Decifrando os sinais de 16 de agosto de 2015

Gilmar Mendes Lourenço
Gilmar Mendes Lourenço

As manifestações populares, ocorridas em diversas cidades brasileiras, incluindo municípios das capitais, do interior e do litoral, em 16 de agosto de 2015 – exatamente vinte e três anos depois da movimentação do fora Collor – organizada por grupos emanados das redes sociais, contra o ex-presidente Lula, a presidente Dilma e o Partido dos Trabalhadores (PT), e a favor do impeachment da mandatária do País e dos rigorosos inquéritos da Lava Jato, englobou menor contingente de pessoas do que o contabilizado nos protestos de março e maior do que o constatado em abril deste ano.

É importante reter que o volume de massa popular envolvida foi arregimentado de maneira praticamente espontânea, ao contrário, por exemplo, da “marcha das margaridas”, realizada em Brasília, em 12 de agosto, sob o patrocínio do governo federal, e do apoio ao Instituto Lula, em São Paulo, expresso também em 16 de agosto, a partir de iniciativa da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de entidades sindicais ligadas ao executivo.

O núcleo dos ecos das ruas, extirpando algumas incursões inconstitucionais, como o retorno dos militares, repousa na fadiga da sociedade com a administração mais impopular da história republicana, responsável pela construção, em pouco mais de quatro anos, da recessão mais profunda prolongada desde o ano de 1992, marcado pelo impedimento e a renúncia do presidente Collor, e incapaz de estabelecer articulações políticas para ensejar reparos conjunturais e negociações maduras de reformas estruturais requeridas à recuperação do ânimo e da pegada dos agentes econômicos. O senador governista Romero Jucá, teria afirmado “ou o governo muda ou o povo muda o governo”.

Em não sendo isso feito, sobrou espaço para conspirações feitas no “andar de cima”, bastante tradicionais por aqui, protagonizadas e capitaneadas por Lula e o presidente do Congresso, Renan Calheiros, no afã de desarmar um possível impeachment, caracterizadas pelo fornecimento, à presidente Dilma, da Agenda Brasil, que abarca, dentre outras coisas, propostas que tramitam por pelo menos duas décadas nas duas casas de leis, e que foram abruptamente recolocadas à mesa de discussões, mais uma vez, como uma espécie de tábua de salvação de um governo carente de legitimidade, e que ratificam a incompetência, especialmente do staff econômico em “descobrir a pólvora”, por meio do ajuste fiscal e do controle da inflação.

Mais precisamente, as chances de trânsito livre para a confecção de um acordão conservador surgiram com a sucessão de ocorrências propícias à obtenção de um fôlego adicional pela gerente Dilma. De fato, brotou a suspeita de que o senador Renan não integraria a próxima lista de políticos a serem investigados na operação Lava Jato e a decisão do Supremo Tribunal Federal (TSF) acerca da necessidade de apreciação das contas dos governos, de forma conjunta pela Câmara dos Deputados e pelo Senado da República.

Houve ainda o alargamento do prazo de avaliação das pedaladas fiscais do executivo federal, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a preocupação exposta por entidades empresariais e alguns meios de comunicação com a preservação das instituições, e o rebaixamento da nota de crédito brasileira pela agência Moody´s, mas com manutenção da tendência estável.
Para aqueles que enxergam golpismo em qualquer observação que venha a ferir os brios dos ocupantes do Palácio do Planalto desde 2003, convém lembrar que a Carta Constitucional da nação, promulgada em 1988, assegura a legalidade do pleito que conferiu a reeleição da senhora chefe de estado, em 2014.

O que ela perdeu, por seus próprios erros e omissões, foi a legitimidade. Essencialmente, virando as costas para a população, a presidente implementou ações absolutamente discrepantes das propostas de campanha, apresentadas no segundo semestre de 2014, evento apontado recentemente pela insuspeita Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, Economista, Professor e Editor da Revista Vitrine da Conjuntura da FAE Business School.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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