Além de tocar a empresa, 1 em cada 4 empreendedores passa mais de 10 horas por semana cuidando das finanças

Além de tocar a empresa, 1 em cada 4 empreendedores passa mais de 10 horas por semana cuidando das finanças

Pesquisa mostra que a gestão financeira continua concentrada nos próprios donos dos pequenos negócios

Muita gente já entende que ter o próprio negócio não significa necessariamente trabalhar menos, especialmente quando se trata de uma pequena operação. Ainda assim, a dimensão das tarefas que acabam concentradas nas mãos do empreendedor costuma passar despercebida.

Foi justamente para entender melhor essa rotina que a Cora, a instituição financeira feita para quem empreende, realizou uma pesquisa exclusiva sobre a vida financeira dos pequenos negócios no Brasil. O levantamento mostra que, quando o assunto é gestão das finanças, quase metade dos empreendedores brasileiros (44%) dedica mais de cinco horas por semana às finanças da empresa, sendo que 23% afirmam gastar mais de 10 horas semanais com essa atividade.

E, surpreendentemente, o cenário não muda muito mesmo quando a gestão financeira é compartilhada com outra pessoa. De acordo com o levantamento, entre os empreendedores que dividem essa responsabilidade, quase um terço (33%) ainda dedica mais de 10 horas por semana às finanças do negócio.

“Era de se esperar que dividir a gestão financeira ajudasse a reduzir a carga de tempo dedicada a essa atividade, mas a pesquisa mostrou um cenário em que a demanda continua alta mesmo quando existe apoio”, analisa Igor Senra, CEO e cofundador da Cora. “Uma possível explicação é que essa divisão aconteça justamente em empresas cuja operação financeira se tornou mais complexa. À medida que o negócio cresce, aumentam também as demandas de controle, pagamentos, cobranças e acompanhamento financeiro — o que pode manter alta a dedicação de horas mesmo quando as tarefas são compartilhadas.”

Para onde vão as horas dos empreendedores

Quando questionados sobre quais atividades financeiras mais consomem tempo no dia a dia, os empreendedores apontam uma combinação de tarefas operacionais e de acompanhamento constante da saúde financeira do negócio. Lideram a lista o acompanhamento do dinheiro que entra e sai do caixa (43%) e o controle de contas a pagar e receber (42%).

Por outro lado, o planejamento de receitas e despesas futuras — atividade diretamente ligada à previsibilidade e à sustentabilidade financeira do negócio — aparece mais abaixo no ranking, citado por 31% dos respondentes.

“Os dados mostram uma rotina muito consumida pela operação financeira do presente. Controle de caixa, cobranças, pagamentos e acompanhamento de despesas acabam tomando prioridade no dia a dia”, comenta Igor. “Embora isso seja natural em negócios menores, existe um risco quando o planejamento financeiro de médio e longo prazo perde espaço. A sustentabilidade da empresa depende justamente da capacidade de antecipar cenários, se preparar para oscilações e tomar decisões com maior previsibilidade.”

A rotina financeira muda conforme o negócio cresce

Os dados da pesquisa também mostram que a natureza da gestão financeira muda conforme o porte da empresa aumenta. Entre os MEIs, as atividades que mais consomem tempo estão ligadas ao acompanhamento direto da saúde financeira do negócio, como controle do fluxo de caixa, análise de gastos e planejamento de receitas e despesas futuras.

Já entre micro e pequenas empresas, a rotina financeira passa a incorporar demandas mais administrativas e operacionais. Além do controle de contas a pagar e receber e do acompanhamento do caixa, aparecem entre as atividades mais frequentes o contato com contador ou assessoria contábil e o pagamento de funcionários e prestadores de serviço.

Para a Cora, os dados sugerem que o crescimento da operação também amplia a complexidade da gestão financeira. “Nenhum empreendedor abre um negócio porque quer passar horas tentando resolver sozinho aquilo que não é sua especialidade. Um padeiro deveria poder dedicar mais tempo ao pão que produz, assim como um fotógrafo, uma maquiadora, um artista ou um creator deveriam conseguir focar no que sabem fazer de melhor. Quando a gestão financeira consome uma parte tão relevante da rotina, ela deixa de ser apenas uma tarefa administrativa e passa a competir com o coração do negócio. Na Cora, nosso papel é justamente incentivar e ferramentar essas pessoas para que cuidar das finanças seja mais simples, mais claro e menos solitário, permitindo que elas tenham mais tempo e segurança para desenvolver suas empresas”, afirma Igor.

As 5 atividades financeiras que mais consomem tempo dos empreendedores

MEIs       MICRO E PEQUENAS
Fluxo de caixa (39%)Contas a pagar e receber(41%)
Contas a pagar e receber (35%)Fluxo de caixa (37%)
Controle de gastos (32%)Contato com contador (31%)
Planejamento financeiro (29%)Pagamento de equipe (31%)
Pagamento de fornecedores(29%)Controle de gastos (30%)

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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