Decisão do STJ deve impulsionar uso de stock option para remuneração de executivos

Decisão do STJ deve impulsionar uso de stock option para remuneração de executivos

Novo entendimento jurídico beneficia executivos que só pagarão IRPF sobre o ganho de capital na venda das ações

A SG Comp Partners, consultoria que desenha e implementa planos estratégicos de remuneração, acredita que a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ) sobre a forma de tributação dos planos de opção de compra de ações, as chamadas stock options, impulsionará esta modalidade de incentivo. Isto porque a resolução jurídica qualifica os planos de Stock Options como mercantis para efeitos de incidência de imposto sobre ganho de capital, no momento da liquidação das ações, ao invés de requerer o recolhimento do Imposto de Renda sobre Pessoa Física (IRPF) progressivo na fonte, no momento do exercício das opções.

“Trata-se de uma ótima notícia, porque o entendimento da corte permite o encerramento da incerteza jurídica em torno de vários casos semelhantes analisados na esfera administrativa e no judiciário. Além disso, desde a instituição da Lei de PLR, nós não tínhamos uma novidade regulatória positiva no campo tributário dos planos de incentivos para executivos e colaboradores”, afirma Paulo Saliby, sócio e fundador da SG Comp Partners.

Paulo Saliby, sócio e fundador da SG Comp Partners
Paulo Saliby.

Segundo Saliby, com maior segurança jurídica, a tendência é que as empresas ampliem, pela vantagem tributária relevante, a utilização desta modalidade de incentivos de longo prazo (ILP) em detrimento de outros tipos de plano, como ações restritas e phantom shares (esta última modalidade consiste em planos de bonificação monetária atrelada ao preço da ação da empresa).

Porém, é fundamental que sejam analisadas e consideradas no desenho dos planos as características que embasaram a decisão da corte, sobretudo quanto à existência de desembolso de dinheiro pelo beneficiário para comprar as ações (onerosidade) e risco, que diz respeito à possibilidade da variação negativa do preço da ação ocasionar retornos negativos aos beneficiários do plano.

O STJ definiu que os planos de stock options têm natureza mercantil, portanto, são tributados com IRPF sobre o ganho de capital no momento da venda das ações, pago pelo executivo. Neste caso, a alíquota é de 15% para valores de até R$ 5 milhões. Anteriormente, o fisco defendia que estes planos fossem tratados como remuneração, com a cobrança do imposto pela tabela progressiva que vai até 27,5%, incidente na folha de pagamento da empresa no momento da compra das ações — junto com outros encargos sociais. Agora a decisão do STJ será aplicada aos demais processos no Judiciário e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pois o tema foi julgado sob o rito dos recursos repetitivos.

Redução de 40%

O sócio-fundador da SG Comp Partners calcula que a adoção de stock options pode representar uma redução da ordem de 40% ou mais nas despesas contábeis das empresas em relação a outras modalidades de incentivos de longo prazo. Isto se deve ao fato de não haver mais a necessidade de formar provisões para o pagamento de IRPF na fonte e contribuições sociais.

Além do efeito contábil positivo, as companhias tendem a ter vantagens significativas em termos de geração de caixa, pois, uma companhia que viabiliza seu plano de stock options mediante a emissão de ações passa ter zero dispêndio de caixa, em função da inexistência de recolhimento de impostos e contribuições sociais, ao passo que ainda ocorrerá a entrada de recursos no caixa corporativo no momento do exercício das opções por parte dos beneficiários.

O ponto adverso é que as empresas não poderão deduzir as despesas incorridas por planos de stock options mercantis de seu LAIR (lucro antes do imposto de renda), de forma a poder pagar menos impostos sobre os lucros.

Considerando-se o efeito combinado dos impactos explicados ao longo deste artigo, é possível concluir que as vantagens são especialmente irresistíveis para as startups e scale-ups ainda não lucrativas, que, justamente pela ausência de resultado no balanço, já não podiam se beneficiar da dedutibilidade explicada no parágrafo acima. Justamente para este tipo de empresa as stock options são primordiais para a formação de uma equipe de primeira linha, por permitirem o compartilhamento de um pedaço do crescimento futuro ao invés de uma parcela do caixa presente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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