Inadimplência no crediário fica em 8,36%, acima do nível de um ano atrás

Norte registra a maior taxa regional, enquanto roupas e calçados lideram os atrasos por segmento
A inadimplência no crediário varejista chegou a 8,36% em setembro de 2026, após quatro meses consecutivos de queda. Apesar da melhora recente, o indicador ainda supera os 8,16% registrados no mesmo mês de 2025 e permanece 1,50 ponto percentual acima do patamar de setembro de 2024, quando era de 6,86%.
As informações são do Índice de Inadimplência Meu Crediário e revelam um contraste no comportamento dos pagamentos: a taxa recua desde maio, mas ainda não retornou aos níveis observados nos anos anteriores. No terceiro trimestre, a média ficou em 8,70%, praticamente estável em relação aos 8,69% do mesmo período de 2025.
O levantamento também aponta diferenças entre as regiões brasileiras e os segmentos comerciais. O Norte apresentou a maior taxa de inadimplência em setembro, com 10,91%, enquanto o Sul registrou o menor índice, de 7,03%. Entre os setores analisados, roupas e calçados lideraram os atrasos, com 9,11%.
Queda mensal ainda não reverte alta anual
A trajetória recente mostra uma redução contínua da inadimplência. Em maio, o índice estava em 9,18%. Nos meses seguintes, recuou para 9,01% em junho, 8,94% em julho, 8,81% em agosto e 8,36% em setembro.
A queda acumulada entre maio e setembro foi de 0,82 ponto percentual. Na comparação anual, porém, o movimento ainda não foi suficiente para devolver a taxa ao nível anterior. O indicador passou de 6,86% em setembro de 2024 para 8,16% em 2025 e 8,36% em 2026.
A média trimestral reforça esse cenário. Embora setembro tenha registrado o menor índice mensal de 2026, a média de julho a setembro permaneceu praticamente igual à do ano passado e 1,21 ponto percentual acima dos 7,49% observados no terceiro trimestre de 2024.
Para os varejistas que oferecem vendas a prazo, os números ajudam a acompanhar a evolução dos atrasos, mas não permitem concluir, isoladamente, que houve recuperação generalizada da capacidade de pagamento dos consumidores. A análise precisa considerar também o comportamento das carteiras de cada empresa, os prazos concedidos e as condições de cobrança.
Norte tem maior índice regional
O recorte regional mostra que a inadimplência não se distribui de maneira uniforme na base analisada pelo indicador.
O Norte registrou taxa de 10,91% em setembro, seguido pelo Sudeste, com 9,81%. No Nordeste, o índice foi de 8,28%. Centro-Oeste e Sul apresentaram os menores percentuais, de 7,65% e 7,03%, respectivamente.
A diferença entre Norte e Sul chegou a 3,88 pontos percentuais. Para empresas com atuação em diferentes mercados, esse contraste oferece uma referência para acompanhar o desempenho das carteiras regionais.
Os percentuais, entretanto, não explicam por si só as razões das diferenças. A composição da carteira de clientes, o perfil das operações e as condições de pagamento podem variar entre localidades, exigindo informações adicionais para identificar os fatores associados aos resultados.
Roupas e calçados lideram inadimplência
Entre os setores comerciais analisados, roupas e calçados apresentaram a maior taxa de inadimplência em setembro, de 9,11%. O segmento de óticas registrou 8,13%, enquanto móveis e eletrodomésticos tiveram o menor índice entre os três grupos, com 7,45%.
A diferença entre roupas e calçados e móveis e eletrodomésticos foi de 1,66 ponto percentual.
O resultado evidencia comportamentos distintos entre os segmentos, mas não permite concluir que um deles tenha necessariamente maior risco em todas as condições de venda. Para uma avaliação mais completa, também seria necessário considerar o volume de operações, os valores das compras, os prazos de parcelamento e o perfil dos contratos.
Inadimplência é maior entre consumidores mais jovens
Os recortes demográficos também apresentam diferenças expressivas. Entre consumidores de 18 a 25 anos, a taxa de inadimplência foi de 15,31%. Na faixa de 26 a 35 anos, chegou a 12,12%.
O índice recuou para 8,17% entre pessoas de 36 a 50 anos, para 5,59% na faixa de 51 a 65 anos e para 4,91% entre consumidores com mais de 66 anos.
No recorte por gênero, a taxa foi de 10,62% entre homens e 7,60% entre mulheres, uma diferença de 3,02 pontos percentuais.
Esses resultados descrevem os grupos considerados pelo indicador, mas não demonstram que idade ou gênero sejam, isoladamente, responsáveis pelas diferenças. Renda, estabilidade profissional, histórico de crédito e características das operações também podem influenciar os resultados.
Para o varejo, o uso dessas informações exige critérios consistentes de avaliação e análise das operações, sem generalizações sobre a capacidade individual de pagamento.
O que os números sinalizam para a gestão de crédito?
Os resultados de setembro combinam uma sequência de melhora mensal com a permanência da inadimplência acima dos níveis registrados em 2024 e 2025. A estabilidade da média trimestral em relação ao ano anterior também indica que a redução observada no fim do trimestre ainda não representa uma mudança expressiva na comparação anual.
O acompanhamento dos próximos meses será importante para verificar se a queda se mantém. Até lá, os dados oferecem referências para que os varejistas monitorem suas próprias carteiras, avaliem os prazos de pagamento e acompanhem os atrasos e a recuperação de recebíveis.
As diferenças regionais, setoriais e demográficas ampliam a leitura do levantamento, mas precisam ser interpretadas dentro dos limites da base analisada. A combinação desses indicadores com dados das próprias operações permite uma avaliação mais consistente do risco de crédito.
Crédito da foto: Gpoint Studio








