CBS de 11,3% pode elevar imposto de empresas?

CBS de 11,3% pode elevar imposto de empresas?

Créditos e regras de cada atividade definem impacto

Uma alíquota de 11,3% significa que a empresa terá de entregar ao governo R$ 11,30 a cada R$ 100 vendidos? A resposta depende das regras aplicáveis à operação e dos créditos que poderão ser descontados. Essa diferença é central para entender os efeitos da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), cujo cálculo da alíquota de referência para 2027 foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 28 de outubro.

O resultado calculado foi de 11,3468%, arredondado para 11,3%. Cabe ao Senado fixar a alíquota por resolução. O cronograma prevê o encaminhamento dos cálculos até 30 de outubro e a definição pelos senadores até 15 de dezembro de 2026. A CBS substituirá o PIS/Pasep e a Cofins a partir de 2027.

Para Frederico Amaral, advogado tributarista, CEO da e-Auditoria, o percentual precisa ser analisado junto com o funcionamento da empresa.

“Conhecer a alíquota é uma parte da conta. A empresa também precisa saber sobre quais operações ela será aplicada, quais compras permitem aproveitar créditos e se existe algum tratamento específico para sua atividade. Sem isso, o empresário pode superestimar ou subestimar o impacto sobre o negócio”, explica.

Como os créditos entram na conta

No regime regular, os créditos admitidos pela legislação permitem descontar da CBS devida valores relacionados às aquisições da empresa. Esse mecanismo busca evitar que o tributo se acumule ao longo da cadeia. O aproveitamento depende do cumprimento das condições legais; não significa que qualquer despesa gere crédito.

Em um exemplo exclusivamente ilustrativo, considere uma empresa com R$ 100 mil em operações cuja base de cálculo esteja sujeita à alíquota de 11,3%. O débito de CBS seria de R$ 11.300. Se ela tivesse R$ 6 mil em créditos válidos e disponíveis para compensação, o saldo a recolher seria de R$ 5.300, desconsiderados outros ajustes.

A alíquota continuaria sendo de 11,3%. O que diminuiria seria o saldo a pagar após o desconto dos créditos. O exemplo explica a mecânica da apuração, sem representar uma simulação completa das regras de transição ou a carga tributária total da empresa.

“Duas empresas podem realizar vendas de mesmo valor e chegar a saldos diferentes de CBS porque têm estruturas de compras distintas. Por isso, olhar apenas para o percentual anunciado não permite concluir quanto cada uma vai pagar nem se haverá aumento em relação ao modelo atual”, afirma Amaral.

Preservar a arrecadação não significa manter o imposto de cada empresa 

O cálculo da alíquota de referência busca preservar a arrecadação em termos agregados, considerando as regras e os tratamentos diferenciados da reforma. Esse objetivo não assegura que todos os negócios manterão a mesma carga tributária: os efeitos variam conforme a atividade e as características das operações.

“A comparação deve colocar os dois modelos na mesma base. É necessário verificar o que a empresa recolhe hoje, quais créditos já utiliza e como suas operações serão tratadas no novo sistema. Comparar duas alíquotas isoladas pode levar a uma decisão errada sobre preço, contrato ou investimento”, diz.

Preparação exige informações sobre compras e vendas

Para realizar essa análise, o executivo recomenda reunir documentos de compras e vendas, revisar a classificação dos produtos e serviços e identificar as regras aplicáveis às operações. Também é importante verificar se os sistemas registram corretamente as informações necessárias à apuração.

A e-Auditoria desenvolve soluções de inteligência tributária, auditoria e automação para apoiar contadores, departamentos fiscais e empresas de tecnologia. Nesse contexto, a organização dos dados permite construir simulações e localizar situações que precisam de avaliação profissional.

“O empresário precisa transformar a discussão da alíquota em perguntas sobre sua própria operação: quais créditos estarão disponíveis, como ficam os custos e o que acontece com a margem. A tecnologia ajuda a organizar essas informações, enquanto a análise técnica permite interpretar os resultados e orientar as decisões”, conclui Amaral.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *