Recuperação econômica: é hora de recompensar quem segurou a empresa na crise

Viviane Doelman.

Medidas drásticas vêm sendo tomadas para assegurar a sobrevivência dos negócios em um cenário econômico que tem sido no mínimo desafiador para empresas de todos os setores. Agora, depois de alguns duros anos, o mercado começa a dar sinais de retomada. Ainda que tímida e gradual, a recuperação mostra fôlego para influenciar o humor de empresários e administradores. Gradualmente, também, os tomadores de decisão começam a tirar planos e projetos da gaveta, e a não pensar somente em medidas contingenciais.

Um ponto a se destacar neste momento de alteração de rota é o que diz respeito às pessoas. É vital que os gestores olhem com cuidado para os profissionais que permaneceram na empresa durante os períodos mais difíceis, que muitas vezes estão cansados e desgastados por terem participado de ações voltadas para racionalização de custos, negociações com credores e enxugamento da empresa. Eles viram partir colegas de muitos anos e muitas vezes tiveram que demiti-los.

Como reafirmar para estes colaboradores a sua importância num contexto de retomada? Como recompensá-los por terem permanecido e ajudado a empresa no processo de recuperação?

Essas são perguntas que devem estar muito presentes na cabeça dos empresários e Conselheiros, para que suas respostas resultem em estratégias de retenção de talentos e pessoas-chave dentro das organizações.

Medidas que motivem o profissional e acabem sendo revertidas em benefício da própria organização podem e devem ser contempladas.

Avaliação atrelada a programas de desenvolvimento é uma delas. É hora de oferecer avaliações dos profissionais que não só apontem seus pontos de desenvolvimento, mas que tenham continuidade para ajudá-los a preencher lacunas por meio de programas de coaching e mentoria, por exemplo, ou que resultem em programas de team building e formação de líderes.

Outro caminho necessário é a revisão do modelo organizacional visando a operacionalização da estratégia. A empresa deve também prover ao profissional espaço para movimentações, ampliando seu foco em aspectos que sejam importantes tanto para ele como para a organização, ao mesmo tempo em que lhe permitam aprender novas técnicas e adquirir novas habilidades. O modelo organizacional adequado deve permitir que o profissional trabalhe de forma estratégica e consistente, e que, principalmente, permita ser avaliado de forma transparente e objetiva.

Outra urgência é revisitar políticas de remuneração. A revisão dos modelos e políticas de remuneração, com um olhar para incentivos de curto e principalmente de longo prazo, é um indicador importante para que qualquer colaborador sinta-se valorizado pela empresa.

Se a companhia dispuser de Conselho de Administração ou Consultivo, é importante que os acionistas avaliem este órgão da Governança, sua dinâmica, pautas, perfil dos independentes. É preciso que a formação do Conselho e seu modo de trabalho estejam alinhados à criação de uma agenda prospectiva.
Estas são algumas iniciativas que podem fazer diferença num momento de recuperação, em que as empresas começam a retomar contratações. É crucial evitar que o desgaste dos últimos anos leve profissionais que a organização deseja manter a aceitar propostas, estimulados pela percepção de que seu empregador permanece numa agenda de contenção, enquanto outras empresas, muitas vezes concorrentes, estão expandindo e voltando a contratar.

Se a visão dos acionistas e conselheiros já não é de curtíssimo prazo e está mais otimista, isto deve ser efetivamente informado com clareza e urgência para diretores e executivos, ativos imprescindíveis do negócio e agentes da operacionalização da estratégia no dia-a-dia da empresa.

O artigo foi escrito por Viviane Doelman, que é diretora da 3G Consultoria – Governança, Gestão e Gente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

2 comentários sobre “Recuperação econômica: é hora de recompensar quem segurou a empresa na crise

  1. Vivi muito bom o artigo! O custo da descontinuidade causado com as demissões, precisa ser recuperado por uma gestão cada vez mais competente e afinada com a estratégia da empresa. Isso vale para executivos e conselheiros.
    Plenamente de acordo!

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