Seu varejo está associado à palavra economia?

Leandro Krug Batista
Leandro Krug Batista

Empresas brasileiras de vários segmentos estão preocupadas com suas quedas no varejo. Um ponto em comum de algumas delas é fornecem um produto ou um serviço de excelente qualidade e uma experiência de compra diferenciada. Nos últimos anos, essas empresas buscaram atrair consumidores que não estavam contentes com as ofertas existentes no mercado e buscavam produtos melhores, produtos exclusivos, serviços especiais. Ao analisar seus negócios, pude comprovar que estão entregando de fato a promessa que fizeram. Então, o que está faltando? Compreender que o cenário do consumidor final de qualquer classe social brasileira mudou!

Ao ler o novo livro do especialista brasileiro em varejo, Alberto Serrentino, chamado “Varejo e Brasil: reflexões estratégicas”, pude enxergar nos gráficos por ele apresentados que o cenário existente de 2003 a 2012 chamado “Boom do Consumo” deu lugar após o segundo ano do Governo Dilma a uma busca por “Maturidade e Produtividade”, com forte redução dos gastos das empresas. Somado a isso a conjuntura econômica e política atual (que dispensa explicações), temos um cenário no qual todas as classes sociais tiveram perdas de renda e, consequentemente, buscarão economizar (cada uma a sua maneira) para otimizar, da melhor forma, o seu orçamento.

Na prática funciona assim: nos restaurantes de alta cozinha, um grupo de pessoas que pagava R$ 200 por pessoa por um jantar e pedia um vinho de R$ 900, duas vezes por semana, começa a pedir o vinho de R$ 400 e jantar nesse restaurante uma vez por semana. Um outro grupo mais abaixo na pirâmide, que frequentava esse mesmo restaurante, e comprava um vinho de R$ 400, uma vez por mês, agora vai apenas em uma data muito especial – talvez até troque de restaurante. Outro grupo ainda mais abaixo, que tinha pequenos prazeres de classe média ao frequentar rodízios e pizzarias, começa a mudar para restaurantes populares ou fazer comida em casa.

Dentro desse raciocínio, muitas marcas que, durante o “boom do consumo (2003 a 2012) seriam lembradas como “de qualidade”, agora podem ser lembradas pelo consumidor como “caras para o momento”. Ao ter essa consciência, o varejista ou o fabricante devem pensar em ações que consigam chegar na seguinte combinação: cuidar para não popularizar a percepção de qualidade e diferenciação de seu estabelecimento, mas, ao mesmo tempo, realizar ofertas que mostrem “oportunidades de economizar”.

É muito caro para qualquer estabelecimento abrir suas portas e ver que está pagando para trabalhar porque possui uma capacidade ociosa que está esperando um cliente que não vem. Uma atividade que pode ser feita para não popularizar a marca e nem mostrar desespero é realizar estratégias de marketing direto exclusivamente com grupo de consumidores que já são clientes: enviando ofertas exclusivas para que eles aproveitem algo que já consomem a um preço especial no momento ou para que eles indiquem outros clientes a conhecerem o estabelecimento com um preço diferenciado para experimentação.

Em resumo, de alguma maneira, vários estabelecimentos comerciais devem pensar criativamente como mostrar que são ótimas opções: não de comprar barato, mas de valorizar o dinheiro que está na carteira do consumidor.

O artigo foi escrito por Leandro Krug Batista, que é mestre em Gestão Estratégica, consultor de Franchising e Gestão de Varejo e professor da Universidade Positivo (UP).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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