveis são mais caros, o que não é verdade.

Outro diferencial da marca Onda Eco está nas embalagens feitas de plástico reciclado, retirado do litoral e dos oceanos. Em parceria com ONGs e cooperativas, a startup coleta o lixo e produz as embalagens a partir da resina do plástico coletado. A empresa também incentiva a economia circular. Além da reutilização, existem pontos de coleta para o retorno das embalagens.

Quando começou suas atividades, a Onda Eco tinha os vizinhos como primeiros clientes. Depois alcançou redes locais de supermercados e hoje está em São Paulo com um centro de distribuição próximo à capital paulista para acelerar as entregas do e-commerce e disponibilizar produtos para grandes varejistas. A Onda Eco vende online para todo o Brasil, e está em pontos de venda físicos no Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

Além das vendas nas redes de varejo e na loja virtual, a Onda Eco tem como clientes empresas de grande porte, restaurantes, hotéis e escolas.

“A prática ESG tem ganhado força e mais atenção das empresas. Enxergamos isso como uma oportunidade. Oferecemos uma plataforma de sustentabilidade e impacto positivo para empresas de todos os portes. Ou seja, não só oferecemos os produtos de limpeza, como também orientamos nessa comunicação com clientes e colaboradores por meio de treinamentos e na criação de valor para toda a cadeia”, informa Stefania.

Sustentabilidade e inclusão andam juntas

Amanda Prussak dá oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Foto/Divulgação

O volume de denúncias de violências contra mulheres vem crescendo a cada ano. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – recebeu somente em 2023, quase 600 mil ligações, ou o equivalente a mais de 1,5 mil  ligações diárias. Em relação a 2022, houve um aumento de 23%.

Outra grande preocupação da sociedade é o trabalho escravo envolvendo mulheres. Em 2023, o Brasil resgatou 3.151 trabalhadores em condições análogas à escravidão. O número é o maior desde 2009, quando 3.765 pessoas foram resgatadas.

Para a empresária curitibana, Amanda Prussak, a luta contra o tráfico de pessoas e a exploração sexual sempre foram suas preocupações. Por isso, ela resolveu fazer à sua parte e através do empreendedorismo mudar essa dura realidade.

É com a Dress for Freedom, marca que tem como lema “vestir a beleza para vestir a liberdade”, que Amanda tem dado oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade.  “Eu conheci essa triste realidade quando fui morar nos Estados Unidos. Depois de um ano residindo em Eugene, cidade do estado de Oregon, fui convidada pela faculdade local a fazer um desfile para ajudar uma instituição que abrigava meninas vítimas do tráfico humano. Desenhei toda a coleção, que tinha como tema ‘Pássaros do Paraíso’. Ao mesmo tempo em que o sonho de me tornar uma estilista aconteceu, também iniciei um trabalho de ajuda às meninas. Fiz três coleções nos Estados Unidos e daí criei a marca Dress for Freedom” , conta a estilista.

Em 2023, Amanda, que é formada em design de moda na FIT de Nova Iorque, voltou para o Brasil e começou a trabalhar a sua marca no atelier montado no Boqueirão, um bairro de Curitiba. No local, treinou a primeira mulher em situação de vulnerabilidade social. Hoje, essa pessoa está ensinando outras mulheres a costurar.

Amanda dedica até 20% do lucro total da marca para a Esther’s Children, organização americana que luta contra o tráfico sexual de pessoas no mundo todo e que, no Brasil, dá auxílio a mulheres carentes de diferentes idades na Favela de Vera Cruz, em Recife, por meio de programas educacionais e de capacitação profissional por meio da costura.

A empresária e estilista conta que a primeira coleção de 25 peças demorou nove meses para ser produzida. Atualmente, produz de 400 a 600 peças por coleção.

“Nosso trabalho é inclusivo. Temos que dar emprego e oportunidades para mulheres. Em todos esses anos de caminhada temos visto que a pobreza é uma das causas do tráfego humano. Hoje, através do meu empreendimento, mulheres em situação de vulnerabilidade produzem roupas para mulheres das classes A e B, que se sentem muito felizes em colaborar com esse trabalho, além de poderem vestir roupas belíssimas”, diz a proprietária da Dress for Freedom.

A empresa curitibana de pequeno porte vende suas coleções para lojas multimarcas e já começa a exportar para os Estados Unidos. Amanda Prussak destaca que a sustentabilidade e a inclusão mudaram a imagem do seu negócio.

Como implantar a agenda de sustentabilidade

As micro e pequenas empresas que querem se tornar sustentáveis devem ter suas próprias estratégias, levando em conta as suas características e atividades produtivas. Não bastam apenas procedimentos teóricos, é necessário a mudança de cultura e de hábitos. É preciso promover ações eficientes e de boas práticas, acompanhadas de tecnologia, comprometimento e recursos humanos.

Pequenas medidas podem colaborar com uma sociedade mais sustentável. Como exemplos estão o compromisso com a redução e reaproveitamento de resíduos, o uso eficiente de energia ou energia renovável, como placas fotovoltaicas para energia solar, campanhas sociais para os funcionários e a comunidade em seu entorno.

Importante destacar que a sustentabilidade é uma jornada, e para ser colocada em prática é preciso fazer uma boa análise e planejamento, com ações que caibam no orçamento. Segundo consultores do Sebrae, as micro e pequenas empresas só têm a ganhar com a decisão de produzir de forma mais sustentável. Cabe aos micros e pequenos empresários estarem atentos a essa agenda e se adaptarem à nova realidade.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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