Split payment muda lógica do caixa e exige planejamento das empresas

Split payment muda lógica do caixa e exige planejamento das empresas

Separação dos tributos no momento da liquidação financeira pode alterar a disponibilidade de recursos e exigir revisão do capital de giro, contratos e prazos

A Reforma Tributária exigirá das empresas uma mudança que vai além da forma de calcular e recolher impostos. Com a implementação gradual do split payment, mecanismo que permitirá a retenção dos valores referentes à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) na liquidação financeira das operações, o fluxo de caixa passa a ganhar ainda mais importância no planejamento dos negócios.

Hoje, em muitas operações, o valor da venda entra no caixa da empresa e os tributos são recolhidos posteriormente. Com o split payment, conforme as regras e etapas de implementação, a parcela correspondente aos tributos poderá ser retida no fluxo do pagamento, alterando o montante que fica temporariamente disponível para a operação.

Para o advogado tributarista Jacques Veloso, do escritório Veloso de Melo Advogados, a mudança reforça uma diferença importante entre faturamento e dinheiro disponível. “Uma empresa pode continuar vendendo o mesmo valor e, ainda assim, perceber uma mudança na disponibilidade de caixa. O empresário precisará saber quanto dinheiro terá efetivamente disponível, em que momento e se será suficiente para manter a operação”, explica.

Uma empresa que fature R$100 mil em determinado período, por exemplo, não deverá considerar automaticamente todo esse valor como disponível para pagar suas despesas. Será necessário calcular quanto poderá ser destinado à CBS e ao IBS e quanto permanecerá no caixa, levando em conta o regime tributário, os créditos e as características da operação.

“Não existe uma conta única para todas as empresas. É preciso fazer simulações com os dados reais do negócio, considerando compras, vendas, créditos, prazos de recebimento e pagamento e as despesas que precisam ser honradas ao longo do mês”, afirma Veloso.

A atenção deve ser maior em negócios com margens reduzidas, despesas fixas elevadas ou diferença significativa entre os prazos de recebimento dos clientes e de pagamento de fornecedores. Empresas que trabalham com vendas parceladas ou antecipação de recebíveis também precisarão avaliar os possíveis impactos sobre o capital de giro.

Atenção na formação de preços

A preparação envolve ainda a revisão de contratos, condições de pagamento, parcelamentos e políticas comerciais. A formação de preços também merece atenção, mas Jacques ressalta que uma eventual mudança no fluxo financeiro não representa, por si só, aumento da carga tributária. “Uma coisa é quanto a empresa paga de tributo. Outra é o momento em que aquele dinheiro deixa de estar disponível. São impactos diferentes e precisam ser analisados separadamente”, destaca.

Sistemas fiscais e financeiros também precisarão acompanhar os valores destinados aos tributos, os créditos e os recebimentos líquidos, dando ao empresário uma visão mais precisa do caixa.

Embora o split payment tenha implementação gradual e dependa das regras aplicáveis a cada etapa da Reforma Tributária, Veloso recomenda que as empresas antecipem as simulações e avaliem desde já a necessidade de capital de giro, os prazos negociados e as condições comerciais.

“O maior risco é tratar essa mudança apenas como tributária. Ela também é financeira e operacional. O fluxo de caixa precisa ser recalculado para que a empresa saiba quanto do seu faturamento estará efetivamente disponível para manter o negócio funcionando e continuar crescendo”, conclui.

Crédito da foto: Marcello Casal

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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