Paraná: o quarto PIB do País

Os resultados da revisão das Contas Regionais do Brasil, realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o intervalo de tempo compreendido entre 2010-2013, situam o Paraná na quarta posição no ranking nacional do produto interno bruto (PIB), em 2013, representando 6,3% do montante estimado para o País e desbancando o Rio Grande do Sul (6,2%).
De fato, ao incorporar novas informações e contemporâneos procedimentos de cálculo, acompanhando a evolução metodológica aplicada à mensuração do agregado nacional, as atuais alterações permitiram, dentre outros avanços, a aferição mais adequada da dimensão dos sistemas produtivos regionais.
A mudança de posto entre os paranaenses e os gaúchos no certame federativo de geração de renda não chegou a surpreender os analistas mais atentos. É fácil perceber, desde a segunda metade da década de 1990, flagrante perda de dinamismo econômico do Rio Grande do Sul, por conta da combinação entre crônica crise financeira do tesouro estadual e perda de confiança dos investidores potenciais, depois do rompimento unilateral dos contratos, celebrados entre o governo estadual e as montadoras de automóveis, Ford e General Motors, no final dos anos 1990.
Enquanto isso, o Paraná vivenciou dois encorpados ciclos de captura de projetos produtivos (1995-2000 e 2011-2014), capitaneados predominantemente pela iniciativa privada e voltados à ampliação e diversificação da matriz industrial, ambos explicados pela capacidade do Estado em multiplicar vantagens competitivas regionais para novos empreendimentos, por meio do restabelecimento de uma atmosfera de permanente diálogo entre instâncias públicas e atores produtivos, propício à recuperação e multiplicação dos negócios por essas paragens.
Assim, conformou-se um movimento de operação econômica menos subordinados aos ciclos, predominante até o começo do decênio de 1990, mais articulado ao ambiente internacional e nacional, e amparado em cinco eixos de expansão.
São eles a verticalização e modernização do agronegócio, com pronunciada presença e participação do segmento cooperativista; a impulsão da metalomecânica, particularmente com os ramos automobilístico e eletroeletrônico; a transformação qualitativa do complexo madeireiro-papeleiro, especialmente com as plantas de Medium Density Fiberboard (MDF) e os encorpados projetos, capitaneados por grupos estrangeiros e nacionais; a indústria petroquímica, principalmente refino de petróleo e álcool; e a cadeia produtiva atrelada à construção civil, fortemente dependente das obras residenciais, equipamentos comerciais e inversões em infraestrutura.
Não por acaso, segundo algumas pesquisas estruturais, também efetuadas pelo IBGE, há mais de uma década o Paraná ocupa o quarto lugar, na classificação brasileira, em variáveis estratégicas como valor da transformação industrial e das obras (públicas e privadas) executadas e receita bruta das atividades comerciais atacadistas, varejistas e de veículos.
Não bastante isso, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, efetuada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná registrou, no terceiro trimestre de 2015, taxa de desocupação de 6,1% da população economicamente ativa (PEA), a segunda menor do País (8,9%), ficando atrás de Santa Catarina (4,4%). O Estado contabilizou ainda rendimento médio mensal do trabalho de R$ 2.093,0, 10,8% acima da média nacional (R$ 1.889,0), figurando no terceiro posto da federação, perdendo para o Distrito Federal (R$ 3.512,0) e São Paulo (R$ 2.482,0).
Esses trunfos configuram enorme potencial a ser maximizado pelo Estado para o exercício do protagonismo na retomada sustentada do crescimento econômico da nação. Até porque, como o Paraná não é uma ilha de prosperidade, em meio a um oceano de crise, o Estado vem sendo atingido, de forma dramática, pela conjuntura recessiva, instalada no País desde o segundo trimestre de 2014, aspecto evidenciado por quedas acentuadas na produção industrial, no volume de vendas do comércio varejista, na receita real (descontada a inflação) do setor de serviços e no emprego com carteira assinada.
Em outros termos, a preservação do status de quarta economia do País, em bases dinâmicas, exigirá a intensificação de esforços da sociedade paranaense na direção da consolidação dos trunfos à garimpagem de novos empreendimentos e ao revigoramento das atividades já instaladas, em paralelo ao trabalho de pressão política junto à esfera federal visando à eliminação do conteúdo depressivo da política econômica e à negociação de um programa de desenvolvimento de longo prazo para o País, que incluía um novo pacto federativo, capaz de redefinir receitas e responsabilidades entre união, estados e municípios.
O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, Economista, Consultor, Professor da FAE Business School, ex-presidente do IPARDES.





