Exportar custa caro para os empresários brasileiros
Nada assusta mais o empresário brasileiro do que as atividades em importação e exportação. E não é para menos. Falta proficiência em língua estrangeira, é preciso persistência para encontrar compradores no exterior e, para piorar, a burocracia alfandegária brasileira dá um show de dificuldades. Para César Pilarski, técnico aduaneiro da Mundial Import & Export Solutions, assessoria especializada em comércio exterior, as empresas perdem dinheiro com a burocracia. Efetuar uma transação internacional não é fácil. በpreciso estar bem assessorado para garantir que o produto chegue ao seu destino final em tempo hábil e a um custo competitivoâ€, esclarece. Entre impostos, papéis, descrições detalhadas, taxas e contribuições nos á¢mbitos federais, estaduais e municipais, é comum que o empresário fique perdido. No entanto, a abertura de mercado externo para produtos brasileiros não admite a perda de oportunidades por falta de conhecimento. A solução é estar bem assessorado por especialistas da área. O empresário não deve ter medo de enviar produtos ou, então, melhorar o seu parque fabril com máquinas importadas. O brasileiro não pode mais ficar parado diante da imensidão de oportunidades que temos lá foraâ€, afirma Pilarki.Apesar de o Brasil estar em crescente visibilidade internacional, o país perde em competitividade no comércio exterior. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), quase 50% dos empresários da área dizem que a burocracia alfandegária é o pior obstáculo encontrado quando se trata de importar ou exportar. São mais de dez ministérios ou órgãos estaduais envolvidos na liberação dos produtos. As estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que, do pedido até a entrega do produto no exterior, os empresários brasileiros gastam em média 120 dias, prazo que gira em torno de 30 dias para seus competidores internacionais. Grande parte desse tempo é consumido com papelada e alfá¢ndega.
No entanto, o governo federal vem fazendo um trabalho facilitador do comércio exterior, pelo menos no setor de serviços. Em outubro foi lançado o SISCOSERV – Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no Patrimônio – uma ferramenta inédita no mundo desenvolvida a partir de uma plataforma web que, entre outros objetivos, agiliza a formalização de registros de pessoas físicas ou juídicas que realizam operações de importação e exportação de serviços.
E a novidade já vem conquistando alguns clientes. Localizada em Curitiba, a Streakwave do Brasil é uma das empresas que aposta no SISCOSERV como possibilidade de monitoramento e mapeamento na oferta dos serviços oferecidos pela empresa. Estamos em fase de adaptação, estudando melhor a ferramenta para que seja colocada em prática de maneira assertiva. Acreditamos que a utilização do SISCOSERV será um excelente complemento ao SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior) e assim poderemos controlar todas as ações, o que deve nos abrir caminhos para novas negociaçõesâ€, explica Thelma de Oliveira, supervisora de Logística da Streakwave Brasil.
De acordo com os últimos dados disponíveis, em 2008 foram computados como exportações de serviços US$ 28,8 bilhões e no ano passado o valor registrado foi de US$ 26,3 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 44,1 bilhões. Porém, os valores apurados são de acordo com o balanço de pagamentos do Banco Central e mostram apenas o fluxo financeiro. Além disso, muitas operações não estão caracterizadas como serviço. Os principais serviços prestados por empresas brasileiras estão concentrados nas áreas de tecnologia, engenharia, medicina, finanças, transportes, viagens. Segundo dados da Secretaria de Comércio e Serviços, a base de exportadores é composta por 28 mil empresas, número superior ao total de empresas exportadoras de mercadorias, que está em 17 mil.








