Busca por lítio e cobre aquece o mercado de terras com potencial mineral no Brasil

Busca por lítio e cobre aquece o mercado de terras com potencial mineral no Brasil

Alta concentração de reservas de minérios considerados essenciais para a transição energética sustentável coloca a América Latina no radar de grandes investimentos

Impulsionada pela demanda global por materiais para energia limpa e tecnologia, como lítio e cobre, a procura por propriedades com potencial para a produção de minério na América Latina deve apresentar um salto nos próximos meses. O continente abriga o chamado “Triângulo do Lítio”, composto por Argentina, Bolívia e Chile, que concentra cerca de 60% das reservas globais desse mineral, considerado importante para a transição energética. Países como a Índia já tem incentivado suas empresas a investirem em terras no continente sulamericano, o que pode trazer impactos positivos também para o Brasil – quinta maior reserva de lítio no mundo. Segundo a consultoria A&M Infra, o Brasil deverá crescer de 2% para 25% da produção global de lítio nos próximos anos. Em termos de investimentos, o Ministério de Minas e Energia (MME) estima que os valores aplicados na produção interna podem atingir R$15 bilhões até 2030.

“Nosso país possui uma grande quantidade de terras com aptidão para a mineração que ainda não estão sendo exploradas, e este movimento na América do Sul abre muitas possibilidades. Recentemente, iniciamos conversas como um importante grupo argentino do segmento (lítio), que nos procurou para uma parceria estratégica. Mas é importante lembrarmos que a propriedade da terra não garante, por si só, o direito à exploração mineral, sendo fundamental seguir o trâmite legal junto aos órgãos ambientais. Ainda assim, o aumento do interesse pelo setor e a chegada efetiva de investimentos apontam para um cenário promissor e de avanços significativos nos próximos anos”, afirma Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão, maior portal de anúncios de imóveis especializado exclusivamente em propriedades rurais.

De acordo com o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH) — primeira ferramenta que reúne dados de mercado das propriedades anunciadas na plataforma e calcula o valor médio das terras por localidade no país — o preço médio do hectare das propriedades com potencial para mineração, atualmente, é de R$ 11.885,40.

Carros elétricos

A ascensão dos carros elétricos é outro fator que deve impulsionar os investimentos na produção de lítio no Brasil. Um exemplo é a região conhecida como ‘Vale do Lítio’, em Minas Gerais, que se destaca por sua grande reserva desse mineral, essencial na produção de baterias para veículos da categoria e outros dispositivos eletrônicos. Documentos divulgados em fevereiro deste ano mostraram que a montadora chinesa BYD já adquiriu os direitos de exploração de lítio em 852 hectares (8,5 km²) de área no município de Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha.

Também essencial para o crescimento da energia sustentável, o cobre, por sua vez, enfrenta desafios diante da alta procura. Enquanto a Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a demanda global por cobre irá ultrapassar a casa dos 36 milhões de toneladas até 2040 (quase 40% em relação a 2024), a produção em escala mundial não acompanha o ritmo, devido a fatores como logística e licenciamento ambiental.

Em audiência pública no Senado Federal, o diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do MME, Rodrigo Cabral Cota, reforçou que “sem resolver o problema do cobre, todo resto da transição energética fica em risco”, o que dá margem para o incentivo à exploração do minério em terras brasileiras, já que, segundo ele, para eletrificar a economia global será necessário, até 2040, “extrair mais cobre do que tudo o que já foi minerado na história”. Cota entende, porém, que esse processo deve ocorrer de forma ambientalmente viável.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, atualmente existem 13 grandes projetos voltados para a produção de cobre em estados como Pará, Goiás, Mato Grosso e Bahia. No ano passado, o Brasil exportou mais de 4 bilhões de dólares em minérios de cobre, ficando atrás apenas da exportação do ferro. Atualmente, o País ocupa a 12ª posição no ranking mundial de produção, com mais de 11 milhões de toneladas em reservas de cobre conhecidas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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