Volume negociado na B3 cresce entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais

Volume negociado na B3 cresce entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais

Levantamento exclusivo da Comdinheiro/Nelogica considera 5 últimos pleitos. Ibovespa apresenta alta, entre turnos, em 4 dos 5 ciclos

O volume médio diário negociado na B3 aumentou entre o primeiro e o segundo turno das últimas cinco eleições presidenciais. Essa é a conclusão do estudo exclusivo da Comdinheiro/Nelogica, que avaliou os pleitos de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.

Em todos os ciclos, o intervalo entre turnos apresentou volume médio diário superior ao período pré-primeiro turno. As altas variaram de 9,6% 39,9%, com mediana de 15,5%. O resultado indica que a definição do confronto final do pleito tende a concentrar ajustes de posição e aumentar a atividade dos investidores.

Fonte: Comdinheiro/Nelogica

“Os dados mostram um padrão bastante claro: o mercado ganha tração quando o cenário eleitoral se afunila, e os investidores passam a trabalhar com duas alternativas mais concretas para o país. É nesse momento que o reposicionamento de carteiras se intensifica”, diz Gabriel Fenili, Especialista Sênior da Comdinheiro/Nelogica.

Já o comportamento posterior à eleição foi menos uniforme. Em 2006, 2018 e 2022, o volume permaneceu acima do nível pré-primeiro turno. Mas em 2010 e 2014, houve redução da atividade após a definição do vencedor.

Isso indica que a fase mais consistente de aumento do volume ocorre durante a disputa do segundo turno, enquanto a persistência do movimento depende da interpretação do resultado e do ambiente macroeconômico de cada ciclo.

Setores em destaque

A pesquisa também traça uma visão setorial: cinco segmentos apresentaram aumento do volume entre turnos em todas as eleições analisadas. ‘Bens Industriais’ liderou o grupo, com mediana de alta de 29,4%, seguido por ‘Tecnologia da Informação’, com 29,1%; ‘Consumo não Cíclico’, com 28,0%; ‘Financeiro’, com 20,6%; e ‘Utilidade Pública’, com 16,2%.

Mediana da alta entre turnos nos setores que avançaram

“A recorrência nesses segmentos sugere maior sensibilidade a decisões de política econômica. No setor financeiro, juros, crédito, risco fiscal e regulação afetam diretamente as expectativas. Bens industriais de utilidade pública, por sua vez, são influenciados por perspectivas de investimento, infraestrutura, concessões e crescimento. Em consumo não cíclico, a maior negociação pode refletir movimentos defensivos e realocação de risco”, pontua Fenili.

Desempenho do Ibovespa

O aumento da liquidez não reflete, entretanto, em alta do Ibovespa em todos os períodos. O principal índice da Bolsa acumulou avanço entre o primeiro e o segundo turno em quatro das cinco eleições analisadas. A exceção foi 2014, período em que o índice caiu 4,8% e apresentou a maior volatilidade da amostra.

Volume x volatilidade

Ao cruzar o desempenho do índice com o volume de negociação na B3, o estudo aponta alguns destaques. Em 2006, o volume subiu 15,1% entre turnos, e o Ibovespa avançou 7,9%. “Foi o único ciclo em que a volatilidade caiu entre turnos e o desempenho pós-eleitoral superou o intervalo anterior”, pontua Fenili.

Em 2010, a alta de volume foi a menor da amostra, 9,6%, e o retorno entre turnos ficou próximo da estabilidade, em 0,6%. Após a eleição, o índice caiu 4,2%.

Em 2014, foi observado o ciclo mais turbulento. O volume cresceu 24,0%, mas o Ibovespa caiu 4,8% entre turnos, e a volatilidade chegou a 46,3% ao ano*. O índice recuperou 7,0% no período posterior.

Em 2018, ano de maior aumento de volume (39,9%), o Ibovespa subiu 4,1% entre turnos e 2,5% após o resultado. Já no último pleito, de 2022, o volume aumentou 15,5% entre turnos e o Ibovespa avançou 4,1%.

*Desvio-padrão dos retornos diários anualizado por 252 pregões.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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