Reforma tributária expõe empresas despreparadas para decisões que afetam caixa e margem

Reforma tributária expõe empresas despreparadas para decisões que afetam caixa e margem

Empresas que não revisarem preços, contratos e operação podem perder margem na transição tributária

A reforma tributária entrou em fase decisiva de implementação e passou a pressionar decisões estratégicas dentro das empresas brasileiras. Com a transição para o novo modelo de tributação sobre consumo, companhias de diferentes portes começam a revisar contratos, políticas comerciais, sistemas internos e formação de preços. O desafio ganhou urgência porque eventuais erros tendem a impactar caixa, competitividade e margem operacional nos próximos anos.

Para Raphael Costa, autor e presidente do Grupo 220, organização voltada à formação de lideranças e aceleração de negócios, muitas empresas tratam o tema apenas como pauta contábil ou jurídica e ignoram a dimensão executiva da mudança. “A reforma tributária não é só assunto do fiscal. Ela exige decisão empresarial. Quem deixar tudo concentrado no técnico corre o risco de reagir tarde demais”, afirma.

A proposta prevê substituição gradual de tributos atuais por novos impostos sobre valor agregado, alterando a lógica de créditos, incidência e repasse ao consumidor. Na prática, setores com cadeias longas, contratos de longo prazo ou margens apertadas tendem a sentir efeitos relevantes. Indústria, varejo, serviços, construção e franchising já analisam impactos específicos.

Segundo Costa, o maior problema de parte das empresas não está na complexidade da lei, mas na incapacidade interna de decidir com rapidez e coordenação. “Quando liderança não conversa, cada área olha só o próprio pedaço. Fiscal pensa imposto, comercial pensa venda, financeiro pensa caixa. Sem comando integrado, a empresa perde tempo e margem”, diz.

Entre os pontos mais sensíveis estão reajuste de preços, renegociação contratual, definição de repasse tributário e revisão de portfólio. Negócios que trabalham com contratos antigos ou tabelas rígidas podem enfrentar erosão de rentabilidade caso não recalibrem condições comerciais com antecedência.

Comportamento de gestão

Outro desafio envolve comportamento de gestão. Muitas companhias adiam decisões difíceis esperando mais clareza regulatória, embora o processo já esteja em andamento.

“Improvisar perto da virada costuma sair caro. Empresa estruturada testa cenários, simula impactos e prepara equipe antes da pressão chegar”, afirma Raphael Costa.

Especialistas recomendam cinco movimentos imediatos: mapear exposição tributária por produto ou serviço, revisar contratos relevantes, recalcular margens reais, alinhar áreas internas e atualizar sistemas de gestão. Em empresas médias e pequenas, também cresce a necessidade de apoio externo qualificado.

Costa defende que o momento pode favorecer negócios mais maduros. “Toda mudança grande reorganiza mercado. Quem estiver preparado ganha espaço. Quem insistir no improviso tende a financiar o crescimento do concorrente”, afirma.

Com a reforma saindo do papel, o debate deixou de ser teórico. Para empresários brasileiros, a questão agora não é se haverá impacto, mas quem conseguirá transformá-lo em vantagem competitiva.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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