Ansiedade lidera afastamentos por saúde mental

Ansiedade lidera afastamentos por saúde mental

Como o RH pode agir na reta final do ano?

A reta final do ano costuma concentrar fechamento de metas, avaliações de desempenho, planejamento orçamentário e entregas acumuladas. Para os profissionais de Recursos Humanos, esse período também exige atenção aos sinais de sobrecarga e às condições de trabalho oferecidas às equipes.

O alerta ganha força diante dos dados sobre saúde mental no país. O Brasil registrou 232.382 afastamentos de trabalhadores por transtornos mentais e comportamentais no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Cajuína, braço de inteligência da Caju, baseado em informações públicas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Ministério da Previdência Social.

O resultado representa uma queda de 13,2% em comparação com os 267.690 casos contabilizados no mesmo período de 2025. Apesar da redução, o volume permanece elevado e ainda não permite afirmar que o país reverteu a trajetória de crescimento observada nos últimos anos.

Ansiedade respondeu por 32% dos casos

Os transtornos ansiosos foram a principal causa de afastamento por saúde mental entre janeiro e junho de 2026. Foram 74.016 ocorrências, aproximadamente 32% do total, mesmo após uma queda de 7,7% na comparação anual.

Em seguida aparecem os episódios depressivos, com 50.859 registros; o transtorno afetivo bipolar, com 25.831; e o transtorno depressivo recorrente, com 25.441 afastamentos.

O levantamento também identificou 3.598 afastamentos classificados como esgotamento, código frequentemente relacionado ao burnout. Esses registros foram analisados separadamente porque não fazem parte do conjunto de transtornos mentais e comportamentais reunidos nos códigos F00 a F99 da CID-10.

A evolução trimestral reforça a necessidade de acompanhamento. Os afastamentos passaram de 105.874 no primeiro trimestre para 126.508 no segundo. Embora ambos os períodos tenham registrado queda em relação a 2025, a alta entre os dois primeiros trimestres de 2026 mostra que uma melhora no acumulado não elimina a necessidade de prevenção dentro e fora das empresas.

O que o RH pode fazer ainda neste ano?

O primeiro passo é revisar prioridades. Quando todas as demandas são tratadas como urgentes, as equipes podem enfrentar jornadas prolongadas, dificuldade para se desconectar e perda de clareza sobre o que realmente precisa ser entregue antes do encerramento do ciclo.

Também é importante preparar as lideranças para conduzir conversas individuais, redistribuir atividades e identificar mudanças persistentes de comportamento. Os gestores não devem fazer diagnósticos, mas precisam saber encaminhar o profissional aos canais adequados de apoio.

Entre as medidas que podem ser adotadas estão:

  • reorganizar prazos e metas de acordo com a capacidade real das equipes;
  • monitorar horas extras, férias adiadas e concentração de tarefas;
  • comunicar com clareza os serviços de saúde e apoio psicológico disponíveis;
  • criar espaços seguros para escuta, sem exposição ou estigmatização;
  • estabelecer planos de cobertura para evitar sobrecarga quando houver afastamentos.

A empresa também pode avaliar se o benefício corporativo oferecido acompanha as necessidades atuais dos trabalhadores, incluindo alternativas relacionadas à saúde, bem-estar e qualidade de vida. Disponibilizar recursos, porém, não é suficiente: os colaboradores precisam conhecer as opções, entender como acessá-las e sentir segurança para utilizá-las.

“Os benefícios corporativos já deixaram de cumprir apenas uma função operacional e assumiram um papel fundamental dentro da experiência do colaborador. Alimentação e refeição sempre serão essenciais, mas saúde, bem-estar e desenvolvimento pessoal têm papel estratégico na proposta de valor de cuidado, engajamento e sustentabilidade. Os talentos investigam o olhar da empresa para pessoas através do que elas de fato oferecem”, finaliza Lucas Fernandes, CHRO da Caju.

Planejamento de 2027 deve olhar para a origem dos riscos

Para o próximo ano, a saúde mental deve entrar no planejamento do RH como uma frente permanente de gestão. Isso envolve acompanhar indicadores de afastamento, absenteísmo, rotatividade, horas extras e clima organizacional, além de ouvir diferentes áreas e perfis profissionais.

A atualização da NR-1, ao reforçar o gerenciamento dos riscos psicossociais, amplia a responsabilidade das empresas sobre fatores como sobrecarga, assédio e falhas na organização do trabalho. Por isso, palestras e campanhas pontuais devem ser acompanhadas por mudanças nos processos, nas metas e no preparo das lideranças.

A queda registrada no primeiro semestre é relevante, mas não encerra o problema. Na reta final do ano, o desafio das empresas é transformar os dados em decisões capazes de proteger as pessoas e sustentar os resultados no próximo ciclo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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