Do boleto ao cartão: como modernizar a arrecadação pública sem aumentar imposto

Do boleto ao cartão: como modernizar a arrecadação pública sem aumentar imposto

PIX e cartão ganham espaço na arrecadação governamental e apontam caminhos para mais eficiência

Em um país conhecido por sua complexa estrutura tributária e alta carga de tributos, que, de acordo com os dados da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, em 2024 bateu recorde, atingindo o maior nível em mais de duas décadas, somando 34,1% do PIB, representando aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior (32,1% do PIB), a modernização dos métodos de pagamento da arrecadação pública surge como uma alternativa estratégica para aumentar a eficiência e reduzir custos sem recorrer ao aumento de impostos.

Tradicionalmente, a coleta de tributos no Brasil depende de boletos bancários e sistemas de débito automático. Embora amplamente utilizados, esses métodos impõem entraves como taxas, atrasos na compensação e limitações de acesso para parcelas significativas da população e de empresas. Nesse cenário, novas tecnologias de pagamentos, como o PIX, cartão de crédito e débito, têm ganhado espaço e mostram potencial para transformar a arrecadação pública. 

Dados recentes do Banco Central revelam que o PIX superou o número de transações realizadas com cartão de crédito, débito, boleto, TED e cheque somados em 2024, com cerca de 63,8 bilhões de operações, um salto de mais de 50% em relação ao ano anterior. Essa predominância reflete a crescente adoção de meios instantâneos de pagamento, que reduzem atritos e democratizam o acesso a serviços financeiros.

A incorporação de PIX e cartões no ecossistema de arrecadação pública já encontra respaldo institucional: o Portal PagTesouro-GRU, implementado pelo Tesouro Nacional, passou a aceitar pagamentos via PIX, cartão de crédito e débito, proporcionando confirmação instantânea das transações. Essa mudança representa um passo importante para modernizar a interação entre governo e cidadão, reduzindo burocracia e tempo de processamento. 

Em âmbito municipal, iniciativas pioneiras em cidades como Guaíra (PR) mostram que a tecnologia permite a arrecadação de tributos com cartão de crédito, inclusive em múltiplas parcelas, sem custo adicional aos cofres públicos, contribuindo diretamente para o aumento da receita sem elevar alíquotas. 

Nesse contexto de transformação, a Franchi, fintech voltada à inovação de meios de pagamento e soluções financeiras, defende um novo paradigma de arrecadação que una tecnologia, conveniência e eficiência tributária. Para Felipe Franchi, CEO e fundador da Franchi, “a modernização da arrecadação pública não passa por aumentar tributos, mas sim por facilitar o pagamento, reduzir atritos e ampliar o uso de tecnologias que beneficiem tanto o contribuinte quanto o gestor público”. Segundo ele, “ao adotar métodos como PIX e cartão de crédito de forma integrada e automatizada, governos podem ampliar a base de arrecadação, diminuir a inadimplência e ainda gerar uma experiência mais ágil e transparente para o cidadão”.

Segundo o CEO, ampliar as formas de pagamento pode impactar positivamente indicadores de arrecadação e conformidade fiscal sem pressionar os cofres públicos por meio de novas taxas ou tributos. A digitalização dos processos permite coleta em tempo real e monitoramento mais eficaz de receitas, impulsionando uma gestão pública mais eficiente e responsiva. Esse movimento está alinhado com debates sobre iniciativas como o “split payment” (pagamento automático de tributos no momento da transação), discutido no âmbito da reforma tributária brasileira, que busca integrar soluções de cobrança diretamente nos meios de pagamento. 

Ainda que a reforma tributária em curso propondo alterações profundas no sistema de arrecadação, como unificação e simplificação de tributos, a digitalização dos pagamentos representa um passo prévio e complementar. Ao modernizar a forma de arrecadar sem alterar alíquotas, é possível reduzir custos operacionais, ampliar a eficiência do fluxo de caixa público e tornar mais inclusiva a participação do cidadão no pagamen­to de tributos, especialmente em uma economia cada vez mais digital.

Nesse cenário, a experiência do setor privado com ferramentas de pagamento, desde a popularização do PIX até soluções que permitem o uso do cartão em tributos municipais, abre um caminho prático para governos que buscam manter a sustentabilidade fiscal sem transferir custos ao contribuinte.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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