Mulher x publicidade: o momento da reorganização dos papéis

Carla Faria Del Valle
Carla Faria Del Valle

Vai verão, vem verão e a fórmula para determinados segmentos da propaganda se repete. Desde meados de 2014, porém, as reações das mulheres diante de publicidade com linguagem sexista ou machista têm vindo à tona com mais força. Neste 2015 pipocaram por todo o mundo uma série de ofensivas, on e offline, a campanhas que diminuíam ou deturpavam a imagem da mulher. Especificamente no Brasil, em alguns momentos deu até para desconfiar que as marcas estavam querendo gerar buzz(negativo, sabe-se lá a que custo) cometendo erros que outras haviam acabado de cometer em sua comunicação e causando a ira de mulheres, independente de elas estarem ou não sob a bandeira do feminismo. A boa propaganda informa e diverte. Mas, será que vale manter a piada se ela só tem graça para parte da audiência? Que marca hoje estaria sinceramente interessada em ter a antipatia de um nicho imenso e com poder de compra e decisão crescentes?

O time das meninas tem feito um barulho importante e irreversível para lembrar agências e empresas que o papel da mulher na sociedade mudou e que a comunicação obrigatoriamente deve acompanhar esta mudança. O poder da internet é fundamental nesta reação, na viralização desta reação e na formação de uma nova mulher (que não é necessariamente uma mulher jovem). Agora ela encontra espaço para compartilhar o que vive, expor o que sente e também para conhecer experiências e opiniões de outras mulheres. O resultado disso é uma reflexão que pode ser definitiva na mudança de comportamento diante de atitudes com as quais estamos historicamente habituadas a conviver e, de tão enraizadas em nossa sociedade, até pouco tempo atrás nem pareciam ser questionáveis. A mãe, o marido, a amiga, a cultura, a mídia e a propaganda estavam todos confortavelmente explorando a mesma realidade patriarcal, em que a moça ideal era bela (de acordo com padrões estabelecidos por sei lá quem) e “tinha modos”. Como aquela da música, a “Amélia”.

Parece-me que as mulheres não passaram a desgostar de atitudes machistas de uma hora para outra, mas sim que elas já não admitem mais que alguém “de fora” (ainda mais uma marca!) diga que elas têm sim que ficar felizes quando ele faz o jantar. Ou que sugira que, sim, elas só saem de saia quando estão com as pernas depiladas. Acho que esses comportamentos continuam circulando no subconsciente feminino, mas que, enquanto a mulher se questiona sobre como reagir diante deles, não aceita que interferências externas apareçam para dizer “ei, você é sim uma mulherzinha que gosta disso”. Algumas já têm sua posição definida e não gostam mesmo, outras ainda estão no momento de se situarem sobre seus papéis e sobre o que é aceitável ou não nesse sentido e há as que gostam dessa condição e que, quem sabe, vão continuar gostando. O que não pode acontecer (e essa é uma dica pra agências e para clientes) é uma marca, em 2015 e em um momento muito feminista da história, usar esse tipo de argumento retrógrado e barato para vender. Se há uma coisa que machismo não tem conseguido ultimamente é a empatia feminina e o boicote a marcas que ainda usam esse apelo, graças à força do buzz negativo, só tende a aumentar.

O artigo foi escrito por Carla Faria Del Valle, mãe e empresária e há 12 anos é sócia-diretora de criação da Polvo, agência que tem 30 colaboradores e atua nas áreas de comunicação, performance e desenvolvimento.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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