Criada por ex-executivo da Uber, fintech que conecta Brasil e Estados Unidos quadruplica valor movimentado e prepara expansão

Criada por ex-executivo da Uber, fintech que conecta Brasil e Estados Unidos quadruplica valor movimentado e prepara expansão

Após identificar as dificuldades enfrentadas por brasileiros para movimentações de recursos internacionais, fundadores da Ruvo focam no país guiados pelas facilidades do Pix

Quando desembarcou no Brasil, em 2016, para integrar a equipe responsável pela expansão do Uber no país, o americano Alec Howard encontrou um mercado de pagamentos muito diferente do atual. Ao longo dos meses em que viveu por aqui, acompanhou de perto os desafios de movimentar dinheiro entre Brasil e Estados Unidos — uma experiência que, anos depois, serviria de inspiração para criar o próprio negócio.

De volta aos Estados Unidos, Howard viu o mercado brasileiro passar por uma revolução com a chegada do Pix, a digitalização dos serviços bancários e o crescimento do número de profissionais e empresas que movimentam recursos entre diferentes países. Apesar dos avanços, percebeu que as operações internacionais continuavam caras, burocráticas e fragmentadas, abrindo espaço para soluções globais desenhadas para a realidade brasileira.

Foi dessa percepção que, ao lado do engenheiro de software Mike Mason, decidiu transformar essa dor em oportunidade de negócio. Assim nasceu a Ruvo, uma startup de soluções financeiras globais criada para simplificar as transferências entre Brasil e Estados Unidos.

Volume de transações quadruplicou

Logo após consolidar o lançamento da plataforma e ampliar sua oferta de soluções, a tese dos fundadores começou a se confirmar. Nos últimos cinco meses, período em que a operação ganhou escala, o volume mensal de transações da Ruvo quadruplicou, impulsionado pelo amadurecimento do produto e pela expansão da base de clientes. O desempenho marca uma nova fase da companhia, que agora amplia sua atuação para além das transferências internacionais.

“Percebemos que muitos brasileiros já vivem uma realidade financeira global, mas ainda precisam recorrer a diferentes plataformas para enviar, receber e administrar recursos em dólar. Queremos eliminar essa complexidade. Os brasileiros e americanos deveriam poder transferir dinheiro entre os dois países com a mesma facilidade de um Pix. É essa experiência que estamos construindo”, afirma  Alec Howard, CEO e cofundador da Ruvo.

O caminho traçado foi tão inovador que logo nos primeiros meses de implantação, a fintech foi selecionada pela Y Combinator (a mesma aceleradora de Airbnb e DoorDash) e levantou uma rodada seed de US$ 4,6 milhões, liderada pela 1confirmation, com participação da Coinbase Ventures, Rebel Fund e investidores-anjo do Brasil e dos Estados Unidos.

A proposta da empresa é eliminar a fragmentação das operações financeiras internacionais. Em uma única plataforma, a Ruvo reúne diferentes meios de pagamento e liquidação — como Pix, ACH, Wire, stablecoins e cartão Visa — para simplificar transferências, reduzir custos e eliminar etapas intermediárias tanto para consumidores quanto para empresas.

De desenvolvedores a empresas globais

O crescimento da Ruvo também reflete uma mudança no perfil de seus clientes. Nos primeiros meses, a maior parte dos usuários era formada por desenvolvedores e profissionais brasileiros que recebem remuneração de empresas estrangeiras. Com a consolidação da operação, a fintech passou a atender também empresas que mantêm relações comerciais frequentes com o exterior.

Hoje, a companhia reúne clientes como software houses, agências de marketing, agências de viagem, marketplaces, plataformas de investimentos internacionais e empresas que realizam pagamentos recorrentes para profissionais no Brasil, segmentos que compartilham a necessidade de movimentar recursos entre diferentes países de forma rápida e previsível.

Além da expansão comercial, a estratégia de crescimento da Ruvo também passa pela construção de comunidades, característica latente do público brasileiro. Programas de embaixadores para desenvolvedores e estudantes, ações de educação financeira e iniciativas voltadas ao fortalecimento de redes profissionais fazem parte da estratégia de aquisição e fidelização de clientes.

Próximo passo: tornar-se uma plataforma financeira global

Ao mesmo tempo que amplia sua presença no mercado, a Ruvo prepara a evolução de seu portfólio de produtos. A empresa pretende expandir a plataforma para além das transferências internacionais, incorporando novas soluções voltadas à gestão financeira global. Entre os produtos previstos estão investimentos em ativos denominados em dólar, soluções de rendimento para ativos digitais, crédito internacional e ferramentas de proteção cambial.

Mike Mason, CTO e cofundador da Ruvo, comenta que o objetivo é acompanhar uma mudança estrutural na forma como os brasileiros administram patrimônio em diferentes moedas.

“Estamos construindo soluções específicas para brasileiros que vivem entre o Brasil e o exterior. Queremos oferecer uma plataforma completa para administrar recursos globalmente, mantendo uma experiência simples e transparente”, explica.

Para ele, a experiência do cliente permanece como um dos principais diferenciais competitivos da empresa. “O usuário não precisa entender blockchain ou stablecoins. Ele só precisa conseguir enviar, receber e administrar seu dinheiro de forma simples”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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