Banco da Família amplia em 23% o microcrédito para pequenos negócios

Ampliação dos limites de crédito do BNDES permite atender empreendedores com maior necessidade de recursos
O Banco da Família liberou R$ 41,4 milhões em microcrédito entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 23,3% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço acompanha a ampliação dos limites de crédito em linhas do BNDES, que passaram de R$ 20 mil para aproximadamente R$ 80 mil, e permite atender também empreendedores que precisam de valores maiores para investir em seus negócios. A instituição catarinense completa 28 anos em 2026.
Com a mudança, o ticket médio do microcrédito passou de cerca de R$ 8,4 mil para R$ 10,8 mil, alta próxima de 30%. Na linha habitacional, o ticket médio subiu de R$ 23,8 mil para R$ 27,2 mil, aumento de aproximadamente 14%.
Segundo Elaine Amaral, diretora de Mercado, a ampliação das linhas do BNDES foi um dos principais fatores para o aumento do ticket em 2026. “Antes, os contratos destinados ao microcrédito permitiam operações de até R$ 20 mil. Agora, passaram a permitir créditos de aproximadamente R$ 80 mil. Com isso, conseguimos incluir empreendedores um pouco mais estruturados, que continuam tendo dificuldade de acesso ao crédito tradicional, mas agora encontram uma alternativa de crédito no Banco da Família”, explica.
Além do crédito para atividades produtivas, o Banco da Família mantém linhas voltadas à melhoria das condições de moradia, saneamento, educação e agricultura. Segundo Elaine, essa atuação atende às necessidades básicas e contribui para a qualidade de vida de famílias das classes C, D e E.
Atualmente, 78,5% dos clientes do Banco da Família são empreendedores informais e 56,4% são mulheres. O compromisso com a autonomia financeira feminina ganhou uma nova frente com a Rede de Mulheres, que reúne empreendedoras de baixa renda em grupos de apoio mútuo e oferece crédito com garantia solidária. A atuação social inclui ainda o programa Despertar, voltado à superação da pobreza, que completa seis anos. Na área de sustentabilidade, a parceria com o BNP Paribas viabiliza R$ 6 milhões para o programa BF+Sustentável, com apoio do JuST Institute, destinados a crédito para agricultura, saneamento e energia solar.
De Lages para o Brasil
Fundado em 1998, em Lages, na Serra Catarinense, inicialmente como Banco da Mulher, o Banco da Família construiu sua trajetória oferecendo crédito e orientação financeira a pequenos empreendedores e famílias de menor renda. Ao completar 28 anos, acumula R$ 3,1 bilhões em crédito liberado e mais de 450 mil operações realizadas, com impacto estimado em 1,9 milhão de pessoas.
A instituição, que não tem fins lucrativos, atua em mais de 350 municípios de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná e oferece atendimento remoto em 22 estados. Em 2026, avançou no modelo de franquias e chegou a São Paulo, primeira operação nesse formato fora da Região Sul.
Para a fundadora e presidente do Banco da Família, Isabel Baggio, que também preside a Associação Brasileira de Entidades Operadoras de Microcrédito e Microfinanças (Abcred), a evolução da instituição acompanha as mudanças nas necessidades de crédito da população. “O pequeno empreendedor precisa de crédito que acompanhe a realidade do seu negócio. Ao longo desses 28 anos, ampliamos nossa atuação para atender desde quem está começando uma atividade até empreendedores que precisam de recursos para investir e crescer, mas ainda encontram barreiras no sistema financeiro tradicional”, afirma.








