Ibovespa fecha em queda sob pressão de Petrobras e incertezas eleitorais

Bolsa brasileira destoa do exterior em dia de volatilidade. Dólar cai 0,49%
O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira em tom negativo, registrando forte volatilidade ao longo do dia e destoando da leve recuperação vista nas bolsas em Nova Iorque. A bolsa brasileira chegou a subir cerca de 1% na abertura, mas virou para o campo negativo e oscilou até quedas próximas de 0,5%. No fechamento, o Ibovespa apontou baixa de 0,17% aos 205.079,25 pontos.
Segundo Rafael Pastorello, Portfólio Manager do Banco Sofisa, a cautela interna segue ditando o ritmo dos negócios. “O mercado doméstico continua refletindo o aumento das incertezas em torno do cenário eleitoral, fator que tem ampliado a sensibilidade dos ativos locais, especialmente do câmbio e da curva de juros”, destaca o especialista.
No cenário macroeconômico, as atenções se voltaram ao Boletim Focus. Se para 2026 as projeções de inflação e Selic permaneceram estáveis, o panorama para 2027 mostrou deterioração. A revisão apontou alta nas expectativas de inflação e redução no crescimento do PIB. Conforme avalia o analista do Banco Sofisa, a combinação de inflação mais alta com atividade fraca preocupa investidores por tornar a condução da política monetária mais complexa e prolongar os juros elevados no país.
As ações ordinárias da Petrobras (Petro 3) fecharam com queda de 2,93%, enquanto as ações preferenciais (Petro 4) desvalorizaram 2,56%.
Petróleo
No exterior, o petróleo encerrou o dia em leve queda com a perspectiva de ampliação da oferta global. A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de suspender novas tarifas sobre países importadores de energia russa aliviou as restrições à commodity da Rússia, favorecendo maior fluxo no mercado internacional.
Ainda assim, os preços da energia seguem altos. O barril de Brent continua negociado próximo de US$ 110, refletindo o prêmio de risco geopolítico e gargalos na oferta das principais regiões produtoras.
O movimento da commodity pesou fortemente sobre a Petrobras, cujas ações recuaram mais de 2% no pregão. Por conta do peso expressivo da estatal na carteira do índice, o desempenho negativo dos papéis limitou qualquer tentativa de recuperação do Ibovespa até o fim da sessão.
Dólar
O dólar comercial fechou em queda de 0,49%, nesta segunda-feira (19), cotado a R$ 5,05 para venda. A queda da moeda norte-americana em relação ao real foi justificada ao alívio após o debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, que não alterou a percepção dos investidores sobre a disputa eleitoral. Isso abriu espaço para a redução de posições defensivas em dólar. Outro motivo apontado por especialistas foi a realização de lucro por parte dos investidores, após a valorização registrada na semana passada.
Segundo operadores do mercado, a proximidade do segundo turno deve manter a volatilidade elevada no mercado cambial.








