O início do fim do Euro

Grécia, República Helênica, berço da filosofia e da ética, passa por um longo período de crise econômica, que pode resultar em sua saída da zona do Euro, muito em breve. No último dia 15 de abril, a agência de risco Standard & Poors rebaixou a nota da Grécia para CCC+, a quarta pior nota dentre vinte níveis, a qual indica que o devedor tem grande risco de inadimplência. No linguajar do nosso dia a dia, é como emprestar dinheiro para aquele parente enrolado que você sabe que não lhe pagará a dívida facilmente.
Mas como a Grécia chegou nessa situação? Essa resposta é simples. É o que acontece com a família que gasta mais do que recebe. É isso que vem ocorrendo com o país mediterrâneo. Seu saldo na Balança Comercial acumula déficits atrás de déficits e as contas públicas estão no vermelho há anos.
Como a Grécia não pode desvalorizar sua moeda, pelo fato de estar na Zona do Euro, tem barateado seus produtos com deflação. O índice de preços ao consumidor do país está negativo por vinte e cinco meses consecutivos, desde março de 2013. Esse fato, que inclui a queda nos salários, incentivou a população a eleger um partido de extrema esquerda, o Syriza, que levantou a bandeira do fim da austeridade fiscal.
Teria o partido vencido as eleições com um populismo barato? Talvez sim, pois não há outra saída ao país, a não ser cortar suas despesas públicas e readequar os salários à produtividade dos trabalhadores. Entretanto, não dá para desconsiderar o fato de que 25% da população está desempregada e muito insatisfeita com suas situações econômicas.
Mas há outra saída: sair da zona do Euro, voltar ao Drachma, desvalorizando-o para incentivar a exportação e gerar inflação para pagar as contas do governo, já que a dívida está em extraordinários 175% do PIB. Neste caminho, veremos a moratória externa e pouco desenvolvimento econômico por, pelo menos, mais uma década.
Intrigante é lembrar o fato de que Sócrates foi condenado a morte, 400 anos antes de Cristo, por defender a busca pelo conhecimento. Estariam novamente os governantes gregos querendo negar a realidade? Sim, mas saindo do Euro, eles, ao menos, não terão a quem culpar – e poderão focar na sua própria solução, mesmo que paliativa.
Avaliando a zona do Euro como um todo e o impacto da saída da Grécia, devemos nos preocupar, pois abre espaço para alguns outros países que passam por dificuldades similares, como Bélgica, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália saírem da zona do Euro. Isso sem falar na presidenciável francesa, Marine Le Pen, que, se eleita, promete fazer referendo para a França sair da zona do Euro, ou seja, a jovem moeda poderá entrar em decadência, antes mesmo de chegar na adolescência, e o eixo monetário do planeta se movimentará, mais uma vez.
O artigo foi escrito por Raphael Cordeiro, que é consultor de investimentos, sócio da Inva Capital, coordenador do curso de EAD em Finanças Pessoais da Universidade Positivo e autor do livro “O Sovina e o Perdulário”.





