Cobrar barato pode custar caro no setor de beleza

Cobrar barato pode custar caro no setor de beleza

Estratégia baseada em preço atrai público sensível a desconto, reduz margem e dificulta crescimento sustentável no longo prazo

Cobrar menos para atrair clientes tem sido uma estratégia recorrente no setor de beleza, mas o efeito costuma ser inverso: profissionais lotam a agenda, aumentam o volume de atendimentos e ainda assim não conseguem gerar lucro consistente. O setor movimenta mais de R$ 130 bilhões por ano no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o que amplia a concorrência e exige diferenciação clara.

Para Saulo Abrahão, especialista em gestão para negócios da beleza, o problema começa quando o preço se torna o principal argumento de venda. “Quem vende só por preço será trocado por qualquer preço menor. O profissional deixa de ser escolhido pela qualidade e passa a ser comparado apenas pelo valor”, afirma.

Na rotina dos estúdios, o impacto aparece rapidamente. Muitos profissionais atendem o dia inteiro, mantêm a agenda cheia e, ainda assim, terminam o mês sem sobra financeira. A falta de estratégia na precificação transforma produtividade em desgaste. “Agenda cheia sem lucro é só cansaço organizado. Preço mal definido transforma talento em exaustão”, diz.

O valor cobrado também influencia diretamente a percepção do cliente. Em serviços ligados à imagem, autoestima e segurança, preço funciona como um sinal de qualidade. Quando está muito abaixo do esperado, pode gerar desconfiança e afastar o público mais qualificado. “Cliente bom não busca o menor preço. Busca confiança”, explica.

Dificuldades

O efeito se prolonga no médio prazo. Profissionais que entram no mercado cobrando barato enfrentam dificuldade para reajustar valores e migrar para um público mais estratégico. Com o tempo, ficam presos a uma base sensível a desconto, o que limita margem e crescimento.

Cinco estratégias para valorizar seus procedimentos e parar de competir por preço

A construção de um negócio sustentável passa por decisões que vão além da técnica. Antes de definir qualquer valor, é necessário estruturar percepção, experiência e posicionamento de forma consistente.

  • Posicione-se antes de precificar
    Definir como quer ser reconhecido no mercado orienta público, comunicação e estratégia. Sem esse direcionamento, o desconto vira saída recorrente. “Preço é consequência de posicionamento”, afirma.
  • Faça o cliente sentir valor em cada etapa
    Do primeiro contato ao pós-atendimento, tudo comunica valor. Organização, ambiente, atendimento e consistência aumentam a disposição do cliente em investir mais.
  • Saiba exatamente quanto custa atender
    Preço sem cálculo é prejuízo disfarçado. Materiais, tempo, estrutura, impostos, equipe e capacitação precisam estar embutidos para garantir margem e sustentabilidade.
  • Construa autoridade visível
    Resultados reais, depoimentos e presença digital consistente aumentam a confiança e reduzem a sensibilidade ao preço. “Quando o cliente percebe valor, ele questiona menos”, diz.
  • Pare de vender preço e comece a vender transformação
    Clientes não compram apenas o procedimento. Buscam autoestima, segurança e resultado. Quando isso fica claro, o valor deixa de ser o centro da decisão.

No fim, o erro mais comum está em confundir movimento com resultado. Negócios rentáveis não crescem pela quantidade de clientes, mas pela qualidade da margem e pela consistência financeira. “Quando o profissional entende isso, ele para de disputar preço e passa a construir valor”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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