Bloqueio das bets: quem fiscaliza o que continua no ar?

Bloqueio das bets: quem fiscaliza o que continua no ar?

Com mais de 13 mil plataformas na mira do governo, pesquisadora do IEA-USP explica os bastidores da fiscalização digital

A retirada de milhares de sites ilegais de apostas do ar representa uma etapa importante de fiscalização do mercado brasileiro de bets. Mas também expõe uma questão que vai muito além da aplicação da lei: como estruturar uma infraestrutura de fiscalização capaz de identificar e combater o mercado ilegal diante dessa proibição?
Desde a aprovação da Lei nº. 13.756/2018, que instituiu a modalidade de apostas de quota fixa no Brasil, o país vem construindo um marco regulatório do setor. As regras foram ampliadas nos anos seguintes, com o objetivo de estabelecer critérios de autorização. A partir de 2025, o mercado passou a operar sob um regime mais estruturado de autorização federal. O desafio, portanto, não termina na proibição legal. Ele começa, em grande parte, na capacidade de identificar e interromper as operações que permanecem à margem das regras.
Anteriormente à proibição, a fiscalização era realizada pelo governo federal, que acompanhava de forma integral as apostas, movimentações financeiras e o volume das operações, através dos dados fornecidos pelas instituições. Agora, o obstáculo é acompanhar um mercado que já existia de forma ilegal antes mesmo da regulamentação.
“Com o bloqueio, o desafio será identificar operações que eventualmente continuem atuando à margem da fiscalização. Para isso, será preciso rastrear como chegam ao público e por quais canais recebem dinheiro,” afirma Sílvia Piva, advogada e pesquisadora do IEA USP.
Silvia Piva.

O problema é mais profundo, justamente por ser um ambiente digital, segundo Piva. Não existe uma estrutura de governança para esse segmento. O Brasil pode proibir as apostas online; no entanto, a sua fiscalização depende de outras empresas ou instituições que podem estar até mesmo fora do país. De acordo com Sílvia, a MP estabelece as responsabilidades no Brasil, mas a sua execução depende da cooperação entre esses agentes e da capacidade de alcançar diferentes partes do negócio.

Desde a entrada em vigor da proibição, o governo federal solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas. O volume reforça a necessidade de que as medidas conjuntas previstas na MP sejam eficazes no combate ao mercado ilegal.
O bloqueio não garante a exclusão digital nessas plataformas, visto que a tecnologia auxilia plataformas digitais a criar novos sites, endereços e domínios, possibilitando um novo acesso por parte dos usuários. Por outro lado, essa mesma tecnologia pode auxiliar o Estado na identificação de atividades online suspeitas.
“Controlar o acesso no país não significa eliminar a atividade da internet”, atesta a especialista.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *