“Você é responsável!”

José Pio Martins
José Pio Martins

Os tempos modernos andam turbulentos. A epidemia do desemprego ataca todos os países, inclusive os ricos, sobretudo na Europa. Os avanços da ciência nos deram mais vida: o brasileiro atualmente vive em média 71 anos, contra apenas 33 anos em 1900. Muitos já estão vivendo mais de 80 anos. Daqui a quatro décadas, o Brasil terá 57 milhões de pessoas com mais de 60 anos. É uma alegria tanta vida. Mas com a dádiva vem o desafio. Como essa legião de pessoas viverá? Como você irá viver em sua velhice?

O bem-estar depois dos 60 anos enfrenta problemas. Anos de vida a mais geram novas demandas: saúde, cuidados pessoais, conforto, descanso. Tudo isso custa caro. De onde virá o dinheiro para pagar a conta? Você já se perguntou com quem poderá contar na velhice ou de onde virá o dinheiro para sustentar uma vida boa quando lhe faltar energia ou você resolver parar?

Talvez você não poderá contar com ninguém e não tem a menor ideia de que fonte sacará os recursos para uma velhice confortável. Pois a responsabilidade de prover seu sustento é sua. Você terá de assumir o controle de sua vida, sua carreira, seus ganhos e sua poupança. Caso contrário, a velhice pode ser dura e triste.

Achar que alguém vai cuidar de você é uma aposta arriscada. No passado, os casais tinham muitos filhos, na esperança de serem cuidados e sustentados por eles. Isso está acabando. Um relatório do IBGE diz que 64% dos idosos sustentam suas famílias, numa inversão da lógica. De alguma forma, a população entende esse fenômeno – e é cada vez menor o número de casais com mais de dois filhos.

Um dia, utopias bonitas, mas inviáveis, tentaram nos convencer de que o governo iria cuidar de nós. Você sabe onde surgiu a ideia de aposentadoria aos 65 anos paga pelo governo? Veio de Otto Von Bismarck, presidente da Prússia, em 1889. Naquela época, a expectativa média de vida na Europa não passava dos 45 anos e a proposta de Bismarck não ameaçava as finanças do governo. Hoje, com tanta gente passando dos 75 anos, a previdência social pode levar qualquer governo à falência.

Depender do governo é uma furada. Havia uma ilha de pessoas imunes ao problema: os funcionários públicos, beneficiados com estabilidade no emprego e aposentadoria integral. Mas até isso está sumindo. No Brasil, os novos funcionários públicos receberão do governo, no máximo, o teto do INSS; para terem mais, eles deverão contribuir para um fundo de pensão próprio.

Quanto às mulheres, no passado elas apostavam no casamento como uma apólice de seguros para sua vida. Essa fonte secou. Esperar que o marido (ou a esposa) vá prover seu sustento na velhice é como saltar do trapézio sem rede de proteção. Além disso, de cada dois casamentos, um vai acabar com o marido ou a mulher dispensando o cônjuge muito antes da terceira idade.

Há a hipótese do segundo casamento, pois o IBGE informa que 50% dos novos matrimônios são recasamentos para um dos dois. Ocorre que, como dizia o pensador Samuel Johnson, “o segundo casamento é o triunfo da esperança sobre a experiência”, e pode ser que também este acabe antes da terceira idade dos pombinhos.

O fato concreto é: nem o patrão, nem o governo, nem a família irão cuidar de você ou pagar suas contas na velhice. Isso pode até acontecer, mas convém não confiar. É melhor acreditar em dois pontos: um, você é o responsável; dois, cuide de seu dinheiro e construa sua arca. Noé sobreviveu ao dilúvio porque não esperou que Deus ou seus pais lhe construíssem uma arca.

O artigo foi escrito por José Pio Martins, economista e reitor da Universidade Positivo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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