Mercado brasileiro deve continuar convivendo com volatilidade cambial até o fim do ano

Mercado brasileiro deve continuar convivendo com volatilidade cambial até o fim do ano

Brasil entra no segundo semestre sob impacto de juros americanos, tensões geopolíticas e dólar instável

As oscilações recentes do dólar e do Ibovespa voltaram a evidenciar como fatores internacionais continuam influenciando os investimentos dos brasileiros. Em apenas dois pregões, o mercado financeiro nacional alternou movimentos relevantes diante de mudanças no cenário externo. Na semana passada (13 a 17/07), o dólar oscilou entre R$ 5,07 e R$ 5,13 e acumula, este ano, queda de 7,5%. Já o índice Bovespa recuou 2,33% na semana que passou, fechando na sexta-feira (17) aos 173.714 pontos, pressionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O agravamento do conflito elevou a aversão ao risco, fortaleceu a procura por ativos defensivos e pressionou o petróleo, combinação que tende a favorecer a moeda americana e reduzir o apetite por mercados emergentes.

O mercado vem oscilando entre dois vetores: de um lado, os riscos geopolíticos e a pressão do petróleo; de outro, as expectativas sobre inflação e juros nos Estados Unidos.

Na avaliação de André Peniche, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, a volatilidade recente reforça que o câmbio deve ser tratado como parte de uma estratégia patrimonial mais ampla, e não como um gatilho para decisões impulsivas. “O dólar vai continuar reagindo às expectativas sobre juros, inflação, geopolítica e fluxo global de capitais. Quem investe olhando apenas para a cotação do dia acaba tomando decisões de curto prazo para objetivos que são, na essência, de longo prazo.” Para o especialista, a diversificação internacional ajuda justamente a reduzir a dependência de um único cenário econômico.

O momento também chama atenção para a necessidade de analisar conjuntamente ativos brasileiros e internacionais. Mesmo quando o Ibovespa apresenta bom desempenho ou o dólar recua, isso não significa que uma classe de ativos deva substituir a outra.

“O investidor não precisa escolher entre Brasil ou exterior. O patrimônio mais resiliente costuma ser aquele distribuído entre diferentes mercados, moedas e classes de ativos. Essa combinação reduz riscos e aumenta a capacidade de enfrentar momentos de maior instabilidade”, afirma André Peniche.

Neste segundo semestre, segundo o cenário deve continuar influenciado pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, pela evolução das tensões no Oriente Médio, pelos impactos do petróleo sobre a inflação global e pelo aumento das disputas comerciais. O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros adiciona uma nova camada de incerteza, diante dos possíveis efeitos sobre as exportações, a confiança dos investidores, o fluxo de capitais e o comportamento do câmbio. Nesse ambiente, Peniche reforça que a internacionalização patrimonial exige planejamento jurídico, tributário e financeiro, considerando os objetivos do investidor, o horizonte de aplicação e a forma como os ativos serão estruturados e declarados no Brasil.

“Quem constrói patrimônio pensando apenas na oscilação do dólar acaba reagindo ao mercado. Por outro lado, quem estrutura seus investimentos com planejamento consegue usar essas oscilações a seu favor. Internacionalizar patrimônio não significa apostar contra o Brasil, mas construir uma carteira mais equilibrada, preparada para diferentes cenários econômicos e capaz de preservar valor no longo prazo”, conclui Peniche.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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