Queda do dólar reduz receita e pressiona margem do produtor de soja no Brasil

Queda do dólar reduz receita e pressiona margem do produtor de soja no Brasil

Valorização do real supera ganhos em Chicago e pressiona margens na safra 2026/27

A recente valorização do real frente ao dólar tem pressionado a rentabilidade do produtor brasileiro, mesmo em um cenário de safra robusta e recuperação pontual das cotações internacionais. Segundo análise da Biond Agro, o câmbio passou a ter peso decisivo na formação de preços no país, reduzindo a receita em reais e ampliando o aperto nas margens.

Nos últimos meses, o dólar recuou de níveis acima de R$ 6,20 para menos de R$ 5,00, movimento que impactou diretamente os preços das commodities exportáveis. Com isso, mesmo quando há reação na Bolsa de Chicago ou melhora nos prêmios, o efeito não tem sido suficiente para compensar a perda cambial na conversão para reais.

“A pior armadilha do mercado é parecer alívio quando, na verdade, é aperto”, afirma Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.

No mercado físico, a pressão aparece nos preços. A soja, que girava entre R$ 130 e R$ 133 por saca, recuou para perto de R$ 127 em pagamentos mais curtos. Em paralelo, o ritmo de comercialização indica necessidade de caixa: em um único dia, foram negociadas cerca de um milhão de toneladas, sendo aproximadamente 900 mil da safra 2025/26, mesmo em um ambiente de preços pressionados.

Custos

Isabella explica que o impacto do câmbio não é compensado pelo lado dos custos. Mesmo com alguma vantagem na compra de insumos, os custos com fertilizantes, diesel e logística permanecem elevados, limitando a melhora da relação de troca. O resultado é um cenário em que o produtor vende pior em reais e não consegue compensar essa perda.

A projeção para a safra 2026/27 reforça esse quadro. A relação de troca da soja com os insumos está no pior patamar da história, refletindo principalmente a queda da receita projetada em reais, e não apenas o nível de custos. Um exemplo em Sorriso (MT) ilustra essa dinâmica: com receita bruta estimada em R$ 7.067,07 por hectare e custo total de R$ 7.697,78, o resultado final é negativo em R$ 630,71 por hectare, mesmo com produtividade considerada elevada.

“Nunca sobrou tão pouco no bolso do produtor como sobra agora quando se compara custo com preço futuro da soja.”, comenta a analista.

No milho, o comportamento segue a mesma lógica. Mesmo quando Chicago encontra suporte, o mercado doméstico pode seguir pressionado, refletindo a influência do câmbio e das condições internas de oferta na formação dos preços. Do lado macroeconômico, a valorização do real é explicada pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, superior a 11 pontos percentuais, além da entrada de divisas com as exportações de soja, que superam 16 milhões de toneladas por mês neste período.

Apesar disso, Isabella afirma que o dólar mais baixo não deve ser interpretado como solução para o produtor, já que a melhora cambial, isoladamente, não recompõe a margem. “O dólar baixo, hoje, não pode ser lido como boa notícia automática para o agro. Dentro da porteira, ele virou mais um fator de compressão de margem”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *