A recuperação da economia paranaense: algumas evidências estatísticas

Gilmar Mendes Lourenço.

A profunda e prolongada recessão econômica, que assolou o Brasil a partir de 2014, afetou substancialmente a dinâmica de negócios no Estado do Paraná. Enquanto o produto interno bruto (PIB) do País recuou -6,8%, entre 2014 e 2016, o regional caiu -7,0%, fruto do clima depressivo no plano nacional, ampliado localmente pelos efeitos multiplicadores de duas quebras de safras agrícolas.

De fato, a produção de grãos caiu, no território paranaense, -1,4% e -5,6%, em 2014 e 2016, respectivamente, evento que, ao lado do declínio das cotações globais das commodities alimentares, motivado essencialmente pela desaceleração da demanda chinesa, provocou enorme diminuição dos fluxos de renda das cadeias produtivas articuladas ao setor rural.

No entanto, o processo de recuperação dos níveis de atividade, em curso notadamente a partir do segundo trimestre de 2017, ligado à melhora do comércio externo e ao alargamento da previsibilidade, ensejado pela consistente descida da inflação e dos juros, se reproduziu com maior intensidade na base produtiva regional.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) apontam variação de 0% do PIB brasileiro e 1,6% do paranaense, no primeiro semestre de 2017. Para o ano fechado, as projeções do Banco Central (BC) e IPARDES indicam incremento de 0,7% para a principal grandeza macroeconômica do País e de 1,4% para a estadual.

A melhor performance da matriz econômica local vis a vis a nacional deriva preponderantemente do agronegócio. A quantidade colhida de grãos no Estado deve passar de 42,0 milhões de toneladas em 2017, representando cerca de 18,0% do total nacional e um acréscimo de 19,0% em relação ao volume de 2016 e de 12,0% em confronto com o recorde observado em 2015.

Isso é particularmente expressivo em um cenário de reação da demanda e dos preços internacionais, em razão do estancamento do desaquecimento da economia da China, cujo PIB deve crescer quase 7,0% no corrente ano, de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). O índice de preços de alimentos, apurado pela FAO, situou-se, em setembro de 2017, 8,8% e 10,4% acima da média calculada para 2015 e 2016, respectivamente, mesmo ficando -7,8% abaixo da média histórica levantada desde 2010.

A produção fabril paranaense cresceu 4,6% entre janeiro e agosto de 2017, conforme o IBGE, contra incremento de 1,5% da média do País, constituindo o segundo melhor desempenho, dentre os quatorze estados acompanhados pela instituição nacional, ficando atrás apenas do Pará, que registrou expansão de 8,6%, impulsionada exclusivamente pelo ramo extrativo (11,3%), especificamente minério de ferro em bruto ou beneficiado.

Nove dos treze segmentos pesquisados no Paraná exibiram resultados positivos, com ênfase para máquinas e equipamentos (61,5%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (13,5%), ou, mais precisamente, máquinas colheitadeiras e tratores agrícolas, e automóveis, respectivamente.

Em idêntico intervalo de tempo, conforme o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista subiu 2,6% no Estado, versus variação de 1,9% no País, puxado por equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicações (18,8%), combustíveis e lubrificantes (17,3%) e materiais de construção (14,7%).

De seu turno, o volume dos serviços prestados, também obtido por inquérito do IBGE, acusou aumento de 4,2% no Paraná, nos primeiros oito meses de 2017, diante de encolhimento de -3,8% para a média brasileira. Trata-se do segundo maior acréscimo do País, perdendo somente para Mato Grosso (5,6%), e ancorado em serviços prestados às famílias (14,7%) e transportes, serviços auxiliares e correios (13,6%).

No que se refere ao mercado de trabalho, o Paraná expressou desemprego de 8,9% da população economicamente ativa (PEA), contra 13,0% da PEA para a média nacional, estimada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE, para o segundo trimestre de 2017. Com isso, o Estado apresentou a terceira menor desocupação, junto com Mato Grosso do Sul, atrás de Santa Catarina (7,5%) e Rio Grande do Sul (8,4%).

Já a subutilização da força de trabalho, que engloba desemprego aberto (procura por trabalho nos últimos 30 dias), jornada insuficiente e desalento, chegou a 15,9% da PEA, a terceira menor do País (23,8%), atrás de Santa Catarina (10,7%) e Mato Grosso (13,5%).

O Estado também respondeu por 13,7% dos 208,9 mil empregos líquidos com carteira assinada, gerados no País entre janeiro e setembro de 2017, conforme levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. 44% dos postos formais no Paraná foram proporcionados pelo ramo de serviços, sobretudo ensino, alojamento e alimentação; e 35% pela indústria têxtil, do vestuário e de alimentos.

Além dos indiscutíveis impactos do agro, a arrancada da economia paranaense pode ser imputada, embora de maneira acessória, à maturação parcial da diversificada carteira de mais de R$ 40,0 bilhões de investimentos industriais privados, nacionais e multinacionais, atraídos para o Estado entre 2011 e 2014, no âmbito do programa Paraná Competitivo.

Igualmente com interferência marginal emergem os desdobramentos do ajuste fiscal promovido pelo executivo estadual, desde 2015, a despeito de demasiadamente amparado na elevação de impostos, o que assegurou algum fôlego financeiro ao tesouro estadual.

Com isso, o Paraná ostenta a terceira menor relação dívida/receita corrente líquida (RCL), ou posição de 19,41%, inferida pelo BC para setembro de 2017, atrás de Espirito Santo (6,2%) e Mato Grosso (16,6%), versus a condição dramática revelada pelas instâncias do Rio de Janeiro (151,7%), Rio Grande do Sul (127,1%), São Paulo (111,5%) e Minas Gerais (109,9%).

O esforço fiscal torna-se mais visível quando se examina as necessidades de financiamento do setor público estadual, que exprimiu o quinto maior superávit primário da federação, em doze meses encerrados em agosto de 2017, sendo 3,1% da RCL, suplantado apenas por São Paulo (4,4%), Ceará (4,3%), Pernambuco (3,6%) e Mato Grosso do Sul (3,4%).

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista, consultor, professor da FAE Business School, ex-presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *