Inteligência artificial está criando empresas mais eficientes e clientes menos fiéis

Inteligência artificial está criando empresas mais eficientes e clientes menos fiéis

A adoção acelerada de IA em vendas aumenta a produtividade, mas especialistas alertam para o risco da perda de conexão humana nas relações comerciais

A inteligência artificial transformou a velocidade das empresas, onde respostas instantâneas, automação comercial, atendimento digital e produção de conteúdo em escala passaram a fazer parte da rotina corporativa. Mas, à medida que a tecnologia ganha espaço nas relações com clientes, cresce uma preocupação entre especialistas em experiência do cliente: a eficiência operacional pode estar avançando mais rápido do que a capacidade das empresas de construir confiança, diferenciação e fidelização.

Para Bethel Lombardi, especialista em experiência do cliente, fundador da Encantar Mentory e criador do método EPL (Encantar Para Lucrar), a inteligência artificial representa uma das maiores oportunidades para as empresas nos últimos anos. O problema surge quando organizações passam a utilizar a tecnologia como substituta do relacionamento comercial, e não como ferramenta de apoio à experiência do cliente.

A discussão ganhou força nos últimos meses à medida que empresas ampliaram investimentos em inteligência artificial aplicada ao atendimento ao cliente, automação de vendas e comunicação corporativa. Pesquisa Global Happiness Index, realizada pela NiCE com 12 mil consumidores em diferentes países, mostra que 81% dos brasileiros afirmam confiar tanto quanto ou mais em empresas que utilizam inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia que a confiança continua sendo um fator decisivo para a percepção de valor e para a experiência do consumidor.

“A inteligência artificial acelera processos, reduz custos e melhora a produtividade. Mas relacionamento comercial não é uma atividade operacional. Quando a empresa automatiza excessivamente a comunicação, ela pode até ganhar eficiência, mas corre o risco de perder relevância, confiança e preferência na decisão de compra”, afirma Bethel.

O avanço da inteligência artificial está mudando a forma como clientes escolhem empresas

O crescimento da inteligência artificial no ambiente corporativo acontece em um momento em que consumidores demonstram expectativas cada vez maiores em relação à personalização e à qualidade do atendimento. Estudo da IBM sobre tendências em automação de atendimento aponta que organizações vêm combinando inteligência artificial e equipes humanas para elevar a produtividade sem comprometer a experiência do cliente.

Na avaliação do fundador da Encantar Mentory, esse equilíbrio será determinante para os resultados das empresas nos próximos anos.

“Muitas organizações acreditam que o cliente quer apenas rapidez. Rapidez é importante, mas não é suficiente. Em negociações relevantes, problemas complexos ou decisões de compra mais estratégicas, as pessoas continuam buscando segurança, contexto e confiança. Esses fatores ainda são construídos por relações humanas.”

A percepção é reforçada por pesquisas recentes sobre comportamento do consumidor. Levantamento divulgado pela Lehibou aponta que 96% dos consumidores valorizam ser ouvidos e compreendidos durante o atendimento, enquanto 91% consideram importante ter acesso a uma pessoa quando necessário.

Empresas correm o risco de automatizar a confiança

Para o especialista em experiência do cliente, um dos efeitos menos debatidos da expansão da inteligência artificial está na padronização das interações comerciais. Com o uso crescente de ferramentas de geração de conteúdo, atendimento automatizado e prospecção baseada em algoritmos, muitas empresas passaram a se comunicar de maneira semelhante.

“Os consumidores estão cada vez mais expostos a interações produzidas por inteligência artificial. Quando todas as empresas utilizam as mesmas ferramentas, os mesmos fluxos e os mesmos modelos de comunicação, a diferenciação desaparece. A tecnologia que deveria aproximar pode acabar tornando as marcas indistinguíveis.”

Segundo o especialista, esse movimento ajuda a explicar por que as empresas conseguem aumentar a produtividade, mas nem sempre conseguem elevar retenção, fidelização e recomendação espontânea.

“Relacionamento não é despesa operacional. É um ativo de crescimento. Empresas que tratam experiência do cliente apenas como processo tendem a competir por preço. Empresas que investem em confiança conseguem competir por preferência.”

A próxima vantagem competitiva pode ser justamente o fator humano

O fundador da Encantar Mentory acredita que a próxima etapa da transformação digital será menos focada na adoção de ferramentas e mais concentrada na forma como elas são utilizadas para fortalecer vínculos com clientes.

Para ele, a inteligência artificial continuará ocupando espaço cada vez maior nas áreas de atendimento, marketing, vendas e relacionamento. O diferencial competitivo, porém, estará na capacidade de combinar tecnologia, personalização e conexão humana.

“As empresas que vão liderar os próximos anos não serão as que automatizarem tudo. Serão as que conseguirem combinar inteligência artificial, experiência do cliente e relacionamento comercial de forma inteligente. A tecnologia acelera respostas. A confiança continua sendo o que acelera negócios.”

Na avaliação de Bethel em experiência do cliente, a inteligência artificial deve ampliar a capacidade das empresas de atender melhor seus clientes, e não substituir os elementos que sustentam a construção de credibilidade, lealdade e valor de marca.

“A verdadeira vantagem competitiva não estará em quem responde mais rápido. Estará em quem consegue transformar cada interação em uma experiência capaz de gerar confiança, relacionamento e novas oportunidades de negócio.”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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