Ritmo de crescimento para equidade no mercado de trabalho ainda não atingiu o nível pré-pandemia

Ritmo de crescimento para equidade no mercado de trabalho ainda não atingiu o nível pré-pandemia
Camila Cinquetti, diretora da PwC Brasil.

O ritmo de crescimento da equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ainda não atingiu o nível pré-pandemia. O dado está na pesquisa global Women in Work Index 2023, da PwC, que traz uma análise entre países membros da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico). A edição deste ano traz um aumento de 1,3% em relação ao ano passado, na participação feminina no mercado de trabalho, atingindo 70,8%. A diferença salarial por gênero avançou 0,6%, chegando a 13,8%. No entanto, o progresso em direção à igualdade de gênero continua muito lento.

No Brasil, o contexto é semelhante aos dados globais. “Analisamos nossa base de dados da PwC Brasil de benchmarking de capital humano, o que nos traz insights relevantes: observamos uma tendência de crescimento em representatividade feminina de 5,9% ao ano na liderança feminina geral e 7,6% ao ano na liderança feminina executiva (três primeiros níveis: CEOs, VPs e diretores) desde 2013 até 2019. A partir da pandemia, houve uma involução drástica desse número, retornando a patamares de 10 anos atrás – de maneira mais agravada nas líderes executivas”, comenta a diretora da PwC Brasil, Camila Cinquetti.

A análise da PwC mostra que há ganhos de trilhões de dólares a serem obtidos com fim da disparidade salarial entre homens e mulheres. Aumentar os salários médios das mulheres para igualá-los aos de seus colegas masculinos entre os países da OCDE aumentaria a renda feminina em mais de US$ 2 trilhões por ano. Mas, com base na disparidade salarial entre homens e mulheres de 14% em 2021 e nas taxas históricas de progresso em direção à igualdade salarial entre homens e mulheres, levará mais de 50 anos até o fim desta disparidade.

A PwC Women in Work Index mostra uma ligeira queda na taxa de desemprego das mulheres, de 6,7% para 6,4%, em 2021. No entanto, melhorias semelhantes também foram evidentes na participação masculina e nas taxas de emprego, sugerindo que os níveis de empregabilidade são um sintoma de desaceleração macroeconômica e reflexo da recuperação geral do mercado de trabalho, ao invés de um avanço em direção à igualdade de gênero.

Dois fatores principais justificam a desaceleração do progresso para diminuir a diferença entre homens e mulheres: o desequilíbrio da distribuição de horas entre pais e mães para cuidar dos filhos e o tempo de retorno da mulher ao trabalho depois de dar à luz o primeiro filho. Apesar dos dados da Women in Work Index trazerem apenas números dos países membros da OCDE, as conclusões da pesquisa também são percebidas no mercado brasileiro, indica a diretora da PwC Brasil, Camila Cinquetti.

“O cuidado com os filhos foi amplamente afetado pela pandemia. Passamos a perceber uma sobrecarga para a mulher, que acabou despendendo oito horas a mais que homens durante a semana nesta tarefa em países da OCDE. Já a volta ao trabalho também ficou ainda mais desafiadora. Nosso levantamento mostra, historicamente, uma queda de 60% nos rendimentos das mães em comparação aos pais nos dez primeiros anos de vida do primeiro filho. Mesmo sem os números concretos deste impacto no Brasil, percebemos que no mercado nacional há um contexto bastante similar”, analisa a diretora.

Camila Cinquetti completa que no Brasil, os dados mostram que 45,6% representa a participação de mulheres no mercado de trabalho (PNAD Contínua). Segundo a mesma fonte, a média de horas dedicadas a afazeres domésticos é menor no gênero masculino. “É interessante refletir como o gênero feminino tem maior percentual na formação de nível de ensino superior, quando comparado com gênero masculino”, observa

A análise da PwC indica, ainda, que os empregadores podem melhorar significativamente o empoderamento das mulheres no local de trabalho, concentrando-se em recompensa justa, autonomia, liderança inclusiva e instituindo uma estratégia de diversidade baseada em dados. As mulheres que trabalham pessoalmente em tempo integral têm as pontuações mais baixas de empoderamento. Essa tendência segue o exemplo dos homens – sugerindo que a autonomia sobre como, onde e quando as pessoas trabalham alimenta sentimentos de empoderamento em toda a força de trabalho.

As mulheres mais empoderadas também têm maior oportunidade de trabalhar remotamente (74%). No entanto, quase metade (48%) das mulheres não pode fazer seu trabalho remotamente. Das 11.285 mulheres que podem, 29% trabalham remotamente em tempo integral e 56% têm algum nível de padrão de trabalho híbrido.

Outra pesquisa global da PwC, a Hopes and Fears também mostra que abordagens flexíveis são preferidas pela força de trabalho. 43% no Brasil e 62% no mundo preferem alguma combinação de trabalho presencial e remoto. “O trabalho híbrido veio para ficar. A proporção exata de tempo no escritório e em casa varia, mas as empresas precisam experimentar e se adaptar. Isso inclui abordar fatores por trás do risco de perder seus talentos e sua gestão pode se tornar mais desafiadora quando as pessoas não estão no mesmo local todos os dias. As empresas também devem investir em tecnologia para apoiar o trabalho remoto e adotar mecanismos de governança corretos sobre as decisões inclusivas e de equidade, por exemplo a respeito de remuneração, promoções e outras recompensas, para combater o ‘viés de proximidade’”, conclui Camila Cinquetti.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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