Tarifaço pode forçar empresas a operar com prejuízo para manter exportações

Tarifaço pode forçar empresas a operar com prejuízo para manter exportações

Com exportações sob ameaça e margens comprimidas, empresas brasileiras enfrentam um cenário de incerteza que pressiona indústria, agronegócio e o crédito

O governo brasileiro colocou em prática um plano de contingência comercial emergencial diante da decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de até 50% sobre produtos nacionais. A medida busca proteger setores estratégicos da economia por meio de linhas especiais de crédito, estímulo à diversificação de mercados e suporte a exportadores impactados, enquanto o país mantém a via diplomática aberta com Washington. A estratégia tenta equilibrar resposta prática e estabilidade institucional diante de um cenário de incerteza crescente. “Manter duas frentes, tanto a negociação quanto a preparação de um plano de contingência, é uma estratégia prudente e equilibrada. O mercado provavelmente reagirá com cautela, aguardando a decisão final dos Estados Unidos”, analisa Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike.

Na prática, o governo tenta conter os danos comerciais de uma medida que ameaça comprometer contratos já firmados e travar novas negociações com o principal mercado de consumo do mundo. Empresas exportadoras podem ser forçadas a absorver os custos adicionais para manter clientes estratégicos, o que pressiona margens e dificulta o planejamento financeiro. “Normalmente quem manda em uma relação comercial é o comprador, então o grande problema do tarifaço é que é difícil substituir o EUA como cliente. Possivelmente, vai pressionar as empresas a venderem até mesmo com uma margem negativa e ficarem com o prejuízo da tarifa”, alerta Volnei. A manutenção das tarifas tende a comprometer o desempenho da balança comercial no segundo semestre.

O impacto direto sobre as exportações deve atingir com força a indústria e o agronegócio, setores que sustentam boa parte da economia brasileira e concentram parte significativa das vendas externas para os Estados Unidos. “Caso a tarifa seja implementada, haverá impactos diretos nas exportações brasileiras, afetando a competitividade de nossos produtos no mercado internacional e podendo pressionar setores como a indústria e o agronegócio. Isso, por sua vez, pode gerar uma desaceleração na economia, com reflexos no crescimento e nas taxas de emprego”, projeta o CEO da Multiplike. O efeito dominó pode levar à revisão de planos de expansãocortes em postos de trabalho e redução de investimentos estratégicos em toda a cadeia produtiva.

Esse ambiente de instabilidade também alcança o sistema de crédito. Com margens apertadas e menor previsibilidade no cenário econômico, empresas tendem a adotar uma postura mais conservadora, enquanto instituições financeiras e gestoras aumentam a seletividade nas concessões. “Para as empresas, especialmente aquelas que dependem das exportações, essa situação pode significar custos mais altos, desafios no planejamento de produção e uma possível revisão de estratégias de mercado. Falando sobre o crédito para as empresas, com a economia mais imprevisível, empresários tendem a ser mais cautelosos na tomada de crédito, na mesma medida que a concessão fica mais restrita também”, conclui Volnei Eyng. Em meio ao impasse geopolítico, ganha força o debate sobre a necessidade de diversificar mercadosproteger cadeias e construir soluções financeiras mais resilientes.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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