FIDCs dão salto em 2023 e atingem 2.402 fundos

Números são os mais altos já registrados em apenas um ano
A indústria dos FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) registrou o maior salto da história com o saldo de 493 novos fundos em 2023. O patrimônio líquido total cresceu 27,4% no período, atingindo R$ 483,305 bilhões em dezembro, alavancado principalmente pelos setores de Comércio e Crédito, que representaram quase 50% de toda a carteira de FIDCs, segundo aponta o levantamento realizado pelo Martinelli Advogados, um dos maiores escritórios de advocacia do País, e que atua na estruturação jurídica dos fundos.
Em dezembro, foram contabilizados 2.402 novos fundos, o maior número já registrado. A aceleração do número de FIDCs se deu a partir de setembro, mês que antecedeu a entrada em vigor da resolução 175 da CVM. A medida modernizou e flexibilizou os investimentos em direitos creditórios, permitindo que pequenos investidores de varejo, e não apenas aqueles qualificados e profissionais, pudessem investir nos FIDCs. Além disso, estabeleceu o registro dos títulos pelas Registradoras Centrais – instituições autorizadas pelo Banco Central -, com o objetivo de evitar riscos de fraude, o que trouxe mais segurança.
“O salto no número de FIDCs, a partir da aprovação da Resolução 175 da CVM, foi bastante significativo, porque a medida democratizou o acesso a estes fundos e contribuiu para que se tornassem mais atrativos e seguros”, observa Walter H. Fritzke (foto), Head de Mercado de Capitais do Martinelli. “A possibilidade de investimento do público-geral em cotas de FIDCs estimula a ampliação da carteira, aumenta a oferta de recursos e se espera a redução do custo desse capital, ampliando sua competitividade, inclusive como alternativa às operações tradicionais dos bancos”, acrescenta Fritzke.
Os FIDCS nos setores de Comércio, Crédito e Judicial
Os setores de Comércio e Crédito foram os que mais contribuíram para o crescimento da indústria dos FIDCs. Com patrimônio líquido de R$ 117,346 bilhões em dezembro de 2023, os FIDCs do Comércio cresceram cerca de 65% no período, enquanto o PL dos fundos de Crédito chegou a R$ 77,904 bilhões, com alta de aproximadamente 35%.
O cenário desafiador em 2023, de falta de crédito e juros altos, aumentou o interesse de empresas varejistas em captar recursos por meio desses fundos, seja para renegociar dívidas ou também fazer caixa e melhorar a liquidez.
Outro setor que teve um crescimento significativo foi o Judicial, oriundo de recursos de ações judiciais a serem executadas, cujo patrimônio líquido chegou a R$ 26,763 bilhões, 105% acima do valor de dezembro de 2022. Esse crescimento, segundo o Head de Mercado de Capitais do Martinelli, pode estar vinculado tanto à oportunidade de investimento em face do aumento das ações judiciais de qualidade em 2023, quanto à necessidade de empresas de se desfazerem de ativos para gerar caixa.
Já os FIDCs do setor Financeiro permaneceram estáveis, com uma pequena retração de 1,5% no patrimônio líquido, que se situou em R$ 115,199 bilhões. Em relação aos fundos do Agronegócio, houve um incremento de pouco mais de 3% no patrimônio líquido em relação a dezembro de 2022, alcançando R$ 14,243 bilhões em dezembro.
Avanço deve continuar em 2024
Na avaliação do Head de Mercado de Capitais do Martinelli, a evolução da indústria de FIDCs deve permanecer em alta em 2024, por conta da entrada em vigor da resolução 175 da CVM e da expectativa da queda da taxa Selic.
“Além das novas regras, que trouxeram mais segurança e transparência aos investidores, a previsão de redução da taxa básica de juros deve estimular a demanda por FIDCs, já que, historicamente, quando os juros estão em um patamar mais baixo, as operações estruturadas do mercado de capitais são mais procuradas”, explica Walter H. Fritzke.








